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UNIVERSO

 

 

 

Nascemos de uma explosão:
átomo ou ovo primordial
a miniatura do nada.
Espaço, tempo, matéria
e o infinito num ponto.
Onde é que Deus estava
nesta singularidade?

 

 

 

Cansado de eternidade,
Deus fez-se tempo e espaço,
e explodiu em átomos e galáxias
no infinito de si mesmo.

 

 

 

A Terra vai em direção a Vega.
Mas, para onde Vega vai?
Tudo gira e nada cai
e, se cair, onde cai?
E, em girando, tudo anda,
para onde tudo vai?
Se o universo é infinito,
onde o chão e onde o teto,
onde as paredes do mundo?

 

 

 

O que fazemos no mundo?
O que o mundo nos faz?
O que nós fazemos juntos
(nós e o mundo), um mesmo nó
numa ciranda sem fim?
Como saber a ação,
que iniciou o universo
e seu cósmico bailado?
Se o movimento é eterno,
quem pode parar os átomos
e imobilizar as galáxias?

 

 

 

Tem o universo memória

de todos os seres mortos

desde o início da vida?

 

Quem guardará a memória

daqueles que já morreram

se o recordante é mortal?

 

Que testemunha imortal

lembrará todos os mortos?

 

 

Na pulsação do universo
somos seres pensantes
entre os seres que pulsam
nas suas formas instáveis.
O que pensam os outros seres,
que pulsam no universo?

 

 

 

Uma folha que cai
desarruma o universo.
O respiro de uma ave
afeta o clima da Terra.
O balançar de uma teia
e aranha afeta a galáxia.
Uma criança que nasce
muda o destino do mundo.
Cada gesto de amor
salva toda a humanidade.

 

 

 

Nada há que segurar.
O vazio é que sustenta
mundos,
seres
e coisas.

 

 

O mundo é feito por nós.

Nós somos os nós do mundo
e em tudo estamos atados.

 

O mundo é o que tecemos
juntos todos os dias.

Tecelões e tessitura,
somos mãos e somos linhas.

O mundo é carne e tecido,
seres, fatos e coisas
vestindo o nu existir.

 

Por causa dos nossos olhos
O mundo é cheio de cores.
E por causa dos ouvidos
O mundo é cheio de sons.
Se as pessoas, de repente,
ficassem cegas e surdas,
o mundo teria cores,
o mundo teria sons?
Quem o testemunharia?

 

Há muitos mundos possíveis.

Há muitos de nós possíveis:
só esperam acontecer.

 

Há mais mistérios na mente
do que em toda a extensão do universo.

 

 

Se somos uma organização consciente de si mesma e, portanto, um quem e não um simples como, por que o universo, sendo uma organização, é apenas um imenso como sem quem?

 

Se o nosso planeta é um ser vivo, ele procura sempre o seu auto-equilíbrio e, em virtude disso, causa sofrimento aos seres vivos, inclusive ao ser humano. Afinal, por que este deveria ser a exceção? Por nos julgarmos uma espécie superior, não nos conformamos como esse tratamento igualitário e acreditamos que a natureza é impiedosa, ou que Deus nos castiga pelos nossos pecados, quando somos vítimas de catástrofes.

Não somos melhores do que os demais seres vivos e nem o mundo foi feito para nós. Enquanto mantivermos esse antropomorfismo, jamais poderemos entender que a Terra, para manter o seu equilíbrio, sacrificará vidas para recriá-las, de uma forma ou de outra, assim que isso lhe seja necessário.

 

 

Algo infinitamente pequeno e infinitamente denso a que se chamou de singularidade existia no infinito nada, o qual não era infinito, porque existia algo.

Então este algo explodiu ninguém sabe por que e como.

E nem também quando, pois o tempo passou a existir depois da explosão.

Dizer que o tempo existiu depois é uma contradição, pois depois também é tempo.

Antes e depois são tempo: logo, não há antes e depois do tempo.

E se não existia o tempo, o que era este algo sem tempo?

Era o espaço infinitamente contraído e denso e que gerou o tempo ao explodir? Então, este algo que era espaço compacto explodiu no vazio e começou a se expandir em partículas e vazio no infinito vazio e ninguém sabe quando parará esta expansão. E se nunca parar?

Esta é uma hipótese científica ou uma metafísica que obteve status de cientificidade?