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SONHO

 

 

Sem sonhos, o sono

É um rei sem trono.

 

Sonho é tudo o que passou e o que se deseja que aconteça.

 

O sonho é uma ponte

Que vai além do horizonte.

 

            Se a vida é um sonho, quem é o sonhador?

            Se somos sonhos que sonham, quem é que nos sonha?

 

O que somos nos sonhos
é o gêmeo que não nasceu
e vive no nosso corpo
o corpo que nunca teve.

 

A carne é sonho transitório.

Quando dormimos, voltamos

à nossa essência onírica.

Quando morrermos, seremos

o sonho definitivo

que, um dia, foi um homem

que pensava ser real.

 

 Misto de sonho e carne,

somos carne que sonha

ou sonho que se fez carne?

 

O sono é que nos divide

em dois seres paralelos.

 Qual deles é o ser real?

 

 Não desperte ninguém de seu sonho.

Como você sabe que seu sonho

é real e não o dele?

 

Onde o sonho não é possível

começa o território do vazio,

o oco do ser, o chão do nada,

a despercepção e a  desmemória.

  

Fatos se tornam sonhos
e sonhos se tornam fatos.

Qual deles é o real?

O fato que já passou?
O sonho que ainda é sonho?

 

O sonho é o nosso modo
de caminhar sem o corpo

 

Todo sonho é um fato
que ainda falta acontecer.

 

O espírito é um sonho
que, um dia, se fez carne
e pensou que era carne,
até voltar a ser sonho.

 

O sonho morre quando vira fato.
O que foi fato se transforma em sonho.

O sonho nunca morre enquanto é sonho.
O fato morre em seu acontecer.

Não somos influenciados apenas pelas nossas ações, mas também pelos nossos sonhos.
O homem é um compósito de fatos e sonhos.

                                                                                                 Dizem que a realidade é um sonho. E o sonho, o que é?

     Qual o espaço em que ocorre o sonho? Onde estão as imagens gravadas na memória? Em que parte do cérebro a memória está? Como podemos ver sem olhos, e que luz traz as imagens para a retina? E de onde vêm essas imagens, se não as vimos na vigília e, portanto, não estão gravadas na memória? Como é que vemos imagens lá “fora” se elas são impressões luminosas, decodificadas pelo nosso aparelho óptico? Por que não a vemos “dentro” de nós, no mesmo “espaço” onde vemos os sonhos? Será que as imagens que vemos lá “fora” são alucinatórias? Por que, então, não vemos os sonhos quando estamos acordados?

      É preciso que cada um seja o seu sonho. Quem sonha o sonho de todos, ainda não nasceu para si mesmo. Quem de si não se fez sonho, na morte não sobreviverá.

                                                                                                              O sonho é a percepção dos que dormem.

                                                                 É o sonhador a causa de seu sonho, ou ele é um sonho que pensa ser o sonhador?   

                                                                     Tudo o que fomos é sonho. O presente é a máquina de fabricar sonhos.