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SOLIDARIEDADE

 

        A ordem social se mantém pela consciência da necessidade da solidariedade, e não pelo amor entre as pessoas. O amor é uma experiência subjetiva. A solidariedade é ação objetiva.

        O amor universal é uma quimera. Ninguém pode amar a quem quer que seja. Nem se sentir obrigado a fazê-lo.

        A solidariedade é um comportamento pragmático. Ajudamos para sermos ajudados. A não-reciprocidade é o equivalente social da ingratidão, que é um sentimento pessoal.

        Quando o egoísmo supera a atividade solidária se transforma em estupidez. Uma sociedade, constituída, em sua maioria, de pessoas estúpidas, é de extrema fragilidade. E, quanto mais se incentiva o egoísmo nas pessoas, mais a convivência social se torna problemática.

        Ninguém é solidário porque é bom, mas porque a solidariedade é um bem para todos. A sua falta é o crime maior que se pratica contra a sociedade.

 

 

Ninguém é solidário porque é bom, mas porque a solidariedade é um bem para todos.

 

A falta de solidariedade é o maior crime que se comete contra a sociedade, porque ela, na verdade, é a raiz de todos os outros crimes.

 

A solidariedade pode resultar de egoísmos coincidentes. As pessoas, nessa situação, se unem para defender-se de um adversário comum, para fazer face a uma calamidade coletiva ou para melhorar as condições de vida.

 

Ser solidário é um grande investimento. O prestígio de ser bom gera o capital de confiança, admiração e respeito. O protetor gera dívidas de gratidão para os protegidos. E produz um patrimônio imaterial de segurança para o protetor. A ingratidão coloca o beneficiário numa situação de inadimplência moral.

Investir nos outros é investir em si mesmo. É o que podemos denominar de economia do bem.

 

A solidariedade é um sentimento resultante da consciência de que ela é a única forma de estabilidade social.