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SOLIDÃO

 

 

 

Quantas pessoas são

Enfermas de solidão!

 

Quem perdeu a solidão,

Procura a si mesmo em vão.

                       Há momentos em que a nossa melhor companhia é estarmos a sós, sentindo plenamente o nosso corpo quase sempre esquecido e pouco percebido.

    A solidão total é não pensarmos em ninguém.

    O pior da solidão, para algumas pessoas, é a constante presença de si mesmas.

A companhia de certas pessoas nos deixa solitários.

 O homem e a solidão,

inseparáveis xifópagos.

A solidão é o eco

do silêncio que se esconde

entre as dobras dos diálogos.

A solidão não tem rosto

e é vista em todas as faces.

É o abismo que separa

as pessoas entre si,

o impreenchível vazio

intercalado entre os corpos

mesmo nos atos de amor.

Só o amor anestesia

a incurável solidão.

 

A solidão procurada.

A solidão consentida.

A solidão imposta

e aberta como ferida.

A solidão com tantos.

A solidão sem ninguém .

A solidão, companhia

para o mal e para o bem.

A solidão que estimula.

A solidão que amofina.

A solidão construção.

A solidão só ruína.

 

O tempo vazio.

O espaço vazio.

O coração vazio.

Um oco que não tem fim.

A solidão sem fronteiras.

Um silêncio surdo-mudo

é testemunha do nada.

  

Mais fiel que a nossa sombra
é a nossa solidão.
Jamais nos perde de vista
no meio da multidão.

É a nossa alma gêmea?
É o nosso anjo da guarda?
O xifópago invisível?
Ninguém viu a solidão
que nasceu quando nascemos.
Em cada homem que morre,
morre a gêmea solidão.

Solitário é aquele que pensa só em si.
A sua dor é maior, porque é dele só.
A sua alegria é menor, porque não é acrescida pela alegria dos outros.
 

Solidão é se estar íntimo de si.
 Não é a negação dos outros.

 

Não juntos: em paralelo.

Substancialmente sós,

apenas aglomerados

na apertada solidão.

Não unidos, mas prensados

em pegajosa paixão.

Fundidos e confundidos

nos êxtases mais solúveis,

algo de nós permanece

em pertinaz solidez.

 

Quanto mais só, mais eu sou:

os outros me enfraquecem.

 Na solidão, eu sou pleno.

Na convivência, eu sou parte.

 

Não se compartilha a solidão. A solidão é indivisível.

A solidão nos devolve a autenticidade ou, menos, a única possibilidade de sermos autênticos. Muitas são as pessoas que, mesmo sozinhas, se escondem de si mesmas.

                                    Fundamentalmente, não há ninguém que nos preserve contra a solidão. Pessoas, nesta circunstância, são analgésicos.

A solidão, na maioria das vezes, é angustiante para muitas pessoas. Não sabem ser íntimas de si mesmas. Temem estar sozinhas, porque se sentem desprotegidas.

É a solidão intelectual, que, muitas vezes, resulta em solidão física e poucas relações sociais.

A solidão física é de fundamental importância para o exercício da criatividade.

A solidão persegue quem se esconde de si mesmo.

Não há solidão total. De uma forma ou de outra, estamos em relação com o universo.

A solidão é, às vezes, uma necessidade. O momento de privarmo-nos temporariamente da companhia dos outros.