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SOFRIMENTO

 

 

Não me dói o que perdi,

pois tive o prazer de ter.

 

Dói-me tudo o que não tive

e o quanto não pude ser.

 

 

 

Não existe sedativo

para uma dor cultivada

que não morreu quando devia.

 

 

 

Dói pensar no infinito.

Dói pensar na eternidade.

Masoquismo cognitivo,

obsessão incurável

que o tempo não alivia

e só na morte se acaba.

 

 

 

A dor valorizada se transforma em vício.

 

 

 

Parece paradoxal, mas o cultivo da dor pode ser uma forma de preencher o tempo vazio.

 

 

Não faça da dor um pretexto, castigo ou purificação.
A dor é um fato e só. Merece medicação e não explicação.

 

 

Quem tem muito o que fazer, não tem tempo disponível para dedicar-se à dor.
Afinal, a dor nunca é boa companhia.

 

 

Todo o perigo da dor
não é seu próprio doer:
é a sua anestesia.
A dor que já não se sente,
nem em si e nem nos outros.
A dor que perdeu a voz.
A dor a que falta o espasmo.
A dor que não causa espanto.
A dor que não mais revolta.
A dor que nos fez eunuco
no amargo céu da impotência.

 

 

 

Se sofremos porque somos maus, então todos os seres vivos são maus, porque também sofrem.

 

            O sofrimento tem uma função defensiva e transformadora. A dor nos compele a agir e, em alguns casos, a ação pode ser criadora.

 

            Os sofrimentos passados se tornam experiências e galardões. Quem não gosta de contar as dificuldades que experimentaram, os desafios que enfrentaram, as dores suportadas e superadas? Os sofrimentos, sob esse aspecto, são nossos galardões subjetivos.

 

O sofrimento faz parte da vida. Por isso, não há como eliminá-lo. O que podemos é minimizá-lo, dependendo do modo como lidamos com ele. Não há anestesia geral permanente para o sofrimento de todos os seres da Natureza. Quanto mais vivemos, mais estamos expostos ao sofrimento.

Há pessoas cujo sofrimento as torna insensíveis. É o calejamento psicológico decorrente do sofrimento recorrente. Existem também aquelas que conseguem extrair prazer de suas dores. São os masoquistas, historicamente representados por mártires e flagelantes, que esperam uma recompensa no Além pelo seu sofrimento voluntário ou não. E ainda as pessoas que sofrem pela vaidade de provar ao mundo a sua têmpera.

 

 

O pior da dor não é a dor, mas a sua falta de significado. A dor que apenas dói é a dor que dói mais.

 

Muitos sofrimentos são decorrentes da incapacidade de certas pessoas em lidar com elas mesmas e com as circunstâncias do existir.

 

     O sofrimento somente pode ser aceito quando nele vislumbramos um significado, uma vantagem ou uma compensação no futuro.