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SABER, SABEDORIA
Não é na primavera, mas no outono Que a sabedoria ocupa o trono. O sábio se compraz em viver quase sempre escondido. É a sua única proteção. A sabedoria não tem donos. E raros são os seus usuários. Amamos o saber ou, na verdade, amamos o poder que o saber nos dá?
Uma forma sutil de apego: a apego ao que se sabe.
Apegar-se ao conhecimento é o mesmo que se apegar às coisas. Todo apego, seja de que natureza for, é uma prisão. Quem não é livre do que sabe, não pode aprender sempre.
O saber confere erudição. Mas só a compreensão transforma o vasto saber em sabedoria. A sabedoria é um patrimônio sem herdeiros. O povo não entende o sábio. O sábio será sempre uma gota de óleo, boiando na superfície da água plebéia.
Quem anseia pelo aplauso do povo, mesmo que seja um erudito, não é um sábio. O sábio não busca a aprovação popular.
Sábio é aquele que sabe agir com discernimento em cada situação do seu existir.
A sabedoria é o ouvido maior do que a boca.
O sábio, quanto mais sabe, mais se isola. A sua convivência com as outras pessoas é sempre superficial. Porém isso, não o torna um misantropo. Pelo contrário: ele é afável com as pessoas, mas só se relaciona com elas em assuntos triviais. Embora acostumado às profundezas, ele sabe, nos momentos necessários, subir à superfície e até mesmo divertir-se com as pessoas comuns.
Há pessoas que buscam a sabedoria no saber. Se assim fosse, os eruditos seriam sábios.
A sabedoria é casuística, porque se exerce em cada circunstância do nosso existir.
A sabedoria é incompatível com a maldade. Quem é mau, jamais será um sábio.
Conhecimento e sabedoria poucas vezes coincidem.
O sábio não é popular, e nem se preocupa com isso. Poucas são as pessoas que o entendem. O fato de ser citado não importa em ser compreendido.
Não há sabedoria popular, porque não existe povo sábio. Se todas as pessoas fossem sábias, haveria necessidade de governo?
De que serviria a sabedoria se ela tornasse o sábio infeliz? Seria, então, a ignorância um estado de felicidade?
Sabedoria não é erudição. A sabedoria é ação eficaz em cada situação do existir. Diferentemente do conhecimento, ela não se transmite. Por isso, o sábio não ensina. Mas a sua simples presença contagia as pessoas do desejo de também adquirir a sua própria sabedoria.
O sábio não tem discípulos, embora viva cercado de pessoas, porque ele é um ser livre e, portanto, mesmo possuindo bens, objetivamente, não é, subjetivamente, possuidor ou possuído.
Quem precisa de discípulos é porque quer poder. É um escravo do poder e, por isso, não tem poder. O seu poder reside nos outros, os quais, iludidos com o falso poder do mestre, asseguram-lhe o poder.
O sábio não se imobiliza no seu vasto saber. Ele renuncia a tudo o que sabe para saber mais.
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