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PALAVRAS

 

            Palavras podem mudar as pessoas, até mesmo quem as pronunciou ou as escreveu.

 

            Falamos demais e compreendemos pouco. Palavras são palavras. Coisas são coisas. Juntá-las não nos dá compreensão. Só o silêncio é neutro.

 

Estamos iludidos pelas palavras. Procuramos soluções para problemas que não existem. Tropeçamos em dificuldades lingüísticas e pensamos que elas dizem respeito à realidade. Mesmo a palavra realidade não define o seu conteúdo, a sua semântica. Aprendemos a jogar com as palavras, e com elas construímos nossas fantasias. O que existe além das palavras não pode ser verbalizado.

 

Palavras não são coisas. São convenções. No entanto, as pessoas pensam que podem explicar o mundo juntando palavras, formando frases e conceitos. A gramática põe ordem às frases e influem na gênese das idéias.

 

As palavras e os pensamentos presentificam as coisas. Quando não há palavras e/ou pensamentos, as coisas presentes continuam presentes e as coisas ausentes permanecem ausentes. Se falamos ou pensamos em algo, este algo se transforma em vivência psicológica e nós reagimos a essa experiência segundo o seu significado. Há palavras e pensamentos que nos fazem sofrer e, por isso, sofremos, quando falamos e/ou pensamos. Palavras e pensamentos doem tanto quanto as coisas físicas.

 

     As palavras são apenas iscas. Uma vez pescado o peixe, não servem para nada.

 

A força de uma palavra não está na sua grafia, mas na sua semântica. Para que a uma palavra dita por uma pessoa produza uma reação em outra, é preciso que ela seja entendida com a mesma semântica.

 

A nossa realidade é construída com palavras. Quando elas perdem o sentido e se tornam apenas grafia e sons, o nosso mundo começa a desmoronar.