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FAMÍLIA A família não é somente um acidente biológico, mas uma construção dos indivíduos que a compõem. Pais e filhos não são apenas uma linha hereditária, mas o compromisso com os papéis a eles atribuídos pela sociedade. A família biológica termina com a emancipação dos filhos. A família solidária permanece indefinidamente enquanto mantidos os laços de afeto e de confiança entre os seus membros. A continuidade da família, após a maioridade dos filhos, não é mais uma obrigação social e, sim, uma escolha de natureza estritamente pessoal. A partir deste estágio, cada um é livre para seguir seu próprio caminho ou continuar percorrendo o caminho original. Porque há caminhos solitários e caminhos solidários. Caminhos que ocasionalmente se cruzam e caminhos sempre em paralelo. Caminhos que começam, caminhos que terminam. Adeuses que se renovam e adeuses definitivos. Lembranças esquecidas nos álbuns e álbuns que se perdem na correnteza das novas gerações. É no provisório que somos e convivemos. Daí, a importância do amor no cotidiano das pessoas. No entanto, nesse cenário familiar, há pais que não se sentem responsáveis pelos filhos, quando pequenos, e filhos que não cuidam dos pais, quando envelhecem. Quando o amor impera na família, não há dever, mas um modo comum de ver e de conviver, que poderá conservar-se ou não através do tempo.
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