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Não há técnica para adivinhações (*)

A precognição ou premonição é um dos temas mais complexos estudados pela parapsicologia, ciência encarregada de investigar fenômenos atribuídos ao oculto, ao misterioso. Na opinião do parapsicólogo Valter da Rosa Borges, a questão não é acreditar se é possível ou não prever o futuro, mas se existem indícios de que o homem pode ou não adivinhar o que ainda não aconteceu. Sobre este assunto,Valter é taxativo. "O futuro não existe. É um elenco de probabilidades que podem ou não se concretizar".

Para ele, as pessoas têm intenções de no futuro realizar determinadas coisas. O fato em si é provável, mas não é possível de ser determinado. Pode haver uma coincidência entre a previsão e o que realmente aconteceu. "Mas não se pode ter uma técnica para conhecer o futuro. Cientificamente, elas não têm nenhum valor. Quase a totalidade das previsões falham, mas não se publicam os fracassos, apenas os escassos acertos. Muitos dos que fazem previsões até acreditam que essas técnicas funcionam. Outros fazem isso para ganhar dinheiro", avalia.

O descontentamento com a realidade e a insuficiência do pensamento racional em preencher os anseios humanos podem explicar o porquê das técnicas premonitórias serem ainda tão solicitadas. "Quando um povo se encontra na aflição e não há solução clara para os seus problemas, ele apela para o sobrenatural. Isso é psicológico, acaba funcionando como uma válvula de escape", analisa.

O parapsicólogo desafia qualquer adivinho a submeter suas previsões ou leituras do presente e do passado a uma investigação científica. "Quanto mais gerais são as previsões, mais possíveis de acontecer. Seria mais interessante dar detalhes, afastar-se do subjetivo e especificar o máximo possível. A ciência lida com dados concretos. Dizer que no ano que vem vai cair um avião, vai morrer um político, isso para mim não vale nada".

No entanto, a parapsicologia observou fenômenos curiosos que ajudam a entender a ação de alguns adivinhadores A ciência já verificou ser possível a comunicação por telepatia (entre as mentes). Dessa forma, uma pessoa pode ter faculdades de acessar informações contidas no consciente ou inconsciente de outra pessoa. Se, por exemplo, um tarólogo prevê que seu diente fará uma viagem ao exterior, é provável que o cliente esteja com essa intenção. Nesse caso, explica Valter, uma pessoa que recebe uma previsão do seu futuro pode, mesmo que inconscientemente, predispor-se a buscar a realização do fato previsto.

Outra curiosidade é quanto à Astrologia, que estuda a interferência dos astros nas vidas das pessoas. Hoje sabemos que a lua e o sol exercem influência no organismo das pessoas. Observamos que certas doenças mentais são agravadas em épocas de lua cheia. Há a influência de campos magnéticos sobre os seres vivos, mas isso não interfere no nosso destino", afirma Valter.

(*) Folha de Pernambuco. 30 de março de 2003