Rosa Borges:
“Em épocas de crise, pessoas angustiadas podem ser “presas fáceis” dos falsos parapsicólogos”. (*)
| Em épocas de crise, pessoas atordoadas procuram respostas para suas indagações e angústias. Tudo isso é muito natural. Porém, o parapsicólogo Valter da Rosa Borges adverte: cuidado com os charlatões. Rosa Borges, fundador do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, denuncia que, em tais circunstâncias, os indivíduos podem ser transformados em "presas fáceis" dos enganadores, que fazem questão de mostrarem-se eficientes no campo espiritual, levando homens e mulheres a acreditarem em idéias mirabolantes. A Parapsicologia, no Brasil. Como a análise da paranormalidade vem sendo feita, aqui, no Estado de Pernambuco. Casos interessantes, acontecimentos inexplicáveis e extraordinários, e, neste M&M, relatados pelo especialista com exclusividade. | ![]() |
Moema Luna
Em época de crise, principalmente quando os valores sociais e espirituais são questionados, produzindo perplexidade e desorientação existencial, as pessoas atordoadas procuram respostas, geralmente fantasiosas, para as suas indagações e angústias. Esta observação foi feita pelo parapsicólogo Valter da Rosa Borges, fundador do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. O especialista denuncia que, nestas circunstâncias, os indivíduos se tornam vítimas fáceis dos charlatães, os quais, se fazendo passar por autoridades no campo científico e/ou espiritual, levam-nos a acreditar em idéias mirabolantes, utilizando-se, para isso, de propaganda enganosa, através dos mais variados veículos de comunicação.
Valter da Rosa Borges acrescenta ainda que “infelizmente, no Brasil, a Parapsicologia tem sido prejudicada pela ação perniciosa destes vigaristas, os quais, fazendo-se passar por parapsicólogos, iludem pessoas desprevenidas, fonecendo informações falaciosas sobre fenômenos paranormais e também sobre técnicas, sempre ilusórias, de desenvolvimento de poderes psíquicos”.
Extraordinário
“Qualquer pessoa está sujeita a passar por experiências parapsicológicas, mas é preciso aprender a perceber além das palavras e dos gestos”. Com esse argumento, o parapsicólogo Valter da Rosa Borges procura esclarecer os mais incautos de que a maioria dos fenômenos atribuídos às manifestações do “além” são frutos da própria natureza humana, e não existe nada de extraordinário, ou mágico, neste campo. Entretanto, segundo o parapsicólogo, são raras as pessoas em quem a paranormalidade se manifesta de forma ostensiva, com significativa freqüência.
Um dos fenômenos mais comuns é a telepatia, capaz de desnudar as máscaras cotidianas que resguardam a individualidade. "Só a percepção extra-sensorial, especificamente a telepatia pode atravessar a máscara dos outros e encontrar a sua verdadeira face. A expe- riência telepática é uma forma de comunicação direta entre indivíduos. Neste nível de relação humana, as nossas mentes formam uma unidade temporária. uma espécie de condomínio psíquico, onde a telepatia é a linguagem desse diálogo silencioso", explica.
Valter da Rosa Borges afirma que não há nada separado da natureza, muito menos a individualidade, que define como "centro dinâmico de múltiplas operações e relações".
"Aprendemos que somos apenas nós mesmos. Mas não nos ensinaram que podemos ser também os outros, pensar com os outros e sentir com os outros, numa coparticipação existencial que chega quase à identificação", enfatiza. Esse processo é semelhante às práticas zen-budistas, onde o estágio mais elevado do autoconhecimento é a anulação do Eu.
O parapsicólogo participa desse processo, através de orientação, para que as pessoas possam conviver produtivamente com a sua aptidão paranormal e obter benefícios para si mesmos, até para os outros. Valter da Rosa Borges afirma que a orientação é individual, "pois irá depender das características de cada personalidade", diz ele.
Pós-Graduação
O IPPP oferece cursos básicos de Parapsicologia, níveis I e II, com a finalidade de orientar o público leigo. Segundo o pesquisador, a Parapsicologia "é uma ciência de extensa interdisciplinaridade". Tem por objeto a investigação das aptidões incomuns da mente humana. Além desses cursos básicos, o instituto oferece uma pós-graduação, com especialização em Parapsicologia, que começou a ser ministrada em 1988.
Pessoas com titulação acadêmica, em qualquer área do conhecimento humano, podem matricular-se no curso, bastando, para isso, fazer a fase preparatória. A iniciativa visa formar uma comunidade científica de parapsicólogos.
O especialista salienta que o IPPP é a única sociedade de Parapsicologia com natureza científica no Nordeste. É conhecido nos âmbitos nacional e internacional. Nas duas visitas que fez ao Recife (novembro de 1990 e fevereiro de 1991), o renomado parapsicólogo norte-americano Stanley Krippner, fez referências elogiosas, confessando estar na época, impressionado com o alto nível de estudos e pesquisas desenvolvidas pela Instituição pernambucana.
O IPPP, localizado na Rua da União. 557. 4° andar, conjunto 402, é uma entidade sem fins lucrativos, declarada de utilidades pública estadual (lei n° 9.714/85) e municipal (lei n° 14.840/86). Uma equipe, composta por parapsicólogos e piscólogos do Instituto, presta serviços de orientação e aconselhamento, mediante consulta previamente marcada, para pessoas que estejam passando por experiências "estranhas" , possivelmente de natureza paranormal.
Casos
De 1973, ano de sua fundação, até 1990, o Instituto investigou 149 casos de paranormalidade. Um desses trabalhos foi o "poltergeist" do edifício Paris. O parapsicólogo conta que "o fenômeno começou em dezembro de 1985 e a família, apavorada, procurou, sucessivamente, a ajuda de um padre, um pastor protestante, um médium espírita e uma mãe de santo, sem que o caso tivesse solução. A então presidenta do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Léa Correia, convidou o especialista e sua esposa, Selma da Rosa Borges, psicóloga e parapsícóloga, para realizar a investigação. O agente causador do poltergeist era uma menina de 11 anos, empregada doméstica e com problemas emocionais. Após a orientação dada à família a respeito da natureza do fenômeno e as providências a serem adotadas, o fenômeno desapareceu, em menos de três dias.
"Recentemente — acrescenta — a Casa de Saúde Rei Magos, constituída por psícólogos e psiquiatras, solicitou os serviços do IPPP para atender a uma paciente que apresentava fenômenos de poltergeist. O caso foi rapidamente solucionado. Isto levou a direção da clínica a convidar-nos a proferir uma palestra sobre o assunto para profissionais e estagiários daquela casa, tendo como resultado valiosa troca de informações e experiências no campo do psiquismo humano".
Por mais incrível que seja a experiência, levitação, clarividência, telepatia, psicometria, precognição, psicocinese, projeção da consciência ou mesmo o poltergeist, tudo é muito natural e simples à luz da Parapsicologia. O que acontece, na verdade, é que o homem se distanciou de seus radares extra-sensoriais, envidando todos os esforços na conquista do mundo.
(*) Diário de Pernambuco, de 24 de novembro de 1991.