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DIÁRIO DE PERNAMBUCO. 6 DE MAIO DE 1981

O Poder da Mente é pesquisado em Laboratório no Recife

 

Parapsicólogo e promotor público, Valter da Rosa Borges vem realizando, atualmente, uma pesquisa, a longo prazo, visando o conhecimento mais profundo da mente humana em nível inconsciente, junto à equipe do Instituto Pernambucano de Pesquisa Psicobiofísicas, do qual é diretor científica e fundador. Membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro e membro efetivo da Associação Brasileira de Parapsicologia, Valter publicou, em 1976, um livro intitulado “Introdução ao Paranormal", onde apresentou um estudo sistemático e objetivo da fenomenologia parapsicológica.

Ministrou vários cursos de Parapsicologia e participou, em outubro de 1979, como conferencista oficial, do II Congresso de Parapsicologia e Psicotrônica, realizado no Sheraton Hotel, Rio de Janeiro, onde a sua tese "Telepatia, Sugestões para a Pesquisa" foi considerada, pela revista "Planeta", uma das melhores do encontro. Há mais de 25 anos Rosa Borges se dedica ao estudo e à pesquisa dos fenômenos paranormais, tendo o seu livro sido destacado na Argentina e em Portugal. Fundou, em lº de janeiro de 1973, o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, única sociedade científica, em nosso Estado, que realiza experiências e estudos sistematizados no campo da Parapsicologia. Semanalmente, são realizadas reuniões de estudos e pesquisas no I.P.P.P. e todos os sábados, no horário das 9 às 12, a sociedade é aberta ao público, em sua sede à rua da Concórdia, 372, salas 46-47, para o atendimento às pessoas interessadas.

 

LIBERAR O PODER CRIATIVO

 

"Esta pesquisa para o conhecimento mais profundo da mente humana em nível inconsciente, ainda está no início — diz Valter da Rosa Borges — mas pretendemos, mediante uma metodologia adequada, liberar o poder criativo que existe, latente, em todo o indivíduo, mas que, no estado de vigília, não se manifesta livremente, por força do mecanismo da censura. A esta estratégia de sondagem do inconsciente demos o nome de prospecção psi."

O processo que ele vem adotando, aliado à equipe do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, não é inédito. Apenas foi reformulado o modelo operacional com a inclusão de algumas variáveis de controle, tendo em vista o propósito específico do projeto. "Queremos, nesta experiência, observar, especificamente, como funciona o psiquismo humano, em processo criativo, liberado o mais possível dos seus condicionamentos e rotinas".

Por enquanto, a equipe ainda está na fase exploratória da pesquisa, testando as estratégias iniciais e observando, cuidadosamente, o comportamento de cada pessoa, submetida ao experimento, nas diversas situações preestabelecidas de controle metodológico. Segundo informa Rosa Borges, o prazo mínimo previsto para a conclusão da primeira fase da pesquisa é de três anos. Esta fase inicial, por sua vez, subdivide-se em estágios bem definidos, desde a fixação da amostragem, através da seleção dos candidatos à pesquisa, até os experimentos finais, quando, então, serão elaborados os mapas estatísticos dos resultados obtidos.

 

REGRESSÃO OU PROGRESSÃO NO TEMPO

 

"Nas nossas experiências de sondagem do inconsciente — explica Valter da Rosa Borges — freqüentemente nos deparamos com manifestações bem elaboradas de personalidades secundárias, as quais, em certos ambientes religiosos e desavisados, seriam catalogadas como "espíritos". A mente humana é tão fértil que, em circunstâncias especiais, é capaz de criar réplicas psíquicas de si mesma e elaborar "romances subliminares", principalmente quando a personalidade vigílica é inidônea para utilizar, adequadamente, o material disponível de suas forças criadoras".

Utilizando, como instrumento preferencial,  a sugestão,  este parapsicólogo movimenta o psiquismo da pessoa pesquisada em situações  tempoespaciais  preestabelecidas, estimulando-a a improvisar soluções, à guisa de exercício  de  sua capacidade criativa. A sua memória é, assim, excitada, de maneira progressiva, segregando fatos reais, aparentemente esquecidos, ou, mediante engenhosas associações, num procedimento heurístico, compondo "acontecimentos", muitos dos quais, como diz o próprio Valter, "de inegável riqueza artesanal".

Em outro tipo de experimento, o pesquisado é induzido a se deslocar, psiquicamente, para dimensões imaginárias, realizando "viagens" de inspeção em outros mundos, físicos ou extrafísicos, ou, ainda, a regredir ou progredir no tempo em busca de civilizações passadas ou futuras. "Nesta atividade exploratória de alta complexidade de desempenho psíquico — completa Rosa Borges — manipulamos com fenômenos de telepatia, clarividência, precognição e memória extracerebral. Em tais ocasiões, procuramos avaliar, através de instrumentação adequada, a presença e a importância dos ritmos Alfa nas manifestações daqueles fenômenos".

Em sua conclusão, Rosa Borges diz que "a nossa pesquisa não se propõe, portanto, a conceder prioridade experimental aos já famosos fenômenos de memória extracerebral. Eles fazem parte, naturalmente, deste tipo de investigação, pois, em muitos casos, sugerem um acervo mnemônico não redutível ao contexto existencial da pessoa pesquisada, o que leva o observador bem intencionado a considerar, mais seriamente, a hipótese da reencarnação".