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Milhares de estudiosos em todo o mundo debatem os problemas da parapsicologia (*)

 

A Parapsicologia é, hoje, uma ciência que atrai milhares de pessoas em todo o mundo. Nas principais cidades, principalmente da Europa, são fundados centros científicos especializados para o estudo dos fenômenos paranormais. A cada dia aumenta o número de publicações versando sobre o assunto, dando ensejo a proliferação de cursos, palestras, conferências e mesas-redondas.

 

O interesse do público pela Parapsicologia foi ainda mais espicaçado, quando a imprensa mundial noticiou que, na Rússia um casal de cientistas, Semion e Valentina Kirlian, inventara uma máquina que podia fotografar a aura humana. Diziam as notícias que, com o emprego deste aparelho, era possível conhecer os estados físicos e psíquicos das pessoas, segundo as cores e a luminosidade emitida pela aura fotografada.

 

POLÊMICA

 

De imediato, gerou-se uma polêmica entre os estudiosos da Parapsicologia, envolvendo, inclusive, o público leigo, dada a sua conotação emocional e religiosa: seria esta aura a alma humana ou apenas a manifestação de um corpo energético a que se denominou de corpo de plasma biológico ou corpo bioplásmico?

 

Para o  presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, o Promotor Público, Valter da Rosa Borges a aura humana é um fato comprovado experimentalmente, conquanto a interpretação de seus espectros seja bastante discutível. "A aura humana, diz ele, nada mais é do que um "efeito corona", cuja variável é o organismo vivo, o que produz a rica variedade de suas cores e intensidade luminosa. É justamente esta variedade de sua manifesta­ção, mesmo numa só pessoa, que está a merecer um estudo minucioso, isento de qualquer preocupação religiosa ou filosófica. A rigor, portanto, afirma Rosa Borges, não há qualquer prova de que a aura seja o perispírito da doutrina espírita ou o corpo astral dos ocultistas, esoteristas e teosofistas".

 

Entende o presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas que, em futuro não muito remoto, a observação da aura humana poderá servir de adjutório à diagnose, desde que sejam corretamente interpretadas as variações espectrais do "efeito corona". Aliás, diz ele, a literatura especializada relata casos de videntes que, pela simples inspeção da aura de uma pessoa, são capazes de diagnosticar a sua enfermidade e revelar, inclusive, o caráter do consulente. Tal diagnóstico, segundo se pensa, se firmaria nas alterações da aura de uma pessoa enferma, como se o vidente, por processo desconhecido, captasse as radiações oriundas de um desequilíbrio na estrutura atômica de uma determinada região do corpo, ainda que essa enfermidade não se tenha manifestado em nível molecular e celular.

 

MÁQUINA

 

Informou Rosa Borges que o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, com sede à rua da Concórdia,  372, salas 46/47, já possui uma máquina Kirlian, construída pelo seu próprio Departamento Científico com a qual vem realizando experiências controladas com o objetivo de ampliar o campo de pesquisas neste setor. O efeito Kirlian, diz ele, tem produzido exageradas esperanças entre os místicos e desconfiança em muitos homens de ciência. É mister, portanto, que a pesquisa com a aura humana se intensifique, em clima de tranqüila experimentação, até que um verdadeiro veredictum científico possa ser dado sobre o assunto.

  

DIFICULDADES

 

Adverte Rosa Borges que os fenômenos paranormais são raros e instáveis, o que dificulta, sobremaneira, o seu controle. Raríssimos, também, são os bons médiuns e poucos os que se dispõem a cooperar na pesquisa de suas faculdades. Geralmente descambam para o misticismo carismático ou para a militância religiosa e sectária, quando não procuram tirar proveito de seus dons, sob as mais variadas formas de gratificação pessoal.

 

O ideal, diz Rosa Borges, seria trabalhar com médiuns "zero quilômetro", ou seja, aqueles que nunca freqüentaram centros espíritas ou terreiros de Umbanda. Um "médium desenvolvido" é um médium condicionado e, em tal circunstância, quase impossível se torna a constatação científica de suas faculdades e dos fenômenos que produz.

 

O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas é, no Recife, a única sociedade científica dedicada ao estudo e à pesquisa dos fenômenos paranormais. Já ministrou, desde a sua fundação em 1973, vários cursos de Parapsicologia, inclusive pela TV Universitária Canal 11, no ano passado, sob a responsabilidade do seu presidente, Valter da Rosa Borges. Todos os domingos, em sua sede, no horário das 20 horas, o Instituto promove debates e conferências sobre fenomenos paranormais e questões paralelas.

 

Ainda este ano, provavelmente no segundo semestre, Valter da Rosa Borges estará lançando o seu livro "Introdução ao Paranormal", onde o assunto será tratado de maneira objetiva e pedagógica com o propósito de proporcionar aos leitores uma visão panorâmica e unificada da Parapsicologia.

 

(*) Jornal Universitário, da Universidade Federal de Pernambuco. Abril/maio. 1976.