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DÚVIDA
A dúvida é a certeza Que perdeu a identidade.
A dúvida é forte como a fé
A dúvida é a ginástica da inteligência.Duvidar não é apenas negar o que existe,mas negar que o que existe seja a única coisa que existe.Negar, assim, é ampliar a visão da realidade.A dúvida que apenas nega é destrutiva.
O homem que não duvida, cansou de crescer.
A dúvida é a saúde do espírito.Duvida-se, porque se quer mais.Porque se sabe que o que se sabeé provisoriamente necessárioe necessariamente provisório.
Quem diz duvidar de tudo, deve, por coerência, duvidar da sua dúvida. E de afirmações tais como: Deus não existe, o ser humano não sobrevive à morte.
A dúvida pode ser também um teste para a fé.
E nem creio sequer em
minha dúvida, A dúvida é a fé de que há algo mais além do que se conhece, e a fé é a dúvida de que todo real é só o que conhecemos.
Duvidamos para pensar. Acreditamos para agir. A convicção que surge da dúvida é tão forte quanto a fé de quem nunca duvidou.
Duvidar não é negar que algo é, mas questionar se ele é como nos parece e nos aparece. Se nada existisse, nenhuma dúvida existiria. A dúvida é criativa, porque nos leva à observação da mesma coisa em perspectivas diferentes. Ela nos preserva contra o imobilismo e a comodidade. A dúvida nos mantém alertas. A certeza pode ter o efeito embriagante de um psicotrópico ou o efeito paralisante de uma anestesia.
A dúvida metódica admite provisórias certezas. A dúvida sistemática é tão infértil quanto a certeza inabalável. Podemos acreditar na possibilidade de estarmos certo em determinadas circunstâncias, embora também estejamos advertidos de que não há garantia absoluta para as nossas certezas por mais verossímeis que pareçam. A dúvida é a autocrítica da certeza.
Dúvida não é a afirmação de que tudo é incerto, pois isso seria negação da dúvida. Dúvida é a admissão da possibilidade de erro em cada situação do nosso agir. Por isso, é importante agir, pois é possível que estejamos certos ou que as coisas aconteçam como queremos em conseqüência do nosso agir. Se duvidássemos da certeza de nossa ação, ficaríamos privados de qualquer tipo de atividade. Quando perdemos todas as certezas é que ficamos certos de que nada perdemos. A incerteza gera muitas possibilidades. A certeza, apenas uma.
Se não temos certeza de nada, como podemos afirmar ou negar qualquer coisa? O que temos são opiniões ou crenças às quais damos o nome de conhecimento porque nos parecem verdadeiras e, por isso, orientamos nossa vida em razão delas.
O homem não é apenas o que racionalmente sabe, mas o que indubitavelmente crê. Nunca poderemos ter a certeza, mas apenas a convicção de que estamos certos. Assim como a fé, o conhecimento científico, por ser provisório, é convicção razoável ou provisória certeza.
Se tudo muda, a certeza é para o momento que passa e não constitui garantia para o futuro. No entanto, a permanente dúvida sobre tudo inibe qualquer atividade.
A dúvida, se não for criativa, nada aproveita ao enriquecimento do saber. A dúvida deve ser razoável. O exagero da dúvida pode levar ao niilismo. Em certas circunstâncias, duvidar é pôr à prova a fé. A dúvida e não a fé é que vem concorrendo para o aumento do conhecimento. Quem livre pensa, duvida, embora entretenha provisórias certezas. A dúvida, quando metódica, não é o oposto da fé, mas outra opção a respeito do que a fé afirma. Duvidar é uma forma de crer de modo diferente.
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