Página inicial

 

BREVES COMENTÁRIOS

 

Disse Rudolf von Ihering: “Na Roma antiga aplicava-se a pena de morte ao juiz subornado”.

Que tal, guardadas as devidas proporções, se isso acontecesse no Brasil?

 

Na situação atual em que vive o Brasil, oportuna é a reflexão de Cesare Beccaria: “O rigor das penas deve estar em relação com o  estado atual do país”.

E Beccaria disse ainda: “É da maior importância castigar rapidamente por um delito cometido, se se desejar que, no espírito inculto do vulgo, a pintura sedutora das vantagens de uma atitude criminosa desperte imediatamente a idéia de um castigo inevitável.”

 

Os generosos indultos presidenciais se chocam com o lúcido entendimento de Beccaria, quando, incisivamente, declarou:

“Quando o soberano concede graças a um celerado, não se deveria dizer que sacrifica a segurança do povo a de um particular e que, por uma atitude de cega benevolência, pronuncia um decreto geral de impunidade?”

 

A mitologia grega não tinha um deus do mal. Tanto os deuses quanto os homens faziam o mal por conta própria.

 

Disse Pietro Ubaldi: “ A vida é utilitária, não ama o desperdício, assim faz de tudo para salvar aquilo que há de bom em um indivíduo”. Ao contrário: a vida é pródiga e redundante. Para que nasça um ou mais de um indivíduo, gasta milhares de espermatozóides. E o que ela acha de bom em um indivíduo? Seu valor moral ou sua força reprodutiva?

 

É um erro dizer que a prostituta vende seu corpo. Ela não vende, não aluga, nem empresta dada à impossibilidade de tal ato. O que ela faz é prestar serviços sexuais aos seus clientes.

 

Não é a quantidade de leitores que determina a qualidade de um escritor. O sucesso financeiro apenas significa sucesso financeiro.

 

Cada povo tem o governo que merece. Expressão inadequada. Em um regime democrático, é a maioria que tem o governo que merece.

 

A voz do povo é a voz de Deus. Se a voz do povo fosse a voz de Deus, Deus estaria dizendo bobagens o tempo todo.

 

Gosto de cultivar paradoxos. Por exemplo: seríamos imortais, se não tivéssemos nascido.

 

No Brasil, a única prisão que funciona é a prisão de ventre.

 

Se matarmos a fome, nunca mais teremos o prazer de comer.

 

A política, no Brasil, é a mais refinada arte de mentir.

 

Quem leva um tiro de frente não pode culpar seu guarda-costas.

 

Exemplo de fé cega: acreditar em políticos.

 

Há pessoas que não perdem a oportunidade de aparecer, mesmo quando se tornam fantasmas.

 

Os bons livros nos fazem perder o sono; os ruins, de logo, nos adormecem.

 

A fila é uma espera organizada.

 

Uma das coisas que nos faz mudar de opinião é a idade.

 

A coerência também mata a gente.

 

Quando eu morrer, não compareçam ao meu velório: não estarei lá para recebê-los.

 

Não podemos sequer confiar na nossa sombra. Ela sempre desaparece quando estamos na escuridão.

 

Se é verdadeira a afirmação atribuída a Jean-Paul Sartre de que Che Guevara era “o mais completo ser humano de nossa era”, por certo o filósofo francês estava delirando ou ficando caduco.

 

Disse Teresa D'Ávila: "É uma grande virtude considerar todos melhores que nós."

Quem seria tão virtuoso assim?

 

Em terra de sujos, ninguém fede.

 

Há pessoas que dizem confiar mais nos seus cães do que nos seres humanos. Em breve, começarão a dizer que confiam mais nos seus computadores do que nas pessoas.

 

O ser humano usa animais e agora fabrica robôs para lhe prestar serviços. Ambos são extensões biológicas e ferramentas tecnológicas do seu agir. A inteligência artificial é um inestimável adjutório da inteligência humana. Robôs agora são nossos serviçais, escravos tecnológicos do progresso humano. Podemos dar-lhes quase todos os nossos atributos. Eles são nossos clones metálicos. Quem poderá prever o futuro de tudo isso?

 

É perda de tempo dialogar com alguém que pense emocionalmente. A emoção é contagiosa. A razão é asséptica.

 

O maior benefício que se pode prestar às pessoas é ajudá-las a pensar criticamente sobre tudo.

 

Para manter médicos e hospitais, está cada vez mais em ascensão a indústria das doenças. Por isso, é atual o pensamento de Pietro Ubaldi: “Tal é a natureza humana, pela qual o médico tende a fabricar os doentes de que precisa, por vezes até aplicando tratamentos e operações cirúrgicas desnecessárias.”

 

Pierre Teilhard de Chardin (O Fenômeno Humano) se refere a um acaso dirigido. Ora, um acaso dirigido não é acaso. O que dirige esse acaso? Ou como o acaso dirigido se autodirige? Chardin não nos esclarece sobre isso.

 

Será que o Anjo-da-Guarda de quem morreu passou a ser um aposentado?

 

Graças aos políticos, o Brasil é um dos países mais desenvolvidos em roubótica.

 

O Brasil é um país grande. Mas não é um grande país, porque os seus políticos são pequenos.

 

Diz-se, popularmente, que Deus é brasileiro. Pelo jeito que as coisas vão no Brasil, Ele deve ter mudado de nacionalidade.

 

Os legisladores (?) brasileiros, entre outras “virtudes” são analfabetos em matéria de tecnologia. Recentemente, num surto de inteligência, descobriram as vantagens da teleaudiência para o interrogatório dos réus. Espera-se que outros surtos dessa natureza aconteçam.

 

O Brasil (faz muito tempo) é o país do faz de conta. Por isso, quase tudo aqui é virtual. Os Três Poderes da República estão cada vez mais virtuais. Enquanto isso, a bandidagem, em todos os seus níveis, está cada vez mais real.

 

Uma coisa é inegável: o nosso atual Presidente vem contribuindo, com o seu estilo cantinflário (lembram-se de Cantinflas?) para o enriquecimento do anedotário brasileiro. É o apogeu do espírito histriônico na história do Brasil.

 

Que tal se a legislação brasileira permitisse que o corrupto permanecesse preso até o julgamento final de seu processo? Se provasse, ao final, que era inocente, seria regiamente indenizado.

 

Já está na hora de ser criada a Comissão dos Direitos Humanos das Vítimas.

 

Que confusão é essa?

O Dalai Lama afirmou que poderia nomear seu sucessor ainda em vida ou por meio de um referendo. Então, o próximo Dalai Lama não pode ser a reencarnação do atual. Como é que alguém pode reencarnar, estando ainda vivo? Esse é um novo mistério que só pode ser explicado por quem o inventou.

 

Em sua encíclica Spe Salvi, o papa Bento XVI afirma que o ateísmo é responsável pelas “maiores formas de crueldade no mundo”. Por certo, ele faz que esqueceu as torturas da Inquisição e das guerras causadas pelas religiões. Ou talvez ele esteja sofrendo de Alzheim histórico.

 

Quem acredita em castigo no Além, há de convir que a vida espiritual é pior do que a vida material, porque naquela o sofrimento de uma parte da humanidade é eterno, o que não acontece na vida física.

 

O Índex foi a Inquisição intelectual da Igreja, coibindo a liberdade de expressão e promovendo a queima dos livros condenados.

 

O fanatismo é democrático: contamina religiosos e ateus.