OS CINCO DEDOS
Textos selecionados
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Como seres finitos, só podemos conhecer finitamente a realidade. O real, para nós, é, portanto, o relativo. |
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Todos os sistemas se
relacionam em estruturas hierárquicas, numa escala infinita, e Todo sistema é uma prisão. Mas, uma prisão necessária. O sistema não existe em si: é uma convenção, uma necessidade prática. |
| A lógica é a harmonia interna de um dado sistema, o seu conjunto de ferramentas conceituais. Tais ferramentas só podem produzir o trabalho para o qual foram construídas. O seu trabalho, pois, a limita. E o trabalho planejado e executado é o limite do homem. A lógica não pode, assim, ir além da capacidade do homem: ela é a sua teia. |
| Não se
pode aplicar a lógica de um sistema para compreender outro sistema. A lógica não é o metro da realidade. É uma atividade pragmática do espírito e limitada a uma determinada área operacional. |
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Ordem e desordem,
portanto, são conceitos funcionais. Caos, para o homem, é tudo aquilo
que não se ajusta aos seus padrões de ordem, a esquemas perceptuais
inatos ou adquiridos. |
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Tudo nos leva a crer que há infinitos níveis e formas da realidade. |
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A vida, para nós, se exprime através de sistemas, conquanto não possa ser redutível a eles ou entendida por seu intermédio. O sentido da vida é a própria forma em que se manifesta e, em cada forma, ela tem um sentido peculiar. Cada forma, assim, é um sentido, um significado da vida. |
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Tudo o que existe,
resiste. A resistência é o principio informador da individualidade. |
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O compromisso da vida é
mudar: ser o que é, enquanto é. A lealdade é o hoje: ser o |
| Infidelidade é manter-se fiel ao que já não é. |
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Vivemos uma realidade
específica e sabemos que essa realidade não é toda a realidade e nem se
constitui o padrão universal da mesma. Ora, como não podemos viver e
compreender outro tipo de realidade, somos, naturalmente, inclinados a
negar qualquer outra realidade além ou diferente da nossa. Isso porque a
percepção é a medida existencial de cada ser. |
| A
dúvida é a ginástica da inteligência. Duvidar não é apenas negar o que existe, mas negar que o que existe seja a única coisa que existe. Negar, assim, é ampliar a visão da realidade. A dúvida que apenas nega é destrutiva. |
| O dogma
é o cansaço da razão.O homem que não duvida, cansou de crescer. A dúvida é a saúde do espírito. Duvida-se, porque se quer mais. Porque se sabe que o que se sabe é provisoriamente necessário e necessariamente provisório. Porque o saber não tem fim. E o provisório não é irreal, enquanto provisório. A dúvida é a fé de que há algo mais além do que se crê e a fé é a dúvida de que todo real é só o que conhecemos. |
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Impossível é ao homem
viver sem convenções, pois lhe é natural o sentido da orientação, de
organização de sua própria realidade. Ele gosta de criar regras e de a
elas se submeter. De elaborar um mundo lógico para se sentir seguro nas
certezas que inventou. |