I.P.P.P. – Trinta Anos
de História (*)
Valter da Rosa Borges
Introdução
A riqueza de uma instituição se alicerça nos fatos que ela gerou e na
preservação destes fatos como conteúdos da entidade histórica em que ela se
transformou. O IPPP faz parte da paisagem científica e cultural de Pernambuco,
não só por tudo o que fez, mas pelo que continua fazendo e pelo que, por
certo, ainda fará em benefício do Estado. Para preservação de sua memória e na
qualidade de seu fundador, resolvi escrever o presente trabalho, de forma
panorâmica e sumária, para o registro dos fatos mais importantes de sua
história.
Fruto do idealismo e da obstinação de seus associados, o IPPP vem
desenvolvendo, desde a sua fundação, um extraordinário trabalho no campo da
fenomenologia paranormal, colocando Pernambuco como um dos mais importantes
pólos do estudo e da investigação parapsicológica brasileira.
Por
isso, por ocasião das comemorações de seus trinta anos, resolvi, neste número
especial do Anuário Brasileiro de Parapsicologia, relembrar sua história que é
a própria história da Parapsicologia em Pernambuco.
Infelizmente, neste ano, sofremos um duro golpe com o falecimento de Ivo Cyro
Caruso e Maria Idalina Correia Umbelino, que, com dedicação e idealismo,
desenvolveram uma intensa e produtiva atividade na nossa instituição.
Fundação
No final do ano
de 1972, reuni um grupo de estudiosos dos fenômenos paranormais e apresentei a
idéia de fundar, no Recife, uma instituição que estudasse e pesquisasse
aqueles fenômenos sob uma óptica estritamente científica. Por entender que o
vocábulo psicobiofísica, criado por Hernani Guimarães Andrade, fundador
do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP. - era
semanticamente mais abrangente do que a palavra parapsicologia, sugeri
o nome Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP - para
designar a nascente instituição, o que foi, de imediato, aceito pelo grupo
fundador. Ficou, de logo, esclarecido que essa designação não importava em
qualquer subordinação ao Instituto fundado e dirigido por Hernani Guimarães
Andrade.
Por minha
sugestão, escolheu-se o dia 1º de janeiro de 1973 como a data simbólica da
fundação do Instituto, por significar o ideal de confraternização universal de
todos os povos.
Embora fundado em
1973, o IPPP só adquiriu personalidade jurídica no ano seguinte, conforme
consta do Livro A, no 27, no de Ordem
2073, de 23.12.1974, no 1o Cartório de Títulos e Documentos
da Capital.
Assinaram a ata
de fundação Valter Rodrigues da Rosa Borges, Aécio Campello de Souza, Amílcar
Dória Matos, Walter Wanderley Barros, Humberto Costa Vasconcelos, João de
Vasconcelos Sobrinho, Sebastião Ramalho da Silva, José Nilton dos Santos, José
Macedo de Arruda e Enoch Burgos.
Dos sócios
fundadores, alguns já morreram e outros se afastaram por motivo de idade ou
dedicação a outras atividades. Sou, assim, o único fundador que permanece, em
plena atividade, na instituição.
Na sua jornada de três décadas, o IPPP teve várias sedes, estando
atualmente localizado na Avenida do Forte, 444, bairro do Cordeiro, na cidade
do Recife, capital do Estado de Pernambuco.
Conquistas
O Poder Legislativo pernambucano reconheceu o trabalho do IPPP no
campo da Parapsicologia e o declarou de utilidade pública pela Lei Estadual nº
9714, de 03 de outubro de
1985 e também de utilidade pública
municipal pela Lei Municipal nº
14.840, de 14 de janeiro de 1986.
Como conseqüência das atividades do Instituto e por emenda do deputado Geraldo
Barbosa, a Constituição de Pernambuco, promulgada em 5 de outubro de 1989,
determinou, no seu Artigo 174, que o Estado e os Municípios, diretamente ou
através do auxílio de entidades privadas, prestassem assistência social às
pessoas dotadas de aptidão paranormal.
Em 24 de julho de 1993, o IPPP, por minha
sugestão, criou o Dia Nacional do Parapsicólogo em 29 de julho, com fundamento
na data da realização do I Congresso Internacional de Parapsicologia, em
Utrech, na Holanda, no período de 29 de julho a 4 de agosto, no qual foi
adotado o nome de Parapsicologia para a nova ciência. E, em 12 de agosto deste
ano, o deputado José Siqueira apresentou, na Assembléia Legislativa de
Pernambuco, o Requerimento nº 2.420, para constar da Ata dos trabalhos
legislativos um voto de aplausos aos parapsicólogos pernambucanos pela
passagem de seu dia.
Ainda neste ano, no dia 6 de outubro, o IPPP
recebeu um ofício da Universidade de São Francisco de Assis, assinado por seu
diretor, Frei Konrad Lindmeier, no qual apresentou parabéns e congratulações
pela instituição do “Dia do Parapsicólogo”, declarando que aquela instituição
universitária também passará “a comemorar a grande data que homenageia o
parapsicólogo”.
A Parapsicologia na TV
No dia
7 de outubro de 1973, no horário das 18;30 às 19 horas, iniciei a produção e
apresentação na TV Universitária Canal 11, da Universidade Federal de
Pernambuco, do primeiro programa de Parapsicologia, no Brasil, intitulado “A
Ciência do Espírito” com o intuito de atrair a atenção do público para a
Parapsicologia, como uma explicação científica dos fenômenos ditos espirituais
e mediúnicos. O êxito do empreendimento levou o Diretor daquela TV, Dr.
Francisco Dario Mendes Rocha (hoje Desembargador do Tribunal de Justiça de
Pernambuco) a remeter ofício (184/74, de 18.12.74) aos Diretores do I.P.P.P.
nos seguintes termos:
Senhores
Diretores:
Estamos, pelo presente, apresentando a V.Sas. as nossas congratulações pelo
êxito do programa “A CIÊNCIA DO ESPÍRITO”, produzido e apresentado pelo
Presidente deste Instituto, Dr. Valter da Rosa Borges, promotor público da
Capital.
O
curso de Parapsicologia, que vem sendo ministrado no aludido programa, tem
alcançado um alto índice de conteúdo cultural e pedagógico, o que o situa
entre os melhores, na faixa educativa, da televisão de nosso Estado.
Esperando continuar contando com os auspícios desse Instituto, na produção de
cursos regulares de Parapsicologia, nesta Televisão, aproveitamos o ensejo
para apresentar a V.Sas. os nossos protestos de estima e elevada
consideração.
Atenciosamente,
Francisco Dario M. da Rocha
Diretor
Nesse
mesmo ano, a revista Estudos Psíquicos de Portugal divulgou uma nota
elogiosa sobre o referido programa.
Em
1974, obtido o meu objetivo, substituí o programa “A Ciência do Espírito” pelo
Curso Básico de Parapsicologia, na TV Universitária Canal 11, com duração de
60 minutos. Foi a primeira tentativa de estabelecer a diferença entre
Parapsicologia e Espiritismo e de denunciar a utilização da fenomenologia
paranormal ou psi como arena de conflito entre as religiões.
Atendimento
Em 1974, o Instituto iniciou o atendimento
gratuito a pessoas que procuram seus serviços, alegando estar passando por
experiências paranormais. Essa atividade, nos primeiros anos, foi intensa,
porque muitas pessoas ainda confundiam Parapsicologia com Espiritismo e
procuravam o IPPP para “desenvolver” sua mediunidade ou alegar problemas de
“obsessão espiritual”. Foi um período trabalhoso, porém muito fértil, porque a
nossa equipe teve a oportunidade de realizar testes e pesquisas com os
pretensos “médiuns” e “obsidiados”.
Com o trabalho que fizemos de conscientização do
público pernambucano a respeito das diferenças entre Parapsicologia e
Espiritismo, esse movimento caiu bastante e, atualmente, o IPPP só é procurado
por pessoas razoavelmente informadas sobre questões parapsicológicas.
Instrumentação de
pesquisa
Em 1976, sob a direção de Aécio Campello de Souza
a equipe do Instituto montou uma máquina kirlian, de conformidade com o
esquema elétrico que nos foi gentilmente enviado, dois anos antes, por Hernani
Guimarães Andrade, recentemente falecido.
Conquanto despertasse inicialmente o interesse dos parapsicólogos,
de logo se observou que a kirliangrafia era irrelevante na investigação dos
fenômenos paranormais.
Em 1978, Ivo Cyro Caruso montou um modesto
laboratório, constituído de uma aparelhagem simples e alguns dispositivos
eletrônicos, entre os quais pêndulos de diversos modelos, "dual-rod",
bússolas, baralhos Zener, dados, psicômetro (25 tubos contendo cada um metal e
uma esfera de madeira como testemunho do metal contido no tubo, sendo 5 metais
diferentes distribuídos aleatoriamente), pirâmides de mármore e de vidro, ímãs
fortes etc.
Ivo Caruso elaborou esquemas de aparelhos de
pesquisa e, sob sua orientação, foram montados dispositivos eletrônicos, tais
como metrônomos, eletroscópio à válvula, eletroscópio transistorizado,
detector de ondas alfa (faixa de 10 a 11 Hz de operação), detector acupontos
(pontos de acupuntura), dado eletrônico, seqüencial aleatório de 1 a 6 (tipo
painel), detector de campo eletromagnético, medidor de resistência de pele
(que é utilizado em experimentos com plantas), gerador de ruído branco,
gerador de barras (a acoplar a TV para acompanhar variações da resistência da
pele etc.). Caruso montou alguns desses instrumentos de pesquisa com a
colaboração de José Renato Barros. Todo esse material se encontra
minuciosamente descrito no “Manual do I.P.P.P.”
O Instituto se desfez da quase totalidade
daqueles equipamentos e está tentando angariar recursos para a instalação de
um laboratório moderno e com aparelhagem compatível com as suas necessidades
de pesquisa.
Experimentos em laboratório
As primeiras sessões experimentais do IPPP foram no campo da
transcomunicação instrumental (TCI), em 1975, com resultados insatisfatórios.
Em 1992, uma nova pesquisa redundou em fracasso. Finalmente, em 2002,
resolvemos retomar as experiências e, embora, desta vez, tenhamos obtido
alguns êxitos, eles são ainda insatisfatórios.
Criei, em 1979, um teste intitulado
Psi-Gestalt, no qual o experimentador distribuía as 25 cartas do baralho
Zener em um quadro de 5 colunas, contendo cada qual 5 cartas, ou mesmo numa só
coluna, vertical ou horizontal. Em seguida, o pesquisado procurava adivinhar,
de uma só vez, todas as cartas assim distribuídas. Os testes realizados com
essa nova técnica, usando-se a telepatia ou a clarividência, revelaram que os
seus resultados, quanto ao índice estatístico, em nada diferiam daqueles
esperados pelo método Zener tradicional.
A diferença básica entre a Psi-Gestalt e o método
Zener tradicional é que, neste, as cartas são lançadas sucessivamente e,
naquele, as cartas são enviadas simultaneamente ao pesquisado, seja numa
experiência de telepatia seja de clarividência.
Outra diferença é que nos testes de Psi-Gestalt
não há que se falar em carta-alvo, eliminando-se, por conseguinte, a
possibilidade do efeito de deslocamento.
A vantagem da Psi-Gestalt é a sua rapidez, pois
muitos testes podem ser feitos num menor espaço de tempo, sem fatigar demais o
pesquisado, diminuindo a incidência do efeito de declínio.
As primeiras experiências demonstraram que a
Psi-Gestalt é mais atrativa e lúdica do que o teste Zener tradicional,
mantendo, assim, por tempo maior, a motivação dos pesquisados pela pesquisa.
Em uma variante do experimento Psi-Gestalt, a
Psi-Gestalt em carta preferida, o pesquisado, após declarar sua figura
preferida, procura indicar onde se encontram as cinco cartas que a contêm no
meio das demais.
Idealizei ainda um experimento que denominei de
Teste de seleção de padrões psíquicos semelhantes para selecionar
pessoas que apresentavam tendência de escolhas coincidentes ou padrões
psíquicos semelhantes.
Os participantes, isoladamente, desenhavam os
signos Zener, formando 5 colunas com 5 cartas cada uma, ou apenas uma coluna
vertical ou horizontal. Em seguida, os testes eram recolhidos a fim de se
averiguar as coincidências na distribuição dos signos nas colunas entre os
participantes.
A repetição dos testes determinava quais as
pessoas que entre si apresentavam maior número de coincidências.
Os resultados do experimento foram bastante
animadores.
Finalmente, criei um teste denominado
telepatia cruzada, partindo da pressuposição de que as pessoas podem
influenciar-se reciprocamente numa experiência telepática. Concebi, por isso,
um experimento no qual duas pessoas, em salas separadas e sem qualquer
possibilidade de comunicação física entre elas, tentam, não só perceber o que
a outra está sentindo, mas também lhe transmitir as suas sensações e
pensamentos. Tudo isso era devidamente anotado por ambas. A experiência tinha
a duração máxima de quinze minutos e, ao seu término, as anotações eram
cotejadas entre si a fim de se detectar as suas convergências. Infelizmente, a
experiência não foi satisfatoriamente utilizada.
No ano de 1981, concebi um experimento de sondagem do
inconsciente, a que dei o nome de prospecção psi, com o intuito de
liberar o poder criativo da mente humana. Para isso, utilizando um processo
sugestivo, procurava situar o psiquismo da pessoa pesquisada em situações
tempo-espaciais preestabelecidas, seja no passado ou no futuro, estimulando-a
a improvisar soluções à guisa de exercício de sua capacidade criativa. Nos
processos de retrocognição e precognição experimental, ela era induzida a
regredir ou a progredir no tempo em busca de civilizações passadas ou futuras.
Em outra modalidade desse experimento, o pesquisado era induzido a
se deslocar psiquicamente para dimensões imaginárias, realizando “viagens” de
inspeção em outros mundos físicos ou extrafísicos.
As pessoas submetidas à experimentação não demonstraram, no
entanto, uma capacidade criativa acima do seu desempenho intelectual
consciente.
O reforço do sinal telepático foi um experimento
tinha por finalidade melhorar o sinal telepático pela colaboração de duas ou
mais pessoas, junto ao telepata emissor, na transmissão de cada uma das cartas
Zener.
No final de uma série de experiências, era
confrontada a média obtida pelo receptor no teste Zener comum com a média
obtida por ele no experimento com reforço grupal.
As experiências realizadas foram, porém, de pouca
significação.
Como adaptação de um experimento originariamente
qualitativo, conhecido por teste da cadeira vazia e inventado pelo Dr.
Eugene Osty, inventei o teste da cadeira ocupada o qual é testável pelo
método quantitativo-estatístico-matemático.
O experimento consiste em substituir as cinco cartas do baralho
Zener por cinco pessoas, as quais, aleatoriamente, sentar-se-ão numa
determinada cadeira.
Cada pessoa corresponde a uma carta e se senta na cadeira à medida
que sua carta é retirada do baralho. Cada experiência, portanto, consta de 25
tentativas.
Sempre que possível, os participantes do experimento deverão ser
conhecidos do pesquisado e este, previamente, indicará com qual daqueles
parece afinar-se melhor.
O pesquisado fica em outro aposento, à porta fechada,
convencionando-se um sinal, preferentemente luminoso, para que ele tome
conhecimento de que a cadeira já se encontra ocupada por uma das cinco
pessoas. Também através de sinal luminoso, ele comunica ao experimentador que
já escreveu, no papel do teste, o nome da pessoa que imagina estar sentada na
cadeira.
Nesse teste, não há preocupação de se estabelecer distinção entre
telepatia e clarividência, admitindo-se a possibilidade de convergência dos
dois fenômenos.
A sua grande vantagem consiste na substituição de símbolos,
emocionalmente inertes, por pessoas, o que, possivelmente, aumentará o índice
de acertos do pesquisado. Assim, em vez de uma só pessoa - o pesquisado -
envolvida no experimento, haverá também a participação emocional das outras
que, aleatoriamente, sentar-se-ão na cadeira. Cada uma, por certo, "torce"
para que o pesquisado acerte, quando ela estiver sentada na cadeira.
As experiências até agora realizadas demonstram que o teste da
cadeira ocupada apresenta melhores resultados do que aqueles obtidos com o
baralho Zener.
Aderbal Pacheco e Geraldo Fonseca Lima, durante
algum tempo, utilizaram a hipnose como facilitador do fenômeno psi.
Aderbal dirigiu sessões experimentais de
“chanelling” e sempre demonstrou grande habilidade em lidar com as
personificações subjetivas. Essas reuniões se estenderam de agosto de 1981 a
fevereiro de 1983 com voluntários que se prestaram a ser objeto do
experimento.
Ivo Caruso realizava sessões de meditação,
utilizando também um aparelho de sua fabricação para servir de indutor, o
qual, pelas suas características sonoras, foi denominado afetuosamente de
“galinha choca”.
Discutiu-se e pesquisou-se a chamada “energia da forma”,
utilizando-se dos mais diversos tipos de pirâmide.
De 1983 a 1990, Caruso, então Diretor do
Departamento Científico, elaborou várias minutas de testes estatísticos e
procedimentos experimentais.
Foram também realizados diversos testes de radiestesia,
principalmente com a colaboração do Dr. Alberto Reitler, experiente
psicômetra, que apresentou ao Instituto, como fruto de vários anos de
pesquisa, o mapa radiestésico do Estado de Pernambuco.
Em 1984, a equipe do IPPP examinou as técnicas de terapia de vidas
passadas, inventada pelo Dr. Neterton e trazida ao Brasil por Ney Prieto Peres
e sua esposa, Maria Júlia Prieto Peres. O nosso interesse era investigar até
que ponto esta terapia regressiva facilitaria a criatividade psi, mesmo como
procedimento compensatório de problemas existenciais. Os resultados iniciais,
porém, não foram suficientes para motivar a continuidade da investigação.
Em 1989, Ronaldo Dantas Lins Filgueira reformulou o baralho Zener,
baseado no desvio topológico efetuado pelo psiquismo e propôs o uso do baralho
IPPP em que as figuras do quadrado e da estrela do baralho Zener
foram substituídas pela interrogação e pelo símbolo do infinito.
Este novo baralho vem sendo utilizado, conjuntamente com as cartas Zener, nas
nossas atividades experimentais.
Em 1994, Isa Wanessa Rocha Lima comandou uma pesquisa, com a
equipe do IPPP, investigando a psicopictografia de Jacques Andrade.
De 1995 a 1996, Erivam Félix Vieira, sua esposa Maria Ferreira
Félix Vieira e Rosa Maria Bezerra fizeram experimentos de visão à distância
com Ana Cláudia de Albuquerque Lopes com resultados satisfatórios.
De 2001 a 2002, Jalmir Brelaz de Castro e Naun Kreiman realizaram
experimentos de visão remota Recife-Buenos Aires, com Simone Wanderley de
Freitas, na condição de receptora, cujos resultados foram satisfatórios.
Kreiman fez comentários sobre o experimento na Revista Internacional de
Parapsicología, Cuadernos de Parapsicología, nº 36, de 2 de junho de 2003.
Publicações
O IPPP iniciou a sua fase de publicação
científica com o lançamento do meu livro Introdução ao Paranormal, no
dia 29 de julho de 1976, às 20h, no auditório da TV Universitária Canal 11, do
Núcleo de Televisão e Rádio da Universidade Federal de Pernambuco, presidida
pelo Reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Prof. Paulo Maciel, que
presidiu a solenidade e, em seu discurso, destacou a importância da publicação
para a compreensão da Parapsicologia no meio acadêmico.
A repercussão do livro foi das melhores, e, no ano seguinte,
mediante ofício, assinado por Janet M.Biggs, a Library of Congress Office,
Brazil, solicitou-me o envio do Introdução ao Paranormal à sede da
Biblioteca em Washington.
O escritor
Amílcar Dória Matos (hoje membro da Academia Pernambucana de Letras) escreveu
no Jornal da Cidade, na sua edição de 14 a 20 de setembro de 1976, sob
o título “Uma Lição de Normalidade”, o seguinte artigo:
“Livros como
Introdução ao Paranormal, de Valter da Rosa Borges (edição do Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas), deixam a gente pensando em muita
coisa. Será que ainda engatinhamos no caminho do entendimento da nossa
verdadeira dimensão, ignorantes dos segredos da nossa mente e, ao que tudo
indica, do nosso espírito imortal? Será que andamos muito convencidos da nossa
individualidade, do nosso discernimento, da nossa cultura e sabedoria, quando
na verdade deveríamos concluir, como Pound, que não passamos de pretensiosos
ignorantes?
O Autor nos
conduz didaticamente, sem alardes nem pressas, pelas sinuosidades de um mundo
novo que, até há pouco tempo, era objeto de remoque e zombaria, mas que começa
a atrair a atenção dos cientistas do mundo inteiro, em especial dos estudiosos
da natureza humana - o da Paranormalidade. O homem parece estar sempre em
guarda contra os segredos escondidos dentro de si mesmo, julgando e agindo na
conformidade dos seus sentidos, dos seus “consagrados” sentidos. Então sempre
houve uma propensão a atribuir a “artes do demônio”, fenômenos que, à luz da
inteligência, deveriam estar sendo, há muito, pesquisados com a mesma
seriedade com que se estudaram e se estudam, por exemplo, as dores de dentes.
Sucede que os dentes não fogem à percepção sensorial, enquanto certos
“fluidos”, “energias” ou mesmo ostensivas manifestações escapam à suposta
racionalidade. E isso é profundamente humilhante para o homem.
Mas, de tanto se
repetirem, os fenômenos se impõem. E vêm bater a nossa porta com a força de
uma nova mensagem, despertando-nos de superstições e temores. Como estamos num
século em que se pretende fazer desabar a multidão de tabus que já não fazem
sentido, as pessoas “sérias” começam a abrir a porta. Os muitos princípios
filosóficos, científicos e/ou religiosos, até há pouco olhados de esguelha,
passam a ser melhor analisados, com exaltação ou repúdio, total ou parcial, o
que é bom para esses próprios movimentos ou seitas, nos quais também se
escondem extremismos e ortodoxias nefastas. O Espiritismo e a Teosofia, para
citar apenas dois exemplos, são objeto de melhor atenção. Retornamos ao
Oriente, quais novos Marcos Pólos, pelas mãos do Budismo, do Taoísmo, do
Zen—ao estudo do qual o admirável Thomas Merton, monge trapista, destinou
valiosas páginas antes de encantar‑se em Bangcoc. Até que a Parapsicologia
virou moda, talvez nem sempre separando bem os campos ocupados por uma
multidão heterogênea de ramos científicos, seitas religiosas, artes circenses,
fanatismos e fetiches.
É num momento
assim que o livro de Valter da Rosa Borges nos introduz ao Paranormal, com a
paciência de mestre de aldeia que tem a cultura dos freqüentadores das
metrópoles do saber. Como quem pisa muito de leve em chão de tapete, Valter
caminha anos a frente com firmeza e vigor nas linhas, entrelinhas, meandros e
labirintos de sua obra, tão carinhosa e meticulosamente construída. Donde
enfatizar sua preocupação eminentemente didática, “com o propósito de orientar
os interessados no território da fenomenologia paranormal, valendo-nos.
algumas vezes, de esquemas pessoais, fruto de nossa experiência de mais de
vinte anos no trato de tais problemas”.
Essas
experiências, como nós as conhecemos... Às vezes de longe, às vezes de perto,
às vezes plenamente “por dentro”, vimos acompanhando as passadas desse ainda
jovem pesquisador, que deposita ante os nossos olhos e a nossa consciência um
trabalho pioneiro. Pioneiro, em vários sentidos. Não consta haver, no campo da
Paranormalidade, um ABC que nos propicie uma apresentação ampla e, ao mesmo
passo, acessível. Tampouco não consta existir obra de fôlego como essa, em que
a preocupação primeira do Autor, longe de ser com ele mesmo e suas idéias, é
sobretudo com o leitor e suas perplexidades. Cuidamos também não existir no
mercado livreiro trabalho que verse temas tão escorregadios, tão aptos a ferir
melindres de conversos, convictos e sábios, sem que ao cabo se ergam
barricadas heréticas e gritos de revolta. Valter vai caminhando tranqüilo,
equilibrado, inabalável por esses tortuosos caminhos. Porque seu compromisso é
com a verdade. E não se pergunte o que é a verdade ou onde ela se esconde—os
fatos ou os pseudofatos tecem a teia de sua estrutura, embora só a vejam os
que têm olhos de ver.
Qual tupiniquim
Krishnamurti, Valter não se assume rótulos. Seu livro é uma introdução,
didática, relativamente simples, deve ter suas falhas por ser humano (humaníssimo)
como o Autor, deve deixar descontentes alguns iniciados, que foram nele
porventura procurar revolucionárias novidades. Mas cumpre sua finalidade.
Porque é o próprio Valter Rosa Borges quem diz: O importante é prosseguir.”
Em
setembro de 1977, o Boletín del Circulo de Estudios Progreso Espírita,
de Buenos Aires, Argentina, publicou o seguinte artigo assinado por Natalio
Ceccarini:
“Realmente un excelente trabajo es el libro entregado por el Prof. Da Rosa
Borges. Escrito con una claridad poco acostumbrada en obras de esta naturaleza,
ofrece a todo estudioso del maravilloso mundo de lo paranormal, los elementos
necesaríos y la información acabada y puesta al día, para habilitarlo e
introducirlo en tan rico campo de experimentación.
De
modo didáctico -como cabe aun buen profesor - enseña sobre los diversos
fenómenos que conforman la dimensión paranormal, en sus fases espirítica y
parapsicológica.
Una extensa y bien seleccionada bibliografía refuerza cada uno de los acápites
en que esta dividida la obra, como los cinco capítulos están debidamente
ensamblados, rematando com el último que trata de las hipótesis elaboradas
para explicar los fundamentales hechos que en presente, vertebran toda una
disciplina científica paranormal.
Es
de señalar entre la bibliografía utilizada, se encuentran casi la totalidad de
los autores e investigadores espiritistas, y no, como ocurre con la mayoría de
las obras de Parapsicología, Psicobiofísica, y Psicología Supranormal, en que
se omiten deliberadamente a tales autores, evitando al máximo, toda referencia
al fenomenismo espírita.
No
caben sino felicitaciones para el Dr Walter Da Rosa Borges por este
interesante, científico, y didáctico libro que nos ofrece, y esperar encuentre
editor para su versión al castellano. De no ser, queda privado el mundo
hispano-parlante de un valioso aporte en el estudio y comprensión de ese mundo
extrafísico, que pone en evidencia la naturaleza profunda del ser y las
potencialidades de que dispone para la provocación de hechos, que sólo son
explicables ya, más allá de los sentidos materiales y de los límites de todo
tiempo y espacio.
Oportuno y notable el libro que sinceramente, recomendamos.”
O Prof. Luciano Marinho, com o
título do próprio livro Introdução ao Paranormal, escreveu, no
Diário de Pernambuco, no dia 30 de maio de 1978, o seguinte artigo:
“Há
indagações, especialmente de natureza filosófica, entre as de religião e
ciência, que angustiam o espírito humano. São questionamentos que se
multiplicam através dos tempos e das culturas, nas variações mais díspares do
pensamento. Os sentidos metafísico e cosmológico já se interpenetram, se
relacionam e se completam.
Há,
por outro lado, múltiplas respostas. São progressivas, não obstante, as
dúvidas do homem, na medida em que novas hipóteses são formuladas. A solução
de problemas acarreta novos problemas.
As
perspectivas do conhecimento não são mais codificadas com facilidade. Uma
ciência qualquer não pode ser estudada em toda sua extensão, a não ser
subdividida em especialidades. A especialidade da especialidade se impõe haja
vista o ecletismo científico ser uma ilusão. Diz-se, a priori, que isto é mau.
Maritain advertiu dos perigos da especialização absoluta. A formação
filosófica, religiosa, científica, artística, lingüística, na sua integridade,
é boa e vital. Não é mais possível, todavia. A conseqüência mais imediata
disso é que o homem se despersonaliza. O “eu” se afoga em um “nós” amórfico,
se não apocalíptico.
O
ecletismo é gerador de ambivalências.
Acompanho com interesse o estudo e o trabalho, a pesquisa e a reflexão de
quem se dedica sistematicamente a uma tarefa específica. Esta exclusividade
pertence a uma minoria. A procura de grandes respostas estabelece a dimensão e
a programação de trabalhos exaustivos, em oposição àquilo que Antônio Houaiss
designara - a propósito de certos estudos literários - “ensaísmo
circunstancial”.
Um
desses pesquisadores mais sérios e honestos revelou-se o Dr. Valter da Rosa
Borges, ao escrever o livro “Introdução ao Paranormal”, editado pelo Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.
Uma
vez que se trata de uma obra científica, a isenção de propósitos doutrinários
vem sublinhar o valor do livro. A ciência - e a Parapsicologia é uma ciência -
objetiva dos fatos experimentais, laborterápicos, mecanicistas, sob condições
preformuladas. As intenções doutrinárias, se houvesse, evidenciariam o
proselitismo natural das filosofias religiosas. Dr. Valter Rosa Borges
organizou, didaticamente, um grande número de fenômenos paranormais. Esse
didaticismo admirável, em obras de cunho não-pedagógico, traduz uma formação
filosófica e científica do mais alto grau. Não há que obstar haja um
embasamento complementar religioso: conotações teosóficas, kardequianas, e
assim por diante.
Dir-se-á que a Parapsicologia não é ciência nem mesmo uma subdivisão das
ciências psicanalíticas - e estas já estão contestadas pela Antipsiquiatria,
há algum tempo. O ineditismo estrutural da obra justifica alguma omissão ou
algum excesso.
Um
outro aspecto válido é a bibliografia em que se vêem, dentre tantas, obras de
Jung e Huxley. Importante é a documentação, no relato dos casos, se bem que um
ou outro não venha a induzir tanta veracidade, pelo menos científica. O Dr.
Valter Rosa Borges conseguiu simplificar toda uma nomenclatura, ainda
controvertida e difusa, usando de uma clareza e concisão raríssimas em obras
congêneres.
A
metodologia empregada pelo Dr. Valter Rosa Borges me parece surpreendente, no
plano dos estudos parapsicológicos, nos quais se tem firmado como um dos
grandes pioneiros e introdutores no panorama cultural brasileiro.
Acho,
porém, que o sumário do livro devesse ter sido mais amplo, subdivididos os
itens para identificação de determinados assuntos, numa espécie de índex
remissivo. Do ponto de vista contextual, faço algumas sumárias restrições. A
admissão, p.ex., de que o inconsciente é “uma instância superior ao
consciente”. A praticidade do consciente deve prevalecer sobre a
potencialidade do inconsciente. Ou não?
Mas,
sistematizando uma temática bastante complexa, o Dr. Valter Rosa Borges
teoriza a partir dos conceitos, natureza e classificação dos fenômenos
paranormais: a fenomenologia de Psi-gama, de Psi-kapa, de Criptomnésia,
desenvolvendo do cap. V em diante as “Hipóteses”, em que aborda o problema não
só expositivamente, mas também criticamente.
Há
muito ainda para se dizer.”
Em 1982, o I.P.P.P. publicou duas apostilas: Curso Básico de
Parapsicologia, de minha autoria e Parapsicologia Experimental, de
Ivo Cyro Caruso.
Em 1985, foi editado o primeiro número do Boletim do I.P.P.P.
No ano seguinte, no dia 26 de setembro, eu e Ivo Cyro Caruso
fizemos o lançamento do nosso livro Parapsicologia: um Novo Modelo (e
outras Teses), na Galeria Metropolitana Aloísio Magalhães, na rua da
Aurora, bairro da Boa Vista.
Em 1992, publiquei o livro Manual de Parapsicologia, com o
propósito de servir de referencial pedagógico para o Curso de Pós-Graduação em
Parapsicologia, iniciado pelo Instituto em 1988.
A partir de 1994, outros parapsicólogos do IPPP começaram a
publicar seus livros, aumentando a nossa produção científica. José Roberto de
Melo fez o lançamento do livro A Paranormalidade do Cotidiano, Erivam
Félix Vieira, A Feitiçaria: Aspectos Psigâmicos de um Problema Social,
e Isa Wanessa Rocha Lima, A Interpretação do Poltergeist como Mecanismo de
Defesa Paranormal.
Em 1995, Ronaldo Dantas Lins Filgueira publicou Curas por Meios
Paranormais: Realidade ou Fantasia? E Terezinha de Acioli Lins de Lima
Precognição: Incidência Maior Através do Sonho - Uma Abordagem Empírica.
Em 1996, minha filha Márcia da Rosa Borges fez o
lançamento do seu livro Personificação: Uma Forma de Expressão do Fenômeno
Paranormal, Maria da Salete Rêgo Barros de Melo, Interações
Mente-Organismos-Ambiente, Silvino Alves da Silva Neto, Paranormalidade
& Doença Mental - O Fenômeno Paranormal como Causa e Sintoma de Distúrbios
Psíquicos, e José Roberto de Melo, Parafuso, o Gato Telepata, dando
uma visão acessível ao público leigo, sob forma de ficção, daquele fenômeno
paranormal.
Em 1997, antes da abertura do I Congresso Internacional e
Brasileiro de Parapsicologia, no Mar Hotel, em Boa Viagem, Erivam Félix
Vieira fez o lançamento do livro Paranormalidade e Cultura: Uma Perspectiva
Histórico-Social, e Aderbal Pacheco do livro Percepção Extra-Sensorial.
Em 2000, Ronaldo Dantas Lins publicou Teoria Parapsicológica
Geral (E outros Ensaios), e Renato Barros e Wanessa Lima editaram o livro
O Poltergeist de Beberibe, cujo fenômeno foi por eles investigado.
Em 200l, lancei o livro Fenomenologia das Aparições, que
integrou as homenagens do centenário de nascimento de Gilberto Freire e em
razão de seu livro Assombrações do Recife Antigo
Em 2002, Terezinha Acioli Lins publicou Estudos em
Parapsicologia, Erivam Félix Vieira, Fundamentos Culturais da
Sobrevivência Pós-Morte, e Ivo Cyro Caruso, A Parapsicologia e seus
Problemas.
Quase todos esses livros foram lançados na sede do IPPP.
Em 1996, o Instituto passou a publicar o
Anuário Brasileiro de Parapsicologia, com a finalidade de divulgar a
produção científica dos parapsicólogos brasileiros e de outros países.
O
parapsicólogo Wellington Zangari, na Revista Argentina de Psicología
Paranormal, Volume 9, Número 1 (33), de janeiro de 1998, teceu o seguinte
comentário sobre o Anuário:
El
ANUARIO BRASILEIRO DE PARAPSICOLOGÍA es una publicación especializada editada
por el Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas (IPPP), la
institución parapsicológica brasilera que cuenta con el equipo más numeroso de
parapsicólogos, cuya producción es una de las más prolíficas de América
Latina. El esfuerzo en publicar la serie Anuario debe ser recibida como una de
las más importantes realizaciones en el área de la literatura parapsicológica
publicada en Brasil.
Pesquisas
com agentes psi
Muitas foram as pessoas que procuraram (e ainda
procuram) o I.P.P.P., alegando ser dotadas de aptidões paranormais. A quase
totalidade apresentava um quadro psicológico bem evidente de distúrbios
emocionais. Outras, com visível intuito de autopromoção. E, finalmente, uma
pequena parcela revelava uma sintomatologia sugestivamente paranormal, entre
eles Manoel Rabelo Pereira, mais conhecido por “Eli” (hoje, “Pai Eli” e
"Imperador do Candomblé do Brasil”), José Macedo de Arruda, conhecido por
“Irmão Macedo” e que faleceu em 1996, Mônica Alecrim, Edson Queiroz, cuja
investigação foi obstaculizada pela Federação Espírita de Pernambuco, gerando
uma grande polêmica na imprensa recifense, Ana Cláudia de Albuquerque Lopes
e Jacques Andrade.
Apoio aos paranormais
Em 29 de setembro
de 1986, a Câmara Municipal do Recife aprovou o Requerimento, no
1747, de 18 de setembro de 1986, do Vereador Arquimedes Lacerda, para que se
fizesse um apelo ao Prefeito da Cidade do Recife para implantar nesta cidade o
projeto de assistência educacional ao superdotado e ao paranormal, concebido
pelo Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.
O Diário de
Pernambuco, de 17 de dezembro de 1989, divulgou matéria sobre os direitos
do paranormal na Constituição de Pernambuco e o Jornal do Commercio, de
22 de dezembro, entrevistou-me sobre os projetos do Instituto de ampliar sua
assistência aos paranormais, agora com o amparo da norma
constitucional.
Sob o título
“Paranormais invadem a Constituição”, a Folha de Pernambuco, na edição
de 7 de janeiro de 1990, publicou extensa matéria referente às atividades do
IPPP e à Constituição do Estado de Pernambuco que estendeu aos paranormais os
benefícios da assistência social. E, no dia 16 de agosto, a Folha de
Pernambuco ressaltou a assistência que os parapsicólogos de Pernambuco vêm
dando aos paranormais.
A
Assembléia Legislativa de Pernambuco aprovou a Indicação no
4.239, de 12 de setembro de 1990, do Deputado Geraldo Barbosa, no sentido de
que fosse formulado apelo ao Exmo. Ministro da Ação Social, Margarida Procópio
para que se dê atenção especial ao Programa de Assistência Social aos
Paranormais, desenvolvido pelos parapsicólogos pernambucanos, bem como a
liberação de recursos para os municípios a fim de ampliar o referido pro-grama.
Nada, porém, resultou de concreto, valendo apenas a intenção.
Parapsicólogos como agentes psi
Nas
minhas andanças pelo mundo da psi, também passei por experiências
parapsicológicas. Mas, em Pernambuco, não fui o único que se viu na situação
de agente psi. Outros parapsicólogos do IPPP também tiveram as mesmas
experiências e, entre eles, mencionamos Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Jalmir
Freire Brelaz de Castro, Erivam Félix Vieira, Terezinha Acioli Lins, José
Roberto de Melo, Silvino Alves da Silva Neto e Maria da Salete Rego Barros de
Melo.
É
minha intenção publicar, talvez no próximo ano, um livro reunindo essas
experiências, descritas e comentadas pelos próprio parapsicólogos. Talvez essa
seja a razão principal do nosso interesse pela Parapsicologia e pelas pessoas
que nos procuram para relatar estranhos fenômenos que lhes parecem de natureza
paranormal.
Casos
espontâneos
O IPPP investigou no Recife, em Olinda e em
Camaragibe, vários casos de “poltergeist” e constatou a autenticidade da
maioria deles. Em decorrência da solução de um deles, ocorrido com uma
paciente da Casa de Saúde Rei Magos, no bairro das Graças, no Recife, e por
convite daquela instituição, pronunciei uma palestra sobre o atendimento
parapsicológico para um auditório de médicos, psicólogos, psiquiatras e
estudantes da área de saúde.
O mais famoso dos “poltergeist” que investigamos
aconteceu em dezembro de 1985, no apartamento nº 301, do Edifício Paris, na
Avenida Cruz Cabugá, bairro de Santo Amaro, Recife. Durante alguns dias,
garrafas vazias voavam pelo apartamento, caíam na área externa o prédio,
apavorando os seus moradores. Em pânico, a família solicitou, sucessivamente,
o auxílio de um padre, de um pastor, de um médium espírita e de uma mãe de
santo, os quais, apesar de seus esforços, não conseguiram resolver o problema.
O apartamento virou um verdadeiro pandemônio, inclusive com a presença
constante da imprensa, tentando filmar o fenômeno. As emissoras de rádios e de
televisão exploravam o assunto, como sempre de maneira sensacionalista,
aumentando, ainda mais, a aflição da família, atormentada ainda pelas
explicações sobrenaturalistas dos religiosos.
Convidado pela Dra. Léa Correia, então presidente
do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, aceitei tratar do caso, atendendo a
solicitação que lhe foi feita pela família e, no dia seguinte, fui em
companhia de Selma Rosa Borges, ao apartamento “mal-assombrado” e, depois de
examinarmos minuciosamente o local, entrevistamos as Sras. Lúcia Jacelli e sua
irmã, Antônia. Descobrimos, então, que o agente do fenômeno era uma garota de
12 anos e que trabalhava como empregada doméstica no referido apartamento.
Enquanto falávamos com a garota, uma garrafa vazia voou da cozinha do
apartamento até a sala, espatifando-se de encontro à parede.
A família seguiu as nossas orientações e, uma
semana depois, o “poltergeist” cessou definitivamente. Entusiasmadas pelo
final feliz, Lúcia Jacelli e sua irmã Antônia, pouco depois do evento, fizeram
um Curso Básico de Parapsicologia no IPPP.
O consagrado jornalista e escritor Nilo Pereira, membro da
Academia Pernambucana de Letras, na sua coluna “Notas Avulsas”, do Diário
de Pernambuco, de 29 de dezembro de 1985, em seu artigo “Assombração”,
assim comentou jocosamente o caso:
Noticiam os jornais que há assombrações num certo edifício, à
avenida Cruz Cabugá.
Vidros quebrados, garrafas pelo ar numa dança macabra, objetos
jogados à grande distância. Não faltou a bênção do apartamento, onde os
fenômenos ocorrem.
Só havia uma solução: chamar um especialista para estudar o caso.
O especialista só podia ser o Walter da Rosa Borges cujo renome lhe é
assegurado pelos livros publicados e pela experiência no ramo.
Logo o Walter classifica o fenômeno como Psicocinésia. Que quer
dizer isso? A Psicocinésia Espontânea Recorrente – tal como chama o
especialista – é precisamente o que acontece no edifício Paris, centro de
interesse científico de estudos ligados à matéria.
Antigamente, isso era mais simples. Chamava-se assombração.
Fechava-se a casa mal assombrada. E ninguém ousava enfrentar fantasmas. Mas
tudo mudou. Falar em fantasmas é uma banalidade. É preciso que o fenômeno, à
semelhança de certas doenças, tenha um nome complicado.
Os fantasmas, desde Shakespeare com os seus castelos mal-afamados,
vinham de fora. Hoje – pasme o leitor – estão lá dentro e são pessoas
residentes no lugar da assombração. Tal a conclusão a que chegou o Walter da
Rosa Borges, cuja palavra autorizada não pode ser contestada.
Que é uma garrafa estilhaçada? Uma vidraça feita em pedaços? Uma
janela que se abre numa ventania descompassada? Tu, leitor, não te espantes
mais de nada. É psicocinésico o espetáculo. Morou?
A partir de agora, caros amigos, quando ocorrer uma assombração na
sua rua, pergunte:
- Quem é o fantasma aqui? Apareça.
Pois que você está falando com ele ou com ela.
É a pessoa que possui uma força extraordinária, chamada telergia, e que, sem
poder conter a propulsão, desanda em coisas inverossímeis.
Está, portanto, tudo explicado. Mas, a mim, um
ignorante de marca maior, restaria uma pergunta: esse “fantasma”, que está
provocando tal balbúrdia, sempre morou nesse apartamento? Por que só agora
rebenta em fúria incontrolável?
Meus amigos e meus inimigos: o ano está
terminando. Vamos varrer de nossas mentes todos os fantasmas.
Cada um de nós – ou quase todos – viveu já a
sua visão ou abusão. Convém apurar quem tem essa força (telergia) capaz de
acionar uma casa toda, deixando-a em polvorosa. Que horror, santo Deus!
Pesquisas de campo
De 1978 a 1985, a equipe do IPPP realizou pesquisas públicas do
fenômeno paranormal no Recife, em hospitais e universidades. Foram
entrevistados médicos e enfermeiras, assim como estudantes universitários da
Faculdade de Direito e da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade
Federal de Pernambuco; da Escola Politécnica, pertencente à Fundação do Ensino
Superior de Pernambuco, hoje, Universidade de Pernambuco; da Faculdade de
Ciências Humanas de Olinda e da Faculdade de Direito da Universidade Católica
de Pernambuco.
Nos meses de abril e maio de 1993, Jalmir
Freire Brelaz de Castro, então Diretor do Departamento Científico do IPPP
efetuou pesquisa sobre Experiências Fora do Corpo com Estudantes
Universitários no Brasil. Foram entrevistados 250 universitários dos cursos
de Letras e Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco e de Ciência da
Computação da Universidade Federal de Pernambuco, sendo constatado que 12,4%
afirmaram já ter passado por esse tipo de experiências. Desses 78,6% repetiram
a experiência e 60% não a consideraram, existencialmente, importante. Não
houve diferenças significativas entre os alunos de ciências humanas e de
tecnologia. Os resultados desse trabalho foram publicados em 1996 e 1997, nos
seguintes fóruns: a) Primer Encuentro Iberoamericano de Parapsicologia -II
Encontro Psi, em Buenos Aires, Argentina, de 15 a 17 de novembro de 1996; b)
40a Convenção da Parapsychological Association, realizada em
conjunto com Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, em Brighton,
Inglaterra de 7 a 10 de agosto de 1997.
Em 1997, Jalmir Freire Brelaz de Castro, efetuou
pesquisa sobre Crença na Paranormalidade e os Fenômenos Psi com
Estudantes Universitários no Brasil em 363 estudantes universitários dos
cursos de ciências biológicas e ciências da computação. Os resultados
indicaram que 77% dos estudantes acreditavam na paranormalidade e 21%
informaram que já passaram por experiências paranormais. Esses resultados
foram apresentados no I Congresso Internacional e Brasileiro de
Parapsicologia, realizado no Recife, de 31 de outubro a 02 de novembro de
1997.
De 1992 a 1996, Erivam Félix Vieira colheu
depoimento de pessoas que passaram por experiências paranormais nas cidades do
Recife, Vitória de Santo Antão e Palmares. Atualmente, ele vem fazendo
pesquisas parapsicológicas e antropológicas nos terreiros de Umbanda do
Recife.
Visitantes
Em abril de 1990, Bárbara Ivanova, em viagem pelo Brasil, veio ao
Recife e, no dia 11 de maio, visitou o I.P.P.P., onde realizou palestra. No
dia 15 deste mês, por iniciativa do Instituto, fez conferências na
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Bárbara Ivanova fez parte da Banca Examinadora do IPPP que aprovou
com distinção as teses dos concluintes em Pós-Graduação em Parapsicologia,
Luciano Fonseca Lins e Terezinha Acioli Lins de Lima.
No dia 13 de novembro de 1990, no Hotel Casa Grande e Senzala, em
Boa Viagem, aconteceu o primeiro encontro de Stanley Krippner e membros do
Institute of Noetic Sciences com um grupo do IPPP, constituído por Valter da
Rosa Borges, Ivo Cyro Caruso, Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Luiz Carlos
Diniz, Terezinha Acioli Lins, Erivam Felix Vieira, Luiz César Leite, Selma
Rosa Borges e Júlia Soares da Silva, para troca de informações e experiências
no campo da Parapsicologia. Em 18 de fevereiro de 1991, e 22 de fevereiro de
1993, tivemos novos encontros com Krippner e membros do Institute of Noetic
Sciences, no Hotel Casa Grande e Senzala, em Boa Viagem, consolidando, em
definitivo, a nossa proposta de intercâmbio
científico.
Em novembro de 2000, o
parapsicólogo argentino Naun Kreiman, falecido recentemente, participou, como
conferencista, do XVIII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia e visitou a
sede do IPPP onde se reuniu com os parapsicólogos pernambucanos para a criação
da Escola Ibero-americana de Parapsicologia, tendo por base a Escola
Pernambucana de Parapsicologia.
O psicólogo e
antropólogo Aswin Budden, da Universidade da Califórnia, San Diego, em agosto
de 2002, esteve no Instituto para informar-se sobre as suas atividades.
Este ano, o
psicólogo francês Vincent Quentin, que faz doutorado em Antropologia na
Universidade de Lyon, procurou o IPPP solicitando ajuda para as suas pesquisas
no Recife sobre fenômenos mediúnicos em centros espíritas e terreiros de
Umbanda. Erivam Félix Vieira que, além de parapsicólogo, é também antropólogo,
estando, atualmente, realizando pesquisa idêntica, ficou encarregado de
prestar a Vincent todo o apoio necessário, o que poderá resultar, em futuro,
em produtivo intercâmbio nessa área convergente entre a Parapsicologia e a
Antropologia.
Anualmente, alunos universitários,
principalmente da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP -, procuram o
IPPP, por indicação de seus professores, para fazer entrevistas az respeito
dos fenômenos paranormais.
Simpósios e Congressos de Parapsicologia
Antes de realizar, sistematicamente, seus Simpósios e Congressos,
o IPPP promoveu, em julho de 1974, o I Curso de Estudos Paranormais e,
em setembro, o I Seminário de Espiritismo e Parapsicologia.
De janeiro e fevereiro de 1975, foi a vez dos
Seminários Permanentes de Parapsicologia, que aconteciam no último sábado
de cada mês, no auditório do Centro de Saúde Lessa de Andrade.
O ano de 1983 marcou o início dos Simpósios
Pernambucanos de Parapsicologia, um arrojado empreendimento sem similar no
Brasil.
Nos seus trinta anos de existência, o IPPP realizou vinte e um
(21) Simpósios Pernambucanos de Parapsicologia (de 1983 a 2003), o I Congresso
Nordestino de Parapsicologia (1985), o V Congresso Brasileiro de
Parapsicologia e Psicotrônica (1986) e o I Congresso Internacional e
Brasileiro de Parapsicologia (1997).
Cinco dos Simpósios Pernambucanos de Parapsicologia (1983, 1984,
1985, 1987 e 1989) foram realizados na Universidade Católica de Pernambuco -
UNICAP - e também com o seu apoio. Outros dois Simpósios, na Universidade
Federal de Pernambuco (1996) e na Universidade Federal Rural de Pernambuco
(2001) e, mais um outro, na Fundação Joaquim Nabuco – FUNDAJ (2000), com o
apoio desta Fundação, da Fundação Gilberto Freyre e da Fundação Cultural Lula
Cardoso Ayres.
O primeiro grande evento realizado pelo IPPP foi
a realização do V Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica,
convocado pela Federação Brasileira de Parapsicologia (FEBRAP) e pela
Associação Brasileira de Parapsicologia (ABRAP). Constituiu um sucesso
retumbante, atraindo um público de mais de 800 pessoas para o Clube
Internacional do Recife, onde ele se realizou. O evento contou com a
participação de Waldo Vieira, do Centro de Consciência Contínua, Rio de
Janeiro, José Mendonça Teixeira, do recém-fundado Instituto Alagoano de
Pesquisas Psicobiofísicas, Maria Júlia M. Prieto Peres, da Associação
Médico-Espírita de São Paulo, Ney Prieto Peres do Instituto Brasileiro de
Pesquisas Psicobiofísicas, São Paulo, Antônio Jorge Thor, do Instituto
Paraense de Parapsicologia, Neyda Nerbas Ulisséa, do Instituto Nacional de
Pesquisas Psicobiofísicas, Paraná, Octávio Melchiades Ulisséa, da Faculdade de
Ciências Bio-Psíquicas do Paraná, Glória Lintz Machado, do Instituto de
Parapsicologia do Rio de Janeiro, Mário Amaral Machado, Presidente da
Federação Brasileira de Parapsicologia (FEBRAP), Rio de Janeiro, Geraldo dos
Santos Sarti, Presidente da Associação Brasileira de Parapsicologia (ABRAP),
Rio de Janeiro, Valter da Rosa Borges e Ivo Cyro Caruso, do Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.
A Secretaria do Congresso ficou a cargo da
Fundação Joaquim Nabuco e a imprensa deu extraordinária cobertura ao
Congresso.
A
Câmara Municipal do Recife, atenta à importância do evento, aprovou o
Requerimento no 1.967/86, do Vereador Murilo Mendonça,
mandando inserir, na Ata dos Trabalhos Legislativos, voto de congratulações
pelo êxito do V Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica e IV
Simpósio Pernambucano de Parapsicologia, realizados no Recife pelo IPPP.
Porém a mais ousada e bem sucedida façanha do
Instituo, em toda a sua história, foi a realização do I Congresso
Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, que aconteceu no Mar Hotel,
em Boa Viagem, de 31 de outubro a 2 de novembro de 1997. Apesar dos altos
custos do evento, o Instituto recebeu várias formas de ajuda não só financeira
como promocional, oriundas da FUNDARPE, da Prefeitura Municipal do Recife, do
Diário de Pernambuco, do Jornal do Commercio e da Rede Tribuna, Canal 4, além
de doações de algumas pequenas empresas pernambucanas. O SEBRAE também
colaborou com o evento através da impressão do material de propaganda.
O Congresso
contou com a presença de parapsicólogos do Brasil (Pernambuco, São Paulo, Rio
de Janeiro, Brasília, Paraná e Santa Catarina), Argentina, Portugal, Rússia e
Estados Unidos da América do Norte. Participaram como conferencistas Edwin C.
May, Presidente da Parapsychological Association, John A. Palmer, editor do
Journal of Parapsychology, Stanley Krippner, Alejandro Parra, Diretor da
Revista Argentina de Psicologia Paranormal, Carlos Bautista, Argentina, Andrei
G. Lee, Presidente do Fundo de Parapsicologia Leonid L. Vasiliev, em Moscou, e
Maria Luísa de Albuquerque, Diretora do Centro Latino-Americano de
Parapsicologia de Portugal, João Carlos Pereira, Portugal, Valter da Rosa
Borges, Ivo Cyro Caruso, Silvino Alves, Isa Wanessa Rocha Lima, Jalmir Brelaz
de Castro, Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Fernando Antônio Lins e Terezinha
Acioli Lins de Lima, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas,
Geraldo dos Santos Sarti e J.J. Horta Santos, Rio de Janeiro, Carlos Alberto
Tinôco, representado pela sua equipe da Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do
Paraná, Vera Lúcia Barrionuevo, Paraná, representada por Fátima Machado, Maria
do Carmo Pagan Forti, Wellington Zangari e Fátima Machado, São Paulo, e Joston
Miguel Silva, da Universidade de Brasília. Das mesas redondas participaram,
além dos conferencistas, Lígia Gomes Monteiro, Guaracy Lyra da Fonseca Luciano
Fonsêca Lins, José Eldon Barros de Alencar, José Fernando Pereira da Silva
Maria Idalina Umbelino Erivam Félix Vieira, George Jimenez, e Evaldo Pereira,
do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, João Carlos Tinoco,
Paraná, Antônio Joaquim Ferreira de Andrade, Ilsete Heiderscheidt e Aymara
Gentil Pena; Santa Catarina, e Donadrian Rice (EUA).
Na abertura
solene do Congresso, o Sr. Vice-Presidente da República, Dr. Marco Antônio
Maciel se fez representar pelo Prof. Roberto Pereira. Presente também à mesa
dos trabalhos, o Deputado Estadual Geraldo Barbosa, um dos maiores
incentivadores do movimento parapsicológico de Pernambuco.
A respeito do
Congresso, o Diário de Pernambuco publicou, no seu editorial de 20 de
agosto de 1997, sob o título Dilatando Fronteiras, a seguinte matéria:
Estejamos
atentos, todos os pernambucanos de mente aberta, para a realização, em fins de
outubro deste ano, no Recife, do 1° Congresso Internacional e Brasileiro de
Parapsicologia. É excelente (e ousada) oportunidade de travarmos contato com
um campo de estudos que, superando barreiras de qualquer ordem, vem ocupando
crescentes e fascinantes espaços entre os círculos mais devotados à ainda
pouco conhecida dimensão humana no mundo inteiro.
Não por acaso
será a nossa Capital a sede de certame dessa magnitude, ao qual estarão
presentes especialistas de vários países, a exemplo dos Estados Unidos,
Rússia, Portugal e Argentina, bem como de Estados brasileiros como São Paulo,
Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal. Tampouco por acaso
foi fundado no Recife, já se vão mais de 24 anos, o Instituto Pernambucano de
Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), cujo trabalho se vem irradiando dentro e
fora das fronteiras nacionais, inclusive por conta da presença de alguns dos
seus integrantes em encontros de âmbito internacional. Esse pessoal, havido em
certas áreas como visionário, idealista e, sobretudo, teimoso, tem a
persistência dos que se sabem tocados pela curiosidade invencível no ser
humano de desvendar os mistérios da mente e as potencialidades do ser pensante
e herdeiro da chama do saber infinito.
A Parapsicologia,
tida como "a caçula das ciências", está proporcionando a abertura dessas novas
fronteiras. Tanto que já é ela contemplada com cadeiras específicas em
universidades americanas, afora se tratar de campo específico de estudos em
nações as mais desenvolvidas. No contexto brasileiro, a Faculdade de Ciências
Biofísicas do Paraná a ministra como matéria em nível de graduação e
pós-graduação.
A despeito de
toda essa borbulhante agitação de idéias em torno dos fenômenos ditos
parapsicológicos, ainda persistem muitas distorções, quando não total
desconhecimento, dos reais fundamentos e objetivos da Parapsicologia, mercê de
sua inadequada vinculação com notações ideológicas ou sectárias. E isso
precisa ser corrigido, até pelos seus reflexos diretos no cotidiano das
pessoas e das sociedades, sem falar nos seus rebatimentos no plano de diversas
ciências afins, nas quais, a propósito, ela vai haurir ensinamentos e
inspirações, devolvendo-os em igual medida de seriedade e exação intelectual.
Por todas essas
razões, é fundamental o apoio da sociedade pernambucana, tanto na esfera
pública quanto particular, a essa iniciativa do Instituto. Ela é ilustrativa
do vigor do nosso Estado e, particularmente, do Recife, como pólo cultural e
núcleo regional de excelência na área do conhecimento, à luz das mais modernas
metodologias e experiências num setor que, até mesmo por ainda pouco
explorado, exibe-se empolgante nos desafios que comporta e engendra.
E, mais uma vez,
o Diário de Pernambuco, no dia 30 de outubro, publicou novo editorial, A
Mente sem Véu, destacando a importância do acontecimento:
Começa amanhã, no
Recife, o 1° Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. Durante
os três próximos dias, no salão de convenções do Mar Hotel, mentes atentas aos
chamados fenômenos paranormais estarão expondo e provocando idéias e hipóteses
em torno de questões que, desde tempos imemoriais, desafiam o homem e seus
limites. A atmosfera não estará impregnada de magia e muito menos de
superstições. Ao revés, estará saturada de ousadias científicas, que para
muitos se revelam tão abstrusas - e até absurdas - quanto muitos dos fatos que
as provocam e, não raro, desconcertam.
A ousadia começa
na própria realização do certame. No final das contas, é iniciativa pioneira
de um grupo de pesquisadores reunidos sob a sigla do Instituto Pernambuco de
Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP -, denominação já de si mesma paradoxalmente
pretensiosa e modesta. A pretensão está embutida na abrangência do seu campo
de análise, para o qual as nomenclaturas usuais se revelam insuficientes. A
modéstia, essa reside na consciência dos promotores e participantes do
congresso quanto ao estado incipiente, quase larvar, dos seus propósitos de
desvelar mistérios ainda arredios às proposições e catalogações da
inteligência e saberes do homem.
A bravura desse
pessoal do IPPP somente não contradiz a realidade socioeconômica e cultural do
Recife por ser este, um tradicional centro de desbravadores. E aqui não
procede, nem remotamente, a alegação de que de outros assuntos, bem mais
candentes e urgentes, deveríamos estar ocupando-nos. Isto porque a
Parapsicologia não conhece fronteiras de qualquer ordem, em qualquer espaço do
globo, quaisquer que sejam as condições de quem a estuda, ilumina e é por ela
iluminado. Aqui não se trata de priorizar ciências e consciências. Trata-se de
buscar respostas para fenômenos intrinsecamente ligados à maior de todas as
realidades e ao mais instigante de todos os enigmas: a própria condição
humana.
Mais do que
nunca, lâmpadas estão sendo acesas para iluminar os focos ainda tão obscuros
da nossa profunda e não menos obscura natureza. Tanto assim que a
Parapsicologia vem ganhando destaque progressivo em centros de estudo superior
situados em países tão distintos quanto os Estados Unidos e a Índia, a Rússia
e o Japão, Portugal e Argentina, os quais, a propósito, estarão representados
no conclave. Tanto quanto a ele estarão presentes cinco estados brasileiros
além de Pernambuco, o que demonstra o grau de seriedade, enfoque e avanço do
intercâmbio pretendido.
O apoio que
entidades públicas e privadas estão emprestando à iniciativa do IPPP é também
emblemático da crescente importância dos estudos parapsicológicos, na medida
em que se vão esmaecendo as distorções e preconceitos que, até recentemente,
cercavam a matéria. Daí ser auspicioso constatar que, mais uma vez, o Recife
assegura sua condição de centro de excelência cientifica na Região e mesmo no
País, em setor que se prenuncia fundamental no horizonte do milênio.
O
Jornal de Parapsicologia, de Portugal, nas edições de abril e de setembro
de 1997, publicou matéria sobre o I Congresso Internacional e Brasileiro de
Parapsicologia.
O PA News,
órgão do Parapsychological Association, no seu número abril/junho de 1997,
divulgou, sob o título First International & Brazilian Congress
Parapsychology, a seguinte nota sobre o Congresso:
Organized by PA full member Dr. Valter da Rosa Borges, the First International
& Brasilian Congress of Parapsychology will be held from October 31st to
November 2nd, 1997 in the Mar Hotel in Recife, the capital of the state of
Pernambuco in Brasil.
The conference is
being hosted by three Brazilian organizations dedicated to parapsychoogy: the
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas (IPPP), Instituto de
Pesquisas Interdisciplinares das Áreas Fronteiriças da Parapsicologia (InterPsi)
and Sociedade Brasileira para o Progresso da Parapsicologia (SBPC).
Among the presentations which will be given by PA members are: (from
Pernambuco, Brasil) "Proposal of Emergency Action for Recurrent Spontaneous
Psychokinesis" presented by PA affiliate member lsa Wanessa Rocha Lima,
"Parapsychology as a Complex System" by PA associate member Dr. lvo Cyro
Caruso, "Paranormal Belief and Psi Phenomena with College Students in Brasil"
by PA affiliate member Dr. Jalmir Freire Brelaz de Castro, "Paranormality and
Primitive Man" by PA affiliate member Terezinha Acioli Lins de Lima, and “The
Question of Methodology in Parapsychology, by PA Full member Dr. Valter da
Rosa Borges; (from São Paulo, Brazil & San Juan, Puerto Rico, respectively)
"On Provincialism in Parapsychology" by PA full members Fátima Regina Machado
and Carlos S. Alvarado; (from São Paulo, Brazil) "Brazilian University
Students and Their Religious and Parapsychological Experiences" by PA full
members Wellington Zangari & Fátima Regina Machado; (from Curitiba, Brasil)
"Project for an RSPK Research Center by PA full member Dr. Carlos Alberto
Tinoco and "The Out-of-body Experience," by PA full member Vera Lúcia O'Reilly
Cabral Barrionuevo; (from Buenos Aires, Argentina) "Spirits and Mediums in
lberoamerica: A Geography of the metapsychic" by Alejandro Parra; and (from
San Francisco, California, USA) "Advances in Understanding Anomalous
Cognition: Physical Variables" by PA full member Dr. Edwin C. May and
"Possible Geomagnetic Field Effects in Psi Phenomena" by PA full member Dr.
Stanley Krippner; and (from Durham, North Carolina, USA) "The Psychology of
ESP: Magnitude Times Direction" by PA full member Dr. John Palmer.
A conference report
will appear in a future issue of the PA News.
Finalmente, o Boletin Informativo AIPA, da Associación Iberoamericana
de Parapsicología, de dezembro de 1997, publicou artigo de Fátima Regina
Machado sobre o I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. Esta
mesma informação foi também publicada no PA News, órgão da Parapsychological
Association, na sua edição de outubro de 1997.
O Deputado
Estadual, Dr. Geraldo Barbosa, no dia 22 de outubro, em sessão da Assembléia
Legislativa do Estado de Pernambuco, fez o seguinte pronunciamento sobre o
Congresso:
Senhor
Presidente,
Senhores
Deputados.
Pernambuco,
orgulhosamente, sediará, no período de 3l de outubro a 2 de novembro deste
ano, no Mar Hotel, em Boa Viagem, o I CONGRESSO INTERNACIONAL E BRASILEIRO DE
PARAPSICOLOGIA, numa iniciativa arrojada e pioneira do INSTITUTO PERNAMBUCANO
DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P. -, uma das mais importantes
instituições de Parapsicologia do Brasil e hoje conhecida internacionalmente.
O Congresso terá a presidência do Dr. Valter da Rosa Borges, fundador da
instituição promotora do evento e um dos mais destacados nomes da
Parapsicologia brasileira, cujo trabalho vem projetando o Estado de Pernambuco
como um dos pólos de estudo e investigação parapsicológica em âmbito
internacional.
Trata-se de um
evento da maior importância cultural e científica para o nosso Estado, pois
contará com a participação de renomados parapsicólogos nacionais de
Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Paraná e Santa Catarina, e
estrangeiros: Estados Unidos, Rússia, Portugal e Argentina. O temário do
Congresso revela o alto nível científico das conferências, abordando questões
teóricas das mais alta complexidade e projetos de pesquisa de relevante valor
tecnológico.
A Parapsicologia
é uma ciência que, embora ainda em formação como reconhecem os próprios
parapsicólogos, constitui, apesar disto, uma das disciplinas científicas de
maior envergadura experimental na investigação da mente humana.
Mesmo carente de
recursos financeiros para desenvolver as suas atividades de ensino e de
investigações científicas, o INSTITUTO PERNAMBUCANO DE PESQUISAS
PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P. - que, em janeiro do próximo ano completará 25 anos
de existência, vem desenvolvendo um trabalho extraordinário no campo da
fenomenologia paranormal, apenas sustentado pela abnegação e obstinado
idealismo do Dr. Valter da Rosa Borges e de sua competente equipe de
parapsicólogos.
Sempre atento às
realizações do INSTITUTO PERNAMBUCANO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P.
- e à importância da Parapsicologia no mundo moderno, venho, sempre que
possível, dando o meu irrestrito apoio ao trabalho incansável e pioneiro do
Dr. Valter da Rosa Borges e de sua valorosa equipe. E por isso, consegui
aprovar uma emenda ao art. 174 da Constituição de Pernambuco, incluindo,
naquele dispositivo constitucional, a obrigação do Estado e dos Municípios de
prestarem assistência social ao superdotado e ao paranormal. Soube,
posteriormente, que esta inovação legislativa teve profunda repercussão na
comunidade parapsicológica internacional, como um acontecimento inédito e de
alta relevância institucional à Parapsicologia.
Não poderia,
assim, a Assembléia Legislativa de Pernambuco se calar perante um evento de
tão alta significação para Pernambuco, visto ser o Poder Legislativo o
termômetro das mais legítimas aspirações e necessidades populares, entre as
quais se inclui o desenvolvimento cultural e científico do Estado. Por isso,
srs. Deputados, o mínimo que esta Casa poderia oferecer a esta valorosa
instituição é um voto de congratulações e aplausos pela realização deste
importante Congresso que honra e dignifica as tradições culturais e
científicas do nosso Estado.
A Carta do Recife
Um
dos grandes momentos do Congresso foi a assinatura, pelos parapsicólogos
presentes ao evento, da Carta do Recife, após a sua discussão e aprovação.
Nesse histórico documento, vertido em português e inglês, reconhece-se a
necessidade da formação de uma comissão internacional com a finalidade de
apresentar à comunidade dos parapsicólogos de todo o mundo uma proposta de
unificação da nomenclatura da Parapsicologia, a aprovação do Dia Internacional
do Parapsicólogo, mediante consulta àquela comunidade e apelo aos
parapsicólogos e Instituições de Parapsicologia de todo o mundo, no sentido de
adotar as medidas cabíveis, segundo a legislação de seus respectivos países,
para a legalização da profissão do parapsicólogo.
Os parapsicólogos
entrevistados na manhã seguinte ao término do Congresso, teceram os seguintes
comentários sobre o êxito do evento:
Stanley Krippner:
"O congresso foi
um sucesso e atingiu o seu objetivo de trazer ao Brasil o mundo científico da
Parapsicologia. O número de participantes foi expressivo. Considero que as
demonstrações que ocorreram como a de Jacques Andrade foram adequadamente
colocadas, como um evento a parte e realizado em dependências distintas do
Congresso e após seu encerramento. Achei importante que questões como
psicoterapia em parapsicologia não fossem abordadas em um primeiro congresso,
justamente por ser questão ainda muito controversa. Os participantes de língua
inglesa tiveram ótimos tradutores, os trabalhos foram traduzidos para o inglês
e os participantes de língua espanhola também estiveram a vontade. As
instalações e o atendimento foram excelentes."
Wellington
Zangari:
"O Congresso
marca o início de uma revolução na parapsicologia brasileira. Pela primeira
vez nos encontramos, pessoas de várias partes do mundo no Brasil, discutindo
num nível bastante elevado, e próximo. Acho que esse Congresso representa o
início não só de uma discussão empírica que nos faltava mas uma tentativa das
teorizações que podemos apresentar. Nos congressos anteriores dos trabalhos
brasileiros possam ser também empiricamente testados, assim eu saúdo os
colegas do IPPP. Meu muito obrigado."
John Palmer:
"Antes de mais
nada o congresso foi um sucesso e teve realmente um sabor internacional."
Donadrian Rice:
"Foram bons os
trabalhos apresentados, a hospitalidade foi marcante. Fico feliz pelo trabalho
que tem sido feito pela parapsicologia no Brasil e pela oportunidade de maior
colaboração entre estudos transculturais. Muito obrigado!"
Edwin May:
"Participei de
muitos congressos internacionais e este está entre os melhores. Gostei da
variedade de abordagens, muitas diferentes das que tenho realizado, e para
mim foi uma aprendizagem. Pretendo incorporar alguns dos assuntos que aprendi
em diversas sessões em minhas pesquisas. Sugiro que nos próximos congressos
haja algum tempo para grupos com pontos de vista similar, sobre assuntos de
campo específico, ou de pesquisa. O Congresso comprovou e até excedeu a
reputação do Instituto."
Com a
realização do I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, os
membros do IPPP passaram a ser conhecidos em outros países. O Jornal de
Parapsicologia, de Portugal, de setembro de 1997 (Ano V, nº 41) publicou
artigo de Ronaldo Dantas Lins Filgueira, intitulado A Fotogênese sob o
Ponto de Vista da Teoria Quântica. E Jalmir Freire Brelaz de Castro teve
dois trabalhos publicados em periódicos estrangeiros: o primeiro, no Jornal
de Parapsicologia, de Portugal, de outubro de 1997 (Ano V, nº 42) e
intitulado Pesquisa de Experiências fora do Corpo com Estudantes
Universitários no Brasil e o segundo na Revista Argentina de Psicología
Paranormal, vol. 9, Número 1 (33), de janeiro de 1998, sob o título
Experiencias fuera del Cuerpo: una Encuesta sobre Estudiantes Universitarios
en Brasil.
O IPPP realizará o XXI Simpósio Pernambucano de Parapsicologia
conjuntamente com o I Seminário Palmarense de Parapsicologia no dia
22/11/2003, na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul- FAMASUL.
Eventos nacionais
O Instituto participou oficialmente, do II
Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica (Rio de Janeiro, 1979), do
III Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica (Rio de Janeiro, 1982)
e do IV Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica (Brasília, 1985)
pelos conferencistas Valter da Rosa Borges e Ivo Cyro Caruso. Do I Simpósio
Brasileiro de Parapsicologia, Medicina e Espiritismo (São Paulo, 1985) e do
VI Congresso Brasileiro de
Parapsicologia e Psicotrônica (Pará, 1987)
por Valter da Rosa Borges. E, finalmente das Primeiras Conferências Eclipsy de
Parapsicologia (São Paulo, 1990) por Valter da Rosa Borges e Ivo Cyro Caruso.
Eventos internacionais
Em 1996, o IPPP participou do Primer Encuentro Iberoamericano de
Parapsicología, realizado em Buenos Aires, Argentina, temo como conferencistas
oficiais Valter da Rosas Borges, Ivo Cyro Caruso, Ronaldo Dantas Lins
Filgueira e Jalmir Brelaz de Castro. Além dos conferencistas, a comitiva do
I.P.P.P. foi integrada pelos parapsicólogos Selma Maria Duarte da Rosa Borges,
Terezinha Acioli Lins de Lima, Júlia da Silva Caruso, Isa Wanessa Rocha Lima,
Maria Salete do Rêgo Barros Melo, José Roberto de Melo e Leonardo Lessa, e os
concluintes do Curso de Pós-Graduação em Parapsicologia, Amaro Geraldo de
Barros, Lígia Monteiro, José Fernando Pereira da Silva e José Eldon Barros de
Alencar.
Em
1997, Jalmir Brelaz de Castro fez conferência na 40ª Convenção do
Parapsychological Association (PA), em Brighton, Inglaterra, realizada, em
conjunto com a Society for Psychical Research (SPR) no período de 7 a 10 de
agosto.
No ano seguinte, Jalmir Brelaz
de Castro e Amaro Geraldo de Barros foram conferencistas oficiais do III
Encuentro Iberoamericano de Parapsicologia, realizado em Buenos Aires,
Argentina, de 13 a l5 de novembro. Isa Wanessa Rocha Lima se fez representar
no referido evento.
Eventos especiais
Em abril de 1999, conjuntamente com a
recém-fundada Sociedade Internacional de Transcendentologia, o IPPP
promoveu o
I Seminário Internacional de
Pesquisas Psíquicas e Transcendentais (Brasil - EUA),
da qual participaram os parapsicólogos pernambucanos Erivam Félix Vieira,
Guaracy Lyra da Fonsêca, Isa Wanessa Rocha Lima, Jalmir Brelaz de Castro, José
Roberto de Melo, José Fernando Pereira, Ronaldo Dantas Lins Filgueira,
Terezinha Acioli Lins de Lima e Valter da Rosa Borges, e os norte-americanos
Dr. Ian Wickramasekera (físico), Dr. Stanley Krippner (parapsicólogo) e Dr.
Daniel Halperin (antropólogo).
Neste Seminário, Stanley Krippner, Ian
Wickramasekera e sua esposa Judy realizaram, no apartamento onde o casal
estava hospedado, no Mar Hotel, testes com Jacques Andrade e "Pai Eli",
utilizando, pela primeira vez no Brasil, um instrumental tecnológico,
extremamente versátil, para medir parâmetros orgânicos dos agentes psi em
vigília e em estado alterado de consciência. Os resultados dos testes
ultrapassaram a expectativa daqueles pesquisadores que foram assessorados por
Valter da Rosa Borges, José Fernando Pereira da Silva, Jalmir Brelaz de Castro
e Pacífico Silva de Andrade, que filmou todo o experimento.
Em
dezembro de 2001, o IPPP e a Sociedade Internacional de Transcendentologia
realizaram o XIX Simpósio Pernambucano de Parapsicologia e o I Seminário
Brasileiro de Pesquisas Psíquicas e Transcendentais na Universidade
Federal Rural de Pernambuco.
Curso de Metodologias em Parapsicologia na Internet
O IPPP participou do Curso I, Metodologias em Parapsicologia, criado e
coordenado pelos parapsicólogos Nancy L. Zingrone (EUA) e Carlos S. Alvarado
(Porto Rico) e promovido pela Associação Iberoamericana de Parapsicologia,
através da Internet, no período de 30 de março a 12 de julho de 1998. Foi
criada uma Website para a publicação e discussão dos trabalhos a fim de que os
participantes do Curso pudessem fazer seus comentários sobre os mesmos.
O Curso foi dividido em oito módulos ou classes e, além dos dois
coordenadores, contou com treze líderes: Alejandro Parra (Buenos Aires,
Argentina); Vera Lúcia Barrionuevo O'Reilly Cabral e Tarcísio Roberto Pallú
(Curitiba, Brasil); Valter da Rosa Borges e Jalmir Brelaz de Castro (Recife,
Brasil); Fátima Regina Machado e Wellington Zangari (São Paulo, Brasil);
Brenio Onetto-Bächler (Santiago do Chile); José Raúl Naranjo Muradas (Santiago
de Cuba); Moisés Asís (Miami, Florida, Estados Unidos); Eugenio Ledezma R. e
Ramón Monroig Grimau (Querétaro, México); e Maria Luísa Albuquerque (
Portugal).
Além dos líderes, cada grupo foi constituído de outros participantes. Somando
coordenadores, lideres e participantes, o Curso contou com a participação de
98 parapsicólogos.
Atividades pedagógicas
Em 1974, o
Instituto realizou o I Curso de Estudos Paranormais. Era o embrião do
futuro Curso Básico de Parapsicologia que se iniciou oito anos depois,
nos meses de janeiro, março, maio, julho, setembro de novembro, com grande
afluência de alunos.
O reconhecimento
nacional do nosso trabalho pela Parapsicologia brasileira nos levou, em meados
de 1987, a adotar as primeiras providências para criar o Curso de
Pós-Graduação (lato sensu) Especialização em Parapsicologia, visando a
formação do parapsicólogo e a constituição de uma comunidade científica com
alto nível de qualificação profissional.
Em apoio a essa
iniciativa, a então Delegada Regional do Ministério de Educação, em
Pernambuco, Profa. Creuza Aragão, designou o Prof. Luiz Augusto Rodrigues da
Cruz para orientar o IPPP na criação do referido Curso, tarefa que foi
cumprida em curto espaço de tempo e com o êxito esperado.
Em
1988, o Instituto ministrou o primeiro Curso de Pós-Graduação em
Parapsicologia com uma turma constituída de alunos graduados nas mais diversas
áreas acadêmicas, como vem acontecendo até hoje. A partir daquela data, o IPPP
passou a conceder o título de parapsicólogo somente a quem fosse aprovado
naquele Curso, porém admitindo essa concessão, em circunstâncias
especialíssimas, às pessoas que comprovassem notório saber em Parapsicologia.
Cursos de Parapsicologia em Universidades
Em
1976, a convite da Fundação de Cultura da Paraíba - FUNCEP e com o apoio da
Universidade Federal da Paraíba, ministrei um Curso de Parapsicologia naquela
instituição de ensino, de 15 a 17 de outubro. A imprensa local deu grande
destaque ao evento e o jornal A União, de João Pessoa, na sua edição de
9 de outubro, entrevistou-me a respeito da Parapsicologia e do aludido Curso.
A convite da
Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, pronunciei uma série de
palestras na I Semana de Estudos sobre Parapsicologia (19 a 23 de março
de 1979) e na II Semana de Estudos sobre Parapsicologia (de 21 a 25 de
janeiro de 1980).
Ainda a convite
daquela Universidade, ministrei Cursos Básicos de Parapsicologia no 4º
Festival de Inverno (de 12 a 31 de julho e de 12 de setembro a 10 de outubro
de 1981), no 5º Festival de Inverno (de 12 a 16 de julho de 1982) e no período
de 10 a 29 de julho de 1983.
O interesse pela Parapsicologia permanecia em alta na UNICAP. Tanto assim que
ministrei um Curso de Extensão em Parapsicologia, com carga horária de
60 (sessenta) horas, promovido pela Pró-Reitoria daquela Universidade,
conjuntamente com o IPPP, e que se realizou no período de 19 de março a 18 de
junho de 1984.
Mais dois Cursos Básicos de Parapsicologia foram realizados por mim naquela
Universidade: de 13 a 17 de agosto de 1984 e de 5 a 21 de julho de 1985, por
ocasião do 8º Festival de Inverno.
Em 1996, o IPPP
promoveu, na Universidade Federal de Pernambuco, um Curso de Extensão em
Parapsicologia, de 23 a 26 de setembro, e um Seminário de
Parapsicologia nos dias 25 e 26 de novembro, no Centro de Ciências
Biológicas daquela instituição.
Novamente, em 1997, o Instituto realizou um Curso de Extensão em
Parapsicologia no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de
Pernambuco, de 3 a 7 de fevereiro.
Projeto de Interiorização da Parapsicologia
Em 1991, o IPPP
começou a expandir o seu Curso Básico de Parapsicologia para outros
municípios. Erivam Félix Vieira, iniciando o Projeto, realizou dois Cursos
Básicos de Parapsicologia: o primeiro, no Município de Vitória de Santo Antão,
nos dias 19 e 20 de abril deste ano, para alunos e professores daqueles
Municípios e dos de Gravatá e Escada; e o segundo, no Município de Maraial,
nos dias 25 e 26 de julho, também dirigido a professores e alunos deste
Município e das cidades vizinhas de Jaqueira e Catende.
Ainda neste ano,
no Município de Jaboatão dos Guararapes, o IPPP promoveu dois Cursos Básicos
de Parapsicologia, ministrados por Terezinha de Acioli Lins, no auditório do
Colégio Souza Leão, em Candeias, de 11 a 18 de maio e de 23 a 30 de novembro.
No
mês de outubro de 1992, Ronaldo Dantas realizou um Curso de Parapsicologia e
Hipnose em Aldeia, Distrito do Município de Camaragibe, Pernambuco.
Em
2003, o IPPP realizou um mini-curso de Parapsicologia, ministrado por Erivam
Félix Vieira e Ronaldo Dantas Lins Filgueira, na I Sexta-Feira de Artes e
Ciências da Mata Sul, promovido pela Faculdade de Formação de Professores da
Mata Sul, no município de Palmares, em Pernambuco.
Outros cursos
Além
dos Cursos Básicos e de Pós-Graduação em Parapsicologia, o Instituto vem
promovendo, desde 1983, os chamados cursos paralelos, abordando temas
relevantes nas mais diversas áreas do conhecimento, assim como em seus
aspectos multidisciplinares, tais como Parapsicologia e Medicina,
Parapsicologia e Física, Hipnose, Parapsicologia e Hipnose,
Fenomenologia Religiosa, Parapsicologia e Religião, Parapsicologia e
Espiritismo, Introdução à Mitologia Grega, Introdução ao Pensamento Grego
e Filosofia e Religião.
Conferências & Mesas Redondas
Parapsicólogos do IPPP realizaram palestras e participaram de mesas redondas
em Universidades, Faculdades isoladas e instituições científicas.
Em
1984, fiz uma palestra intitulada “Fenomenologia da Morte e Aspecto Científico
da Sobrevivência” à luz da Parapsicologia, na Academia Pernambucana de
Medicina.
Em
1985, realizei duas conferências: “Parapsicologia” na Faculdade de Filosofia
do Recife – FAFIRE; e “Parapsicologia e Espiritismo”, no I Ciclo de Palestras,
em Maceió, sob o título Espiritismo e Universidade em Debate, promovido pela
Pro-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas e pela Federação
Espírita do Estado de Alagoas. Geraldo Fonseca Lima, na Faculdade de Filosofia
do Recife – FAFIRE, fez uma palestra intitulada “Parapsicologia e Hipnose”. E
ainda neste ano, o IPPP promoveu, na Universidade Católica de Pernambuco, uma
mesa redonda que discutiu o tema "Aspectos Práticos dos Fenômenos Paranormais.
Em
1987, fiz uma palestra sob o título de “Fenômenos Paranormais na Proximidade
da Morte” no Curso “O Homem diante da Morte”, promovido pelo Centro de
Psicologia Hospitalar e Domiciliar.
Em
outubro de 1988, Ronaldo Dantas Lins participou do VIII Congresso
Norte-Nordeste de Hipnologia e I Congresso Potiguar de Hipnologia, realizados
em Natal, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com a palestra
“Parapsicologia e Hipnose”.
Em 1990, Terezinha Acioly Lins de Lima realizou duas palestras na
Faculdade de Ciências
Humanas de Olinda (FACHO), intituladas
“Fenomenologia Psi:
Caracterização” (maio) e “A História da Parapsicologia” (outubro).
Em
1991, fiz uma palestra sobre “Direito e Parapsicologia”, na Escola Superior da
Magistratura e Ronaldo Dantas abordou o tema “Parapsicologia e Hipnose”, no IX
Congresso Norte-Nordeste de Hipnologia e Sofrologia, realizado no Mar Hotel,
em Maceió, Alagoas.
Em
1992, conferência de Terezinha Acioli Lins, sob o título “Parapsicologia como
Ciência e a Profissão do Parapsicólogo”, na Faculdade de Direito de Caruaru,
Município de Caruaru, Pernambuco.
Em
1993, apresentei um trabalho intitulado “A Criatividade, a Superdotação e a
Paranormalidade” no V Encontro Técnico: Aspectos Éticos e Estéticos no
Campo das Altas Habilidades, promovido pelo Departamento de Psicologia e
Fonoaudiologia da Universidade Católica de Pernambuco, pela Secretaria de
Educação de Pernambuco, através de seu Departamento de Educação Especial, pela
Secretaria de Educação Especial do MEC e pela Associação Brasileira dos
Superdotados, realizado no auditório daquela Universidade. Também fiz uma
palestra sobre Parapsicologia, na IV Semana de Atualização em Psicologia,
na Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO), promovida pelo
Departamento de Psicologia daquela instituição e com o apoio do Conselho
Regional de Psicologia.
Em 1994, Terezinha de Acioli Lins palestrou sobre “A
Parapsicologia no Mundo: Histórico e Discussão” na Faculdade de Odontologia de
Caruaru.
Em 1996, fiz duas palestras: a primeira sobre
Parapsicologia na Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO) e a segunda
no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pernambuco, sob o
título “Parapsicologia, uma Nova Visão da Realidade”.
Em 1997, realizei conferência sobre Parapsicologia, no Conselho Estadual de
Cultura de Pernambuco e duas outras, na Academia Pernambucana de Ciências,
abordando o tema “A Personalidade na Investigação Parapsicológica”.
Ronaldo Dantas Lins Filgueira falou
sobre Parapsicologia para uma turma do 4º período do Curso de Estatística da
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Isa Wanessa Rocha Lima fez uma
palestra que intitulou “Introdução à Parapsicologia”, para a turma de Teologia
da Universidade Católica de Pernambuco. E Terezinha Acioli Lins, também nessa
Universidade, conferenciou sobre o tema “Parapsicologia: Nova Visão da
Realidade", no Curso de Letras, cadeira de Teologia.
Em 1998,
pronunciei uma palestra intitulada “Os Limites do Conhecimento sobre o
Conhecimento - a Parapsicologia e os Fenômenos Psigâmicos”, para os alunos de
Mestrado do Curso de Administração da Universidade Federal de Pernambuco. Isa
Wanessa Rocha Lima falou sobre “Poltergeist” para alunos do Curso de
Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO). À noite,
naquela Faculdade, eu, Ronaldo Dantas Lins Filgueira e Isa Wanessa Rocha Lima
fizemos uma mesa redonda sobre Parapsicologia, dirigida ainda aos alunos do
Curso de Psicologia.
A Escola Pernambucana de
Parapsicologia
A chamada Escola
Pernambucana de Parapsicologia se iniciou, quando, no I Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia, em 1983, postulei uma epistemologia
parapsicológica, afirmando que o “conhecimento paranormal possui
características especiais que o distingue, nitidamente, dos demais processos
gnosiológicos e se origina de outras fontes que não aquelas do conhecimento
normal, ou seja, a sensação e a razão.” Afirmei que a telepatia e a
clarividência não são modalidades, mas fontes externas do conhecimento
paranormal e que a precognição é, na verdade, uma característica daquele
conhecimento. Admiti a existência de uma fonte interna da gnosiologia
paranormal a que denominei de criptomnésia. Defini o conteúdo do conhecimento
paranormal como “a informação não redutível ao conhecimento consciente ou a
manifestação de aptidões ou habilidades não resultantes de prévio aprendizado”
E alertei que “o que determina a paranormalidade de um fenômeno aparentemente
psigâmico não é a sua manifestação formal, mas, sim, o seu conteúdo.”
Carlos Alberto
Tinoco, no seu livro “Parapsicologia e Ciência. Origens e Limites do
Conhecimento Parapsicológico” (Ed. Ibrasa, São Paulo. 1993) comentou e apoiou
a minha proposta epistemológica para a Parapsicologia, apresentada em 1985, no
IV Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica, realizado em
Brasília. Neste mesmo ano, no III Simpósio Pernambucano de Parapsicologia,
eu e Ivo Caruso apresentamos um novo modelo para a Parapsicologia, de cuja
elaboração também participou Ronaldo Dantas Lins Filgueira. O Modelo Geral da
Parapsicologia (MGP) estabeleceu definições, postulados e um novo método e
glossário para a fenomenologia paranormal.
No X Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia, Ronaldo Dantas Lins Filgueira apresentou o
trabalho intitulado “Reflexões sobre o Modelo Geral da Parapsicologia”, onde
propôs modificações ao Modelo original. E, no I Congresso Internacional e
Brasileiro de Parapsicologia, na sua conferência “Teoria Parapsicológica
Geral”, propôs uma axiomática dos fenômenos paranormais, baseada no modelo
holotrópico.
A Escola
Ibero-Americana de Parapsicologia
Em reunião realizada em 19 de novembro de 2000, no Instituto Pernambucano de
Pesquisas Psicobiofísicas, com a presença dos parapsicólogos Valter da Rosa
Borges, Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Guaracy Lyra da Fonseca, Jalmir Freire
Brelaz, José Renato Barros, Isa Wanessa Rocha Lima e do argentino Naum Kraimer,
foi fundada a Escola Ibero-americana de Parapsicologia, que se assentou sobre
os seguintes fundamentos:
1 – Estabelecer que o objeto de estudo e pesquisa da
Parapsicologia é o fenômeno parapsicológico não se devendo mais utilizar os
termos fenômeno paranormal ou fenômeno incomum da mente humana. Também, por
sua inutilidade, é excluído o vocábulo epicentro para designar o agente
psi nas manifestações de “poltergeist”.
3 - Manter a classificação oficial dos fenômenos
parapsicológicos aprovada no I Colóquio Internacional de Parapsicologia,
ocorrido em Utrecht, na Holanda, em 1953, e proposta por Thouless e Wiesner.
3 - Adotar a nova proposta epistemológica,
apresentada pelo Prof. Valter da Rosa Borges, por ocasião do I Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia, em 1983, em que a precognição não é mais
considerada fonte, mas sim, característica do conhecimento psi.
4 - Utilizar os métodos quantitativo e
qualitativo para a realização das investigações parapsicológicas, de
conformidade com o tipo de pesquisa realizada.
5 – Valorizar os trabalhos teóricos, com
elaboração de modelos e teorias que possam ser testadas experimentalmente.
6 - Reafirmar a autonomia da Parapsicologia,
defendendo-a contra qualquer tentativa de reducionismo a qualquer outra
ciência e estimular a sua interdisciplinaridade com as diversa áreas do
conhecimento.
7 - Definir que a área de atuação profissional do
parapsicólogo deve ater-se a três campos bem definidos: a) magistério; b)
pesquisa; c) aconselhamento.
8 - Adotar oficialmente o termo Agente Psi para
indicar o se humano de produz ou vivencia um evento parapsicológico.
9 – Rever criticamente todo o processo histórico
da investigação da fenomenologia parapsicológica.
10 - Adotar o Baralho Zener modificado, conforme
proposta do Prof. Ronaldo Dantas Lins, no ano de 1989, no VII Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia.
11 – Criar um Periódico (Revista ou Jornal) de
Parapsicologia para publicação dos teóricos e práticos da Escola, bem como as
suas realizações.
Infelizmente, com a morte recente de Naun Kreiman,
a implantação da Escola ficou praticamente inviável.
Convênios e projetos
Em 1987, o IPPP firmou convênio com a Secretaria de Educação do
Estado de Pernambuco visando à execução do Projeto de Atendimento Integrado ao
Aluno Paranormal e/ou Superdotado, o qual foi cancelado, meses depois, pelo
novo Governo do Estado.
Neste
mesmo ano, fiz uma palestra intitulada “aplicações práticas da aptidão
paranormal no campo das investigações policiais” no curso de aperfeiçoamento
para 122 delegados de polícia, médicos e peritos da Secretaria de Segurança
Pública de Pernambuco. E, dias depois, eu e Ivo Cyro Caruso apresentamos um
painel sobre técnicas de pesquisa em Parapsicologia, no I Curso de
Aperfeiçoamento Técnico Policial - Nível Médio - promovido por aquela
Secretaria. Em razão do interesse da polícia civil pelos aspectos práticos da
Parapsicologia, eu e Maury Ribeiro da Silva tivemos uma audiência com o então
Secretário de Segurança Pública de Pernambuco, General Evilásio Gondim, e
firmamos um acordo verbal de cooperação mútua, mediante o qual os casos
sugestivos de fenômenos paranormais que fossem comunicados às Delegacias de
Polícia do Grande Recife seriam, de logo, encaminhados ao IPPP para as
necessárias investigações.
Para formalizar
esse acordo de cooperação mútua, o IPPP, dias depois, apresentou ao Secretário
de Segurança Pública do Estado de Pernambuco o Projeto de Investigação e
Treinamento em Parapsicologia nas Atividades de Polícia cujos objetivos eram:
a) a investigação de casos de “assombrações”, “fantasmas” e outros
acontecimentos insólitos do mesmo gênero, que sejam comunicados às Delegacias
de Polícia do Estado de Pernambuco; b) a preparação da Polícia Civil de
Pernambuco para a utilização adequada dos recursos parapsicológicos na
investigação alternativa de crimes misteriosos e na localização do paradeiro
de pessoas desaparecidas.
O General
Evilásio, entusiasta do Projeto, chegou a enviar circular às Delegacias de
Polícia, determinando que “todos os casos de assombrações, fantasmas ou outros
semelhantes, fossem investigados por especialistas”. Maury Ribeiro da Silva,
representando o IPPP, compareceu a diversas Delegacias de Polícia da Capital a
fim de explicar detalhadamente a estratégia de trabalho a ser adotada a partir
da assinatura do convênio.
Com o pedido de exoneração do General
Evilásio Gondim, o novo Secretário de Segurança Pública, Dr. Almeida Filho
assegurou que o projeto do IPPP seria reativado e informou que uma equipe
técnica estava estudando a possibilidade do convênio. Infelizmente, essa
equipe técnica jamais concluiu seu estudo e o projeto ficou esquecido.
Entre outros projetos elaborados pelo Instituto
se destacaram: a) Prospecção de Recursos Minerais e Hídricos por Meios
Alternativos de Radiestesia; b) Assistência aos Paranormais de Pernambuco c)
Assistência Parapsicológica nos Hospitais Estaduais de Pernambuco.
Atividades culturais.
Em 1986, criei,
no IPPP, o Seminário dos Múltiplos Saberes, um fórum de debate
permanente em todos os campos do conhecimento humano. Esse Seminário contou
com a participação das figuras mais importantes da intelectualidade
pernambucana e, por ser aberto ao público, suas sessões eram bastante
concorridas.
Na edição de 12
de janeiro de 1992, do Diário de Pernambuco, o jornalista Manoel
Barbosa, na seção Ciência & Tecnologia, destacou o Seminário dos
Múltiplos Saberes como um valioso veículo de diálogo interdisciplinar
entre pessoas das mais diversas áreas do conhecimento humano, não só no campo
da ciência, mas também da filosofia, da religião e das artes. No seu artigo
intitulado Múltiplos Saberes, disse o jornalista:
“Grupos e pessoas
estão trabalhando no Recife na disseminação de um novo tipo de saber. É um
movimento não institucionalizado. Nem sequer tem consciência de que é um
movimento ou uma corrente de pensamento. Caracteriza-o uma abertura
incondicional e desmedida, sem limites; não há proselitismos, doutrinações,
personalismos. Todo esforço enquadra-se no que a pensadora norte-americana
Evelyn Ferguson chama de “conspiração de Aquarius”; uma gigantesca corrente
transcultural, transnacional, anarco/espiritualista e holística e onde cada
pessoa (independente de idade, ideologia ou crença) contribui à sua maneira e
de forma natural sem ter a menor consciência de estar participando de uma
revolução conceitual.
Um dos núcleos
onde esse novo tipo de saber informal , mas real, vai ser exposto de forma
mais sistemática é o Seminário dos Múltiplos Saberes. É uma idéia do
parapsicólogo Valter Rosa Borges, criador e presidente do Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Ele teve esse pensamento ao
constatar uma brecha no ensino acadêmico que, entregue aos seus próprios
problemas estruturais, não tem tido fôlego para abarcar a ampla variedade de
novos conceitos derivados dos desdobramentos de pesquisas em várias áreas.
“É uma idéia que,
agora, estamos consolidando” revela Valter. Seu propósito é promover palestras
e cursos com especialistas e estudiosos de diversos campos. Está pretendendo,
por exemplo, desencadear o processo em fevereiro, programando, entre outras,
palestras com o professor Attilio Dall’Olio sobre o tema “Física e Sociedade”
e o médico Fernando Antônio que vai abordar “Morte - Uma Nova Abordagem
Médica”.
Por “múltiplos
saberes”, Rosa Borges entende o conhecimento não especializado, empírico e
fundamentado nas novas realidades da sociedade. Isso o ensino formal não tem
explorado em função de suas limitações e filosofia. Nos seminários, os
palestrantes serão pessoas integradas ao saber acadêmico, porém com uma visão
mais eclética - holística. E esses especialistas, que têm muitas vezes
inibições na cátedra, amarrados aos enquadramentos curriculares, poderão
soltar-se e dar um curso mais livre às suas ilações, embora sem derivar para
especulações exóticas.
Participa ainda
do projeto o parapsicólogo Ivo Caruzo, também do Instituto. Assim como Valter
Rosa Borges, ele tem se esforçado para depurar a pesquisa do paranormal de
todo conteúdo mágico, mesmo sem deixar de estudar a magia como fenômeno
psicossocial.
Entendo que esse
movimento pode ser a partida para eventos de grande envergadura. Pernambuco
tem compensado sua fragilidade econômica com uma atividade intelectual muito
rica, a ponto de se impor, por esse aspecto, nacional e internacionalmente.
Nas vésperas do Terceiro Milênio e no contexto de uma nova conjuntura, com a
mudança de paradigmas em praticamente todas áreas - na ética/comportamental,
inclusive -, estão rompendo-se as barreiras das disciplinas científicas e do
conhecimento, impondo-se um saber mais abrangente e fortemente
interdependente. E o Estado não deve ficar à margem dessa aventura da
informação.
Pernambuco já
pagou muito caro pelo acervo da cultura dos bacharéis. Os tempos são outros,
qualitativamente diferentes. O conhecimento tende a ser o produto de maior
valor, tomando o lugar do brasão acadêmico formal. Reunir as cabeças mais
afinadas com os novos tempos e, a partir delas, gerar correntes de pensamento
identificadas com o mundo de amanhã, certamente terá reflexos positivos na
formação da massa crítica indispensável a uma sociedade moderna.
O
Seminário dos Múltiplos Saberes tem uma credencial toda especial: é uma
iniciativa particular, forjada pelos mais salutares propósitos e impulsionada
pela dinâmica do ideal. Como respaldo, há o currículo dos que estão à frente
do empreendimento."
Desde
a criação do Seminário dos Múltiplos Saberes, o Instituto vem desenvolvendo
atividades culturais no campo das artes e da literatura. Este ano, inaugurou o
Espaço Cultural IPPP, com a finalidade de promover encontros literários
e artísticos, lançamento de livros e exposição de desenhos, pinturas e
fotografias. Na solenidade de inauguração, lancei o meu mais novo livro de
poesias “Meditações do Entardecer” e minha esposa, Selma Rosa Borges, promoveu
a sua primeira exposição de pinturas, intitulada “Em Busca da Arte”.
Por
iniciativa de Maria da Salete Rego Barros Melo, reuniram-se escritores e
artistas pernambucanos no Espaço Cultural IPPP para apresentação de seus
trabalhos, evento este que passará a ocorrer trimestralmente no primeiro
sábado do mês, no horário das 16 às 18 horas.
Comentários sobre o IPPP.
Em 1985, o
trabalho do Instituto foi reconhecido fora do Estado, quando, na Folha
Espírita do mês de janeiro, Karl W. Goldstein, (pseudônimo de Hernani
Guimarães Andrade) em artigo intitulado “As Sociedades de Pesquisa Psíquica”,
considerou o IPPP como uma das melhores instituições de Parapsicologia no
Brasil.
No ano seguinte,
a Câmara Municipal do Recife aprovou o Requerimento no 263,
de 25.03.86, do Vereador Mauro Ferreira Lima, consignando voto de
congratulações pelos relevantes serviços prestados pelo IPPP, no campo da
investigação científica dos fenômenos paranormais, ao Estado de Pernambuco. E
a Assembléia Legislativa de Pernambuco aprovou o Requerimento no
2.909, de 11.04.86 do Deputado Ribeiro Godoy e o Requerimento no
2.960, do Deputado Hugo Martins, consignando votos de congratulações pelos
relevantes serviços prestados ao Estado pelo IPPP.
Como
a única instituição de Parapsicologia no Nordeste brasileiro e uma das mais
importantes e antigas do país, as décadas do IPPP. não passaram despercebidas.
Na
sua edição de 24 de dezembro de 1982, o Diário de Pernambuco publicou
matéria sobre o 10o. aniversário do Institituto a comemorar-se no
dia 1o. de dezembro de 1983. E, em 1993, a Assembléia Legislativa
de Pernambuco aprovou o Requerimento nº 6.006, de 15.09.93, do Deputado
Geraldo Barbosa, consignando voto de congratulação pela passagem dos vinte
anos de fundação do IPPP.
Em 22 de maio de 1989, o Jornal do Commercio transcreveu um
artigo de Luísa Meireles, de Lisboa, a qual destacou as atividades do
Instituto no campo das investigações parapsicológicas.
Em 1992, a
Revista Brasileira de Parapsicologia, no seu primeiro número, publicou a
História do IPPP e assim se expressou no seu Editorial:
“Na
seção Nossa História, o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
conta seus avanços e desafios. O Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofísicas - I.P.P.P. - foi convidado a contar sua história em primeiro
lugar tendo em vista ser um dos grupos mais antigos que atuam no campo no
país, o que lhe dá o caráter de pioneirismo. Em segundo lugar pelo
reconhecimento de que é um grupo que realmente funciona. As críticas que por
ventura tenhamos em relação a certos pressupostos desse instituto são
insignificantes frente à grandiosidade das verdadeiras conquistas em elevar a
Parapsicologia ao nível que merece neste país. Assim, o convite se expressa
como homenagem e carinho aos integrantes do Instituto Pernambucano de
Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P. -.”
Em
1998, na Revista Argentina de Psicología Paranormal, vol. 9, Número 1
(33), de janeiro deste ano, o parapsicólogo argentino Alejandro Parra, Diretor
da Revista, no seu artigo “Comentarios, Breves Notas sobre la
Parapsicologia en Brasil”, assim escreveu:
“Escribiendo estas breves lineas me interesaría destacar «highlights» de la
actividad parapsicológica en Brasil revisando aquel los estudios que -a mi
entender- resultan sumamente atractivos debido a sus implicaciones para la
sociología de lo paranormal. En el futuro los parapsicólogos brasileros
necesitarán escribir un libro (o una serie de articulos) que introduzca al
lector al desarrollo de la parapsicología en Brasil, su historia, sus
principales características, y sus aportes al conocimiento científico general
de la naturaleza de psi. Este libro aún busca un autor. Sin embargo, aunque
estas notas no pretender valorar criticamente estas actividades, podrán de
todos modos resultar útiles para aquel interesado en visitar Brasil y conocer
muchos de los grupos que dedican tiempo y esfuerzo a este campo, enfatizando
el resultado de uno de los encuentros parapsicológicos que yo tuve ocasión de
participar, celebrado durante los días 31 de Octubre al 2 de Noviembre de 1997
en la ciudad de Recife, en el estado de Pemambuco, al nordeste de Brasil. Por
ello, y en parte en agradecimiento a toda la gentileza expresada por el grupo
organizador, el Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas (IPPP)
coordinado por el veterano parapsicólogo nordestino Valter da Rosa Borges, me
obliga a escribir este breve artículo respecto al trabajo de los
parapsicólogos de habla-portuguesa de aquella región.
Após fazer um
estudo minucioso das atividades parapsicológicas no Brasil, destacando pessoas
e instituições, Parra teceu as seguintes considerações sobre o I.P.P.P.:
“El Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas fundado en 1973 por
Valter da Rosa Borges, se ha convertido en un centro de actividad nacido en el
nordeste del Brasil. Borges y Caruso (1986), y Borges (1992) han señalado la
importancia de construcciones teóricas para una interpretación del fenómeno
psi, y han estimulado a sus colaboradores ha seguir esta línea."
Cuadernos de Parapsicología, em seu nº 4, Ano 32, de dezembro de 1999, sob o
tema "Aporte a la Segunda Reunión Iberoamericana para la Promoción y
Realización de Investigaciones Científicas en Parapsicología" publicou artigos
de Geraldo Sarti e Naum Kreiman, que opinaram a respeito das atividades
parapsicológicas, notadamente no Brasil e na Argentina.
Geraldo Sarti
assim se expressou:
Por otra parte, Pernambuco concentra varias actividades experimentales,
constituyendo actualmente el principal núcleo de investigaciones de
laboratorio y de campo. El Instituto Penambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
- IPPP - sostiene desde hace tiempo un curso de posgrado en Parapsicología,
formando profesionales y cientificos muy calificados en el área.
Por sua vez, Naun Kreiman, na sua
proposta para uma bibliografia básica para a investigação experimental,
asseverou:
“En la Argentina, podemos citar las obras de Naum Kreiman: "Curso de
Parapsicología", el "Manual de Procedimientos Experimentales y Estadísticos en
Parapsicología, y por ahora el primer tomo de "Investigaciones Experimentales
en Parapsicología". Estos libros unidos a los propuestos por los colegas
brasileños, podrían constituir ya un buen respaldo bibliográfico, como por
ejemplo: "Psicons", del Dr. G.S. Sarti, "O Tempo e a Mente" del Dr. Horta
Santos, "Parapsicologia e Ciência" del Dr. Carlos Alberto Tinôco, "Manual de
Parapsicologia" del Dr. Valter Da Rosa Borges. Y en Ingles podríamos mencionar
solo dos libros el ''An Introduction to Parapsychology", de H.J. Irwin, por su
clara metodología, y el del Dr. Dean Radin ''The Concious Universe'' por la
actualidad de algunos temas y sus aportes estadisticos."
Nas edições de
1998 e 1999, a Asociación Iberoamericana de Parapsicología, no seu Boletin
Informativo AIPA divulgou as atividades do Instituto.
Conclusão
Após três décadas
de luta, procurando fazer do IPPP um centro de referência, não apenas
nacional, mas também internacional, do estudo e da investigação em
Parapsicologia, tenho a indescritível satisfação de ver plenamente realizado
esse objetivo. Para isso, contei com a inestimável colaboração de abnegados
companheiros cujos nomes são constantemente citados neste trabalho. O meu
maior empenho foi tratar a complexa fenomenologia paranormal à luz da
metodologia científica, contando para isso, na formação do que denominamos de
Escola Pernambucana da Parapsicologia, com a colaboração e o idealismo de Ivo
Cyro Caruso e Ronaldo Dantas Lins Filgueira.
Por certo, nem
todos os fatos da história do Instituto foram aqui relatados. Quase nunca a
documentação de uma instituição e a memória dos seus sócios mais participantes
são suficientes para resgatar a sua completa biografia. Somente os fatos
importantes deixam a sua marca e se preservam através do tempo. Porém, um
extenso cotidiano de acontecimentos menores, embora extremamente importantes
por sua significação e resultantes de uma convivência solidária, perdem-se
irreversivelmente nos obscuros corredores do tempo e da memória. E, a rigor,
são estes fatos aparentemente insignificantes que constituem o cimento e os
tijolos da construção do objetivo comum.
O IPPP, mais do
que uma entidade jurídica, é um estado de espírito e uma experiência de
convívio intelectual e afetivo. Ele se visibiliza em cada um dos seus
associados, preservando, assim, a sua própria identidade, no decurso de três
décadas. É uma herança abstrata que se comunica a cada geração de novos
associados. E, enquanto essa sucessividade for preservada o IPPP continuará
vivo e cumprindo a missão que lhe foi predeterminada por seus fundadores.
* Este trabalho se fundamentou,
em quase sua totalidade, no livro “A Parapsicologia em Pernambuco” (2000), de
Valter da Rosa Borges.
(*) Publicado no número especial do
Anuário Brasileiro de Parapsicologia - 2003