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AMOR

 

 

Cada amor é único.

 

Da morte de uma paixão

Pode nascer o amor, ou não.

 

No amor, não há defesa imunológica:

Ele acende a paixão e apaga a lógica.

Amar é também aceitar o risco de sofrer pela perda da pessoa amada.

 

No futuro, talvez, o ser amante

Não seja mais do que um mero implante.

 

Amor – o invisível laço,

Que é mais forte do que o aço.

 

Também, no amor, existe

Alguma alegria triste.

 

O amor é sempre o fermento

Que aduba cada momento.

 

Por que o verbo amar

Tem um tempo imperfeito?

 

Inútil, contra o amor, erguer muralhas,

Pois ele vencerá sempre as batalhas.

 

Remover, do amor, a algema,

É insolúvel problema.

 

Um benigno tumor

Cresce em silêncio – o amor.

O amor universal é uma utopia. Quem seria capaz de amar bilhões de pessoas, ainda que, embora impossível, conhecesse todas elas?

O amor é porcelana,

Frágil como a vida humana.

            Quem é capaz de amar seus inimigos? Há os que dizem que sim. Falam a verdade?

Quando amamos, compreendemos que nada fizemos para amar. O amor não é um ato de vontade: é um acontecimento inesperado.

Às vezes, também o amor

Tem laivos do mau humor.

            Não tente segurar o amor. Ele é um pássaro que canta, não para você, mas que você sente como se o fosse. O amor é o canto livre do pássaro. Por isso, não tente prendê-lo com as suas mãos carentes. Uma vez aprisionado, ele para de cantar e luta para livrar-se de quem o prende, e voltar a voar e a cantar.

Se pudéssemos amar a todas as pessoas, o sofrimento delas nos seria insuportável.

            Não há amor mais forte do que aquele que restou das cinzas da paixão.

Ninguém pode amar alguém mais do que a si mesmo, porque não se pode dar mais do que se tem.

O máximo do amor que damos é o máximo do amor que temos.

 

Pior que o amor perdido

é o amor que não foi dado

e tudo o que não foi gasto

no tempo que era devido.

 

Ninguém deixa de amar:

o amor é que muda de objeto.

 

Nenhuma bebida ativa

o coração moribundo,

dopado no próprio tédio.

Sem o estímulo do amor,

a vida é vivida em coma.

 

Como duas partículas
no universo quântico,
um dia, nos encontramos
pelos acasos do amor.
Embora nos separemos
e nunca mais nos vejamos,
estaremos sempre em contato
em qualquer lugar do infinito.
Essa não-localidade
(o amor também é quântico)
une todas as partículas
e corações no universo.
O espaço dos que se amam
ocupa todo o infinito.

 

Somos mais fortes quando o amor é o nosso ponto forte.

 

O amor não conhece custos e lucros.

 

Há aqueles que são amados pelo que fazem, não pelo que são. E há os que nada fazem e são amados pela sua atraente inutilidade.

 

O amor é uma dádiva sem retorno.

 

Não amamos porque queremos. Como podemos amar alguém, que ainda o consideramos um inimigo? O amor não resulta de um dever, ou da nossa vontade de amar. O amor é um sentimento e, por isso, não pode ser imposto.

O amor atrofiado é aquele que tem por objeto apenas uma pessoa. Quanto mais amamos, mais o amor nos enriquece. E há inumeráveis formas de amar. Não se pode amar igualmente as pessoas, pois as formas de amar são qualitativamente diferentes por mais que sejam semelhantes. Quem quer ser amado e exige amor, na verdade não ama. O amor que espera contraprestação não é amor, é carência afetiva, decorrente da incapacidade de amar.

O amor, que é o nosso sentimento maior, nem sempre resiste ao desgaste do tempo.

Nem sempre é fácil fazer uma distinção entre o amor e uma forte amizade.

            O amor não tem utilidade. Para que serve o amor? E, no entanto, necessitamos dele, apesar de sua inutilidade.

Não há nada mais solidamente presente do que a ausência do que foi amado.

 

            O amor é o nosso holocausto, oferecido à pessoa amada.

Amamos ou não amamos. Não podemos querer ou dever amar.

Se nem sempre temos certeza de que amamos, como podemos estar certos de que somos amados?

       Amar é cuidar de alguém mais do que cuidamos de nós.

            O amor é essa ânsia incontida de servir a outrem. Amar é cuidar. Quem quer gozar o outro, não lhe tem amor. Quem quer gozar com o outro ainda não é garantia de amor. Amar é servir e cuidar: este é um gozo que pode ser acrescido pelo prazer sexual.

Quando nos aborrecemos de alguém é porque o amor já se acabou.

Se, como se diz poeticamente, o amor é infinito, ele não pode ser medido.

O amor é uma prisão cujas grades e algemas são invisíveis.

O amor, às vezes, nos enfraquece.

O amor é a perfeição do ser humano. Quem nunca amou é um ser imperfeito.

O amor pode começar pela paixão. Mas, se a paixão não se transformar em amor, não subsistirá por muito tempo.

Ninguém é solitário quando ama. O ato de amar por si só neutraliza a solidão.

Há muitas formas de amar. Por isso, podemos amar muitas pessoas de modos diferentes. Quem ama apenas uma pessoa corre o risco de sofrer se vier a perdê-la.

Será que há um motivo para amar?

O amor é um paradoxo.  Não é para ser compreendido.

O amor não conhece tribunais.

O amor não gera direitos e obrigações. O casamento, sim.

Tornar feliz a pessoa que amamos nem sempre está ao nosso alcance.

Se nem sempre temos certeza de que amamos, como podemos estar certos de que somos amados?

Quem deseja ser amado, deseja ser protegido. Quem ama, encontra no amor a plena satisfação.

Confunde-se o amor com atração sexual, necessidade de segurança emocional, medo da solidão, companheirismo neurótico, sentimento de gratidão. Tudo isso pode gerar amizade, solidariedade, fidelidade, mas não é amor. Por isto, pode haver amizade entre os dessemelhantes: jamais o amor.

Há pessoas que pensam que amam. Apenas pensam.

O amor é o maior inimigo do eu.

A afinidade entre as pessoas predispõe-nas a se amarem.

É uma fantasia o amor universal. Amamos algumas pessoas, mas não todas as pessoas do mundo. Não se ama quem não se conhece. Podemos sentir compaixão pelos que sofrem, sem, no entanto, amá-los. Se sofrêssemos por todas as pessoas que sofrem, o nosso sofrimento seria permanente e insuportável.

Ninguém pode amar a humanidade. É humanamente impossível amar bilhões de pessoas que não conhecemos.

Quem ama não perdoa, porque jamais se sente ofendido por aquele a quem ama.

Como poderemos amar a quem nos odeia? O amor não depende da nossa vontade. Se, um dia, amarmos quem nos odeia, não foi por que o quisemos, mas porque simplesmente aconteceu.

O amor é mais forte do que a razão. É uma experiência invencível pela lógica.