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AGENDA DA VIDA

 

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O egoísmo nos protege contra o amor exagerado. Só temos capacidade de amar um limitado número de pessoas. Apenas sentimos a perda das pessoas que amamos e/ou admiramos.

 

Se pudéssemos amar a todas as pessoas, o sofrimento delas nos seria insuportável.

 

A amizade se alicerça no interesse comum. Não se ama o diferente: convive-se com ele.

 

O comportamento humano nem sempre é previsível, mesmo em situações semelhantes. Assim, não podemos prever, com certeza, como as pessoas se comportarão no futuro em situações diferentes das atuais.

 

Em situações diferentes, as pessoas podem ser anjos ou demônios.

 

É impossível o diálogo entre uma pessoa que não tem certeza de nada e outra que tem certeza de tudo.

 

Há momentos em que a nossa melhor companhia é estarmos a sós, sentindo plenamente o nosso corpo quase sempre esquecido e pouco percebido.

 

O progresso real do ser humano é o desenvolvimento contínuo de sua aptidão de lidar com as mudanças físicas e sociais do mundo em que vive.

 

            Há pessoas que tudo fazem para serem necessárias. É uma forma de se sentirem seguras, de obterem valor social, e também pelo medo de serem abandonadas quando não forem mais necessárias.

 

            Aceitar obrigações desnecessárias é fazer mau uso de nossa liberdade e desperdício de nosso tempo.

 

            A popularidade quase sempre converte uma pessoa em escravo da opinião dos outros.

 

O rebelde é também um radical: não admite que possa estar errado.

 

            Não nascemos para o prazer e nem para o sofrimento. Apenas nascemos. Tudo o mais é circunstância.

 

            Não há amor mais forte do que aquele que restou das cinzas da paixão.

 

            Ninguém pode amar alguém mais do que a si mesmo, porque não se pode dar mais do que se tem. O máximo do amor que damos é o máximo do amor que temos.

 

            A sabedoria não tem donos. E raros são os seus usuários.

 

            Não há maior apego do que o amor. O maior sofrimento é a perda de quem amamos.

 

            É preciso que nos acautelemos contra a nossa vaidade. Ela pode ser seduzida quando provocada.

 

            Há idéias que amamos como a nós mesmos.

 

Somos mais livres quando nos sentimos desnecessários, mesmo ajudando os outros.

 

            Quem diz que não tem esperança, espera estar certo.

 

            O que fazemos, nem sempre acontece. O que não fazemos, às vezes, acontece.

 

            Na vida, há muitos becos sem saída. Nem sempre sabemos quais são.

 

            A vida social é uma contínua adaptação das pessoas entre si, segundo cada circunstância.

 

            O amor nos torna generosos.

 

            É preciso saber aproveitar o que nos dá prazer e minimizar tudo o que nos faz sofrer.

 

            Somos os intérpretes e juízes de tudo o que nos acontece.

 

            Ninguém se sente solitário, quando lhe agrada a companhia de si mesmo.

 

            Quem sempre foi imprestável quando era vivo, será útil, depois de morto, para os micróbios.

 

            Não há algo mais útil do que a beleza. A vida seria tediosa se ela não existisse.

 

            A satisfação parcial frustra. A satisfação total entedia.

 

            Na juventude, o sexo domina. Na velhice, somente a saudade de sua dominação.

 

            Não há vergonha em não se poder suportar certas agruras da vida. O heroísmo é reconhecer-se a impotência de não suportá-las.

 

            Quanto menos desejamos, mais livres somos.

 

            O único meio de alguém não ser invejado é não ter valor.

 

            O problema não é desejar, mas submeter-se aos desejos inconvenientes.

 

            Sartre afirmou: “O inferno são os outros”. Eu acrescento: e o céu também.

 

            O elogio é quase sempre suspeito. É uma forma sutil de sedução.   

 

            Temos a propensão de ajudar as pessoas que nos parecem simpáticas e esquivarmo-nos de ajudar as que nos parecem antipáticas.

 

            As coisas valem pelo que simbolizam. As pessoas, pelos símbolos coisificados que ostentam.

  

            Mesmo os seres espirituais mais evoluídos do universo não podem provar que são imortais.

 

            Quando estamos irados, dizemos muitas tolices. A emoção não tem juízo.

 

            Não fazer mal aos outros é pacifismo. Não reagir quando os outros nos atacam ou é burrice ou covardia. O agressor fica mais violento se não encontra reação do agredido. A violência que combate a violência não é um mal, mas uma solução.

           

            Paradoxalmente, quanto mais somos livres e temos, cada vez, mais opções, sentimos aumentar a insegurança em nossas escolhas. A liberdade, quanto maior, nos desconcerta.

 

            Sabemos que existimos quando nos relacionamos com os outros. Se não fossem os outros, saberíamos da nossa existência? Se cortássemos todos os nossos relacionamentos, nada mais seríamos do que ruminantes de nós mesmos. 

 

            Por que esperar a morte? A morte é uma visita inesperada.

 

            Não façamos dos gênios ícones sagrados. Eles não devem ser objeto de contemplação ou de adoração. Enquanto não os transformarmos em carne na nossa carne, eles serão apenas formas materiais inúteis.

 

            Quando amamos, compreendemos que nada fizemos para amar. O amor não é um ato de vontade: é um acontecimento inesperado.

 

            Não tente segurar o amor. Ele é um pássaro que canta, não para você, mas que você sente como se o fosse. O amor é o canto livre do pássaro. Por isso, não tente prendê-lo com as suas mãos carentes. Uma vez aprisionado, ele para de cantar e luta para livrar-se de quem o prende, e voltar a voar e a cantar.

 

            Não sinto a necessidade de ser imortal. Nem me desespero em ser mortal. E se sobreviver, não sei o que serei.

 

            Ninguém é dono da verdade. Como alguém pode ser dono do que não existe, a não ser subjetivamente. E, se se trata de subjetividade, cada um que fique com a sua.

 

            A incapacidade de fazer o mal, revidando uma agressão, tornaria impotente uma pessoa para defender-se, pondo em risco a sua integridade física ou a sua vida.

 

            Sentimos, pensamos e agimos segundo as circunstâncias e os nossos condicionamentos culturais e pessoais.

 

            Quem se acostumou à tirania, perdeu a noção de liberdade.

 

            Quem perdeu o interesse pela vida é um cadáver vivo.

 

            A nossa intimidade total é inviolável, até mesmo para nós.

 

            Quanto mais me aproximo de mim, menos me vejo. Só de longe percebo o que me pareço ser.

 

            A razão tem inimigos poderosos: a fé, a autoridade e a imaginação.

 

            Algumas vezes somos julgados pelo que já não somos. Julga-se, assim, uma pessoa que não mais existe.

 

            Na biblioteca, há uma convivência silenciosa entre autores vivos e mortos.

           

            O presente é o tempo e o lugar de viver o que se passa, de recordar o passado e de sonhar o futuro.

 

            Quem se torna mito está além do bem e do mal. Todo mal que comete ou cometeu é e será esquecido, e todo bem que tenha feito é e será lembrado.

 

A saudade é a sombra do passado que sempre nos acompanha.

 

Quanto mais conhecemos, mais duvidamos.

 

Quanto mais livre somos, mais os escravos nos odeiam.

 

As pessoas gostam dos heróis, mas, algumas vezes, também dos vilões. Afinal, eles fazem coisas extraordinárias, que fascinam as pessoas comuns.

 

            As formigas precisam aprender a gastar. As cigarras precisam aprender a poupar.

 

            Quanto maior o número de opções, menor a nossa capacidade de escolha. Em tal situação, a liberdade nos pesa como um fardo.

 

            Se formos imortais, não suportaremos um sofrimento eterno. E nem uma felicidade eterna. Ficaríamos embotados, porque a vida é o equilíbrio resultante da alternância dos contrários

 

            É inevitável. Cada geração esquece a anterior.

 

            Há pessoas que são especialistas. E outras que são especiais.

 

            A natureza pode não ter propósitos, mas nós os temos. Utilizamos os seus fenômenos para atender os nossos objetivos e as nossas necessidades.

 

            Trabalho em mim. Esse é o meu mais importante trabalho.

           

            Pensamos conhecer uma pessoa pelo que ela fala, escreve e age. Nunca podemos realmente conhecê-la. Muitas pessoas são como devem ser, não como são. Somos atores no enredo social de nossa vida. Mas não conhecemos o autor.

 

            Se a vida é um sonho, quem é o sonhador?

            Se somos sonhos que sonham, quem é que nos sonha?

             

A espontaneidade é incômoda. Por isso, a hipocrisia na vida social.

 

Se renunciarmos a tudo, o que nos ficará?

De que nos serve não ser nada?

 

Não é preciso amar: basta ajudar, mesmo que seja apenas por solidariedade ou compaixão.

 

            Ó, bendita ignorância! Quanto mais sabemos, mais ignoramos. O que seria de nós, se soubéssemos tudo?!

 É próprio do ser humano almejar um poder ilimitado para realizar tudo o que deseja. E o meio mais eficaz para obtê-lo, é enriquecer, utilizando de todos os meios, mesmo os ilícitos. Se isso fosse possível, a saciedade, em breve, o consumiria por um tédio invencível.

 

O bem está se tornando um bem de consumo descartável. É o comércio das emoções que nunca deixa o consumidor satisfeito.

  

Os ditadores, em geral, são populistas e sedutores. Eles encantam as pessoas, mesmo alguns intelectuais e artistas, pelo seu delírio arrebatador e pela sua megalomania extrema.

 

Todos querem possuir cada vez mais. Possuir mais bens materiais. Possuir mais conhecimento. Como há bens supérfluos, há também conhecimentos dispensáveis. São quinquilharias materiais e quinquilharias intelectuais.

 

Quanto mais temos, menos somos. A posse nos aprisiona.

 

Em todos os séculos, sempre poucos entenderão. Até mesmo os eruditos.

 

Um fósforo ilumina a escuridão. Mas, logo se apaga. E assim acontece com todos os fósforos. Invencível escuridão!

 

O asno – conselheiro simbólico da maioria das pessoas.

 

Quase sempre frustrante a busca da verdade. Consola-nos o verossímil.

 

O nosso verdadeiro bem é o que somos.

 

Quem tem juízo, suspende o juízo sobre todas as coisas. Principalmente aquelas tidas por verdadeiras.

 

Quem voa muito alto raramente é visto.

 

Felicidade é aquele estado em que nada desejamos.

 

Evitar, sempre que possível, os tolos. Mas, quando na presença deles, parecer também um tolo.

 

O silêncio incomoda os tolos.

 

O sábio se compraz em viver quase sempre escondido. É a sua única proteção.

 

O economista é um vidente poucas vezes bem sucedido.

            

            Não sei o que fazer do que não fiz. O não feito é um passado que incomoda.

 

Cremos, quando falamos, que fomos entendidos. Os que nos ouvem, crêem que nos entenderam. Então, estamos entendidos. Tudo, além disso, é supérfluo.

 

De longe, não se vê o detalhe. No detalhe, não se percebe o longe. A alternância dos dois produz a compreensão.

  

Só sabemos, com certeza, sobre algo, quando sabemos do que ele é feito e como funciona.

 

O óbvio é tudo aquilo que, por sua familiaridade, nos impede de vê-lo.

 

Na maioria das vezes, somos vítimas de nós mesmos. Nada mais prejudica o ser humano do que a ignorância.

 

As probabilidades não são iguais. Há aquelas que, segundo as circunstâncias, têm mais probabilidade de acontecer.

 

Quase sempre as verborréias são vazias de idéias.

 

Os outros nos transformam. Somos um outro com cada outro. A sós, somos um só.

 

Nem sempre sou razoável. E nem sempre gosto quando o sou.

 

O individualismo nos medíocres é uma permanente ameaça para a sociedade, principalmente quando eles estão no poder.

 

Tememos a nossa morte e a dos outros. Às vezes, mais a dos outros.

 

            A Vida não é boa nem má. Nós é que ficamos de bem ou de mal com a Vida.

 

Somos sempre outro, formado dos outros que já fomos.

 

            Somos o que podemos, não o que queremos. O querer não excede os limites do poder.

            Não sabemos tudo o que podemos. E acreditamos não haver limites para tudo o que queremos.

            O querer só pode ser poder, quando não ultrapassa os limites do poder.

                                                       

A imaginação não tem compromisso com a lógica. A lógica é um mundo fechado e escrava da coerência. A imaginação não tem limites.  

 

            O grau de liberdade de uma pessoa se mede pela quantidade de escolhas possíveis. Porém, o excesso de escolhas pode torná-la insegura e confusa.

 

            Todos querem o prazer. Há muitas formas de prazer. Até o prazer de sofrer e de fazer sofrer. Apenas sofrer é uma anomalia. Já nascemos dependentes do prazer.

 

            Se sabemos e não utilizamos o que conhecemos, de que serve o nosso conhecimento?

 

Podemos pensar as coisas mais absurdas sobre o que não sabemos e somos perdoados pela nossa ignorância.

 

            Evite te envolveres com o que pode te dominar.

 

            É extremamente difícil encontrar a agulha da verdade no palheiro das mentiras.

 

            Biblioteca: uma floresta de livros, habitada por idéias.

 

            Esperemos pouco das pessoas. Ninguém está obrigado a nos ajudar.

 

            Não nos obriguemos desnecessariamente.

 

            A solidão total é não pensarmos em ninguém.

 

            O pior da solidão, para algumas pessoas, é a constante presença de si mesmas.

 

            A companhia de certas pessoas nos deixa solitários.

 

            Falamos muito quando estamos calados. Os falantes pensam que conversamos com eles enquanto não param de falar.

 

            Os livros que escrevemos são uma forma de ficarmos quando formos.

 

            Há os que pensam que a vida é a medida de sua ambição.

 

            Um povo sem governo é uma utopia. A esperança é que o governante faça mais bem do que mal.

 

            Todos gostam de elogio. Mas poucos sabem quão perigoso ele é. O elogio é uma hipnose.

 

            Habituarmo-nos demais com as coisas, é predispormo-nos a sofrer com a sua perda.

 

            Nunca chegaremos ao futuro: estamos sempre fincados no presente.

 

            Não ouvir o silêncio é uma forma de surdez.

 

            O silêncio tem mais significados do que o que se fala.

 

            A arte de calar é mais difícil do que a arte de falar.

 

            O silêncio incomoda quem não sabe silenciar.

 

            As palavras são, muitas vezes, supérfluas. O silêncio, não.

 

            O silêncio dos mortos continua gerando palavras sobre eles nas pessoas que o amaram.

 

            Nada há mais eloqüente do que o silêncio.

 

            Calar pode também indicar compreensão.

 

            As guerras, apesar de todos os sofrimentos e horrores, são também uma forma, embora cruel, de produzir conhecimento.

 

            A obediência é, algumas vezes, anestesia mental.

 

            Há mentiras que, por sua beleza, parecem verdadeiras. E há verdades insuportáveis que desejaríamos que fossem mentiras.

 

            Não há exercício melhor para nos conhecer do que observar os outros.

 

            A inteligência é uma aptidão dos seres vivos de resolver situações inabituais ou imprevistas.

 

            O amor universal é uma utopia. Quem seria capaz de amar bilhões de pessoas, ainda que, embora impossível, conhecesse todas elas?

 

            Quem é capaz de amar seus inimigos? Há os que dizem que sim. Falam a verdade?

 

            Falamos demais e compreendemos pouco. Palavras são palavras. Coisas são coisas. Juntá-las não nos dá compreensão. Só o silêncio é neutro.

 

Quanto mais percebo o aumento da minha ignorância maior se torna a minha vontade de saber.

 

Não precisamos de um jardim para nos deliciar com a companhia dos amigos. A convivência com eles é o jardim.

 

            Na minha agenda só tenho um compromisso inadiável: viver.

 

            A criatividade é uma súbita descontinuidade no processo da rotina.

 

            Cada um de nós é um misterioso labirinto no qual muitas vezes nos perdemos.

 

            O amuleto é a muleta dos crédulos.

 

            Só conhecemos o que aprendemos a fazer, o que podemos prever, o que podemos controlar, o que podemos mudar.

 

            O mistério atrai as pessoas: elas se fascinam por tudo o que não compreendem.

 

            No curso do tempo, mudamos. E os nossos amigos também. Por que, ainda, nos surpreendemos com isso?

 

            A fé é a força que move a vontade. Na quase totalidade das pessoas, a vontade é inercial.

 

            As pessoas que mudam o rumo dos acontecimentos são, na verdade, apenas agentes de mudanças que, de um modo ou de outro, aconteceriam.

 

            O paradoxo é uma forma alternativa de pensar.

 

            A amizade entre países é uma abstração útil, enquanto permanecem os interesses comuns.

 

            A censura, sob todas as formas, inibe a espontaneidade e facilita a hipocrisia. As pessoas só se desvelam nos momentos de espontaneidade.

 

            A pobreza, quando inevitável, é sempre aviltante e conformista. Elogiar a pobreza é violentar a natureza humana.

 

            A História não é apenas constituída de fatos, mas também de mitos. O historiador é um contador de histórias, interpretando fatos e enganando-se com mitos.

 

            O território da imaginação é o maior de todos os lugares.

 

            A coerência nos adormece. O contraditório nos desperta.

 

            As nações necessitam de heróis. Por isso, eles são inventados, e os mitos passam a ser histórias.

 

            A criatura só pode superar seu criador se ele a fez para superá-lo. Que criador faria isso?

 

            O medo nos levou a criar deuses. A vaidade nos induziu a criar heróis humanos ou filhos de deuses.

 

            O desejo de compartilhar é próprio da natureza humana. Raras são as pessoas que suportam a solidão e o anonimato.

 

            Quase sempre, somos plágio de nós mesmos.