PARA ONDE CAMINHA O TEATRO BRASILEIRO?

13 de junho de 1969

 

 

O Teatro se originou das Grandes Dionisía­cas, ou festas de Dionísio, celebradas em Atenas, em fins do século VI a.C. Dessas representações, realizadas ao ar livre, no santuário de Dionísio, resultou a obra prima do teatro grego - a tragé­dia -, que teve em Ésquilo, Sófocles e Eurípides os seus expoentes máximos.

Depois de Eurípides, a tragédia entrou em declínio, surgindo, então, a comédia, onde se destacou a figura de Aristófanes.

Em Roma, Plauto e Terêncio consolidaram, definitivamente, a comédia como gênero teatral. Da tragédia romana, apenas sobreviveram algumas peças de Sêneca.

O teatro medieval, à semelhança do antigo, é, também, de fundo religioso, sendo que, naquele, os enredos são tirados da história bíblica. O palco era a praça central da cidade, e toda a população participava, diretamente, do espetáculo. As duas maiores peças medievais são holandesas: Lanseloet e Elckerlyc. No fim da Idade Media e princípios de século XVI, surgiram, na península Ibérica, as peças teatrais de Fernando de Rojas e de Gil Vicente. A partir do século XVI, teve início, na Itália, o teatro moderno, que rompeu com as tradições medievais, as quais imitavam os modelos antigos, notadamente, as peças de Plauto e Terêncio. Desse período apenas merece destaque a “Mandrágora”, de Maquiavel.

A Commedia dell’Arte, originária da Itália, dominou, no século XVII, os palcos da Europa. Trissino e Aretino, apesar do incontestável valor de suas obras, não foram felizes na tentativa de imitar a tragédia grega,

Até princípios do século XVIII, na França, na Itália, na Alemanha e nos países eslavos, se desenvolveu o teatro escolar dos jesuítas, que, no entanto, pouca influência exerceu nas literaturas nacionais, dada a circunstância de ser redigido sempre em latim,

Torquato Tasso, com a sua peça “Aminta”, inaugu­rou o teatro pastoral, embora Guarini o tenha superado com o famoso “Pastor Fido”. O melodrama encontrou em Metastásio o seu maior representante.

O século XVII foi considerado o Século de Ouro da literatura espanhola. Lope da Vega que, segundo seu biógrafo, escreveu cerca de 2.200 obras, é a figura máxima de sua época, seguido por Tirso de Molina, Calderon de La Barca, Guillén de Castro y Bellvis, Perez de Montalban, Rojas Zorrilla e o mexicano Ruiz de Alarcón.

Na Inglaterra, destacou-se Shakespeare, seguido, de longe, por Marlowe, Thomas Middleton e John Webster.

O teatro francês do século XVII é radicalmente distinto dos teatros espanhol e inglês da época, caracterizando-se pela logicidade e parcimônia em contraposição a exuberância e a incoerência psicológica destes. A tragédia francesa teve em Corneille e Racine os seus melhores represen­tantes, enquanto a comédia atingiu o seu clímax com as peças de Molière. Cumpre, todavia, não esquecer o nome de Voltaire, cujas tragédias encontraram, no século XVIII, inúmeros imitadores em todos os paises da Europa.

Na Alemanha, destacou-se Goethe, apesar de fortemente influenciado por Shakespeare,

O dramaturgo Richard Wagner é a figura exponencial do Romantismo, enquanto o Realismo encontrou em Ibson, Hebbel, Hauptmann, Ostrovski e Tolstoi os seus autores mais representativos. O teatro expressionista, fundamentalmente anti-ibseniano, foi criação do sueco Strindberg, tendo exercido enorme influencia na Holanda, na Bélgica, na França, na Alemanha, na Dinamarca, na Irlanda e nos Estados Unidos da América do Norte.

O teatro poético, que reagiu contra o realismo e o naturalismo, teve, nas obras de Garcia Lorca, sua mais eloqüente expressão.

Chiarelli e Pirandello introduziram o fantástico e o anti-real no teatro, com a finalidade de destruir a personagem como unidade psicológica.

Antonin Artaud é o teórico do teatro surrealista e Ionesco se propôs a fazer o que denominou de anti-teatro.

As tendências do teatro moderno, porém, estão mais nitidamente delineadas nas peças de Bernard Shaw, Jean Paul Sartre e o polêmico Bertolt Brecht.

No teatro brasileiro, destacaram-se o Padre José de Anchieta e Antônio José da Silva, o “Judeu”, respectivamente nos séculos XVI e XVIII. O século XIX marcou o início da comédia dos costumes, com as peças de Martins Pena e Aluísio de Azevedo. Finalmente, o movimento modernista de 22 rompeu, em definitivo, com o academicismo teatral, destacando-se os nomes de Álvaro Moreira, Oswald de Andrade, Joracy Camargo e Nelson Rodrigues.

PARA ONDE CAMINHA O TEATRO BRASILEIRO?

13 de junho de 1969

 

 

O Teatro se originou das Grandes Dionisía­cas, ou festas de Dionísio, celebradas em Atenas, em fins do século VI a.C. Dessas representações, realizadas ao ar livre, no santuário de Dionísio, resultou a obra prima do teatro grego - a tragé­dia -, que teve em Ésquilo, Sófocles e Eurípides os seus expoentes máximos.

Depois de Eurípides, a tragédia entrou em declínio, surgindo, então, a comédia, onde se destacou a figura de Aristófanes.

Em Roma, Plauto e Terêncio consolidaram, definitivamente, a comédia como gênero teatral. Da tragédia romana, apenas sobreviveram algumas peças de Sêneca.

O teatro medieval, à semelhança do antigo, é, também, de fundo religioso, sendo que, naquele, os enredos são tirados da história bíblica. O palco era a praça central da cidade, e toda a população participava, diretamente, do espetáculo. As duas maiores peças medievais são holandesas: Lanseloet e Elckerlyc. No fim da Idade Media e princípios de século XVI, surgiram, na península Ibérica, as peças teatrais de Fernando de Rojas e de Gil Vicente. A partir do século XVI, teve início, na Itália, o teatro moderno, que rompeu com as tradições medievais, as quais imitavam os modelos antigos, notadamente, as peças de Plauto e Terêncio. Desse período apenas merece destaque a “Mandrágora”, de Maquiavel.

A Commedia dell’Arte, originária da Itália, dominou, no século XVII, os palcos da Europa. Trissino e Aretino, apesar do incontestável valor de suas obras, não foram felizes na tentativa de imitar a tragédia grega,

Até princípios do século XVIII, na França, na Itália, na Alemanha e nos países eslavos, se desenvolveu o teatro escolar dos jesuítas, que, no entanto, pouca influência exerceu nas literaturas nacionais, dada a circunstância de ser redigido sempre em latim,

Torquato Tasso, com a sua peça “Aminta”, inaugu­rou o teatro pastoral, embora Guarini o tenha superado com o famoso “Pastor Fido”. O melodrama encontrou em Metastásio o seu maior representante.

O século XVII foi considerado o Século de Ouro da literatura espanhola. Lope da Vega que, segundo seu biógrafo, escreveu cerca de 2.200 obras, é a figura máxima de sua época, seguido por Tirso de Molina, Calderon de La Barca, Guillén de Castro y Bellvis, Perez de Montalban, Rojas Zorrilla e o mexicano Ruiz de Alarcón.

Na Inglaterra, destacou-se Shakespeare, seguido, de longe, por Marlowe, Thomas Middleton e John Webster.

O teatro francês do século XVII é radicalmente distinto dos teatros espanhol e inglês da época, caracterizando-se pela logicidade e parcimônia em contraposição a exuberância e a incoerência psicológica destes. A tragédia francesa teve em Corneille e Racine os seus melhores represen­tantes, enquanto a comédia atingiu o seu clímax com as peças de Molière. Cumpre, todavia, não esquecer o nome de Voltaire, cujas tragédias encontraram, no século XVIII, inúmeros imitadores em todos os paises da Europa.

Na Alemanha, destacou-se Goethe, apesar de fortemente influenciado por Shakespeare,

O dramaturgo Richard Wagner é a figura exponencial do Romantismo, enquanto o Realismo encontrou em Ibson, Hebbel, Hauptmann, Ostrovski e Tolstoi os seus autores mais representativos. O teatro expressionista, fundamentalmente anti-ibseniano, foi criação do sueco Strindberg, tendo exercido enorme influencia na Holanda, na Bélgica, na França, na Alemanha, na Dinamarca, na Irlanda e nos Estados Unidos da América do Norte.

O teatro poético, que reagiu contra o realismo e o naturalismo, teve, nas obras de Garcia Lorca, sua mais eloqüente expressão.

Chiarelli e Pirandello introduziram o fantástico e o anti-real no teatro, com a finalidade de destruir a personagem como unidade psicológica.

Antonin Artaud é o teórico do teatro surrealista e Ionesco se propôs a fazer o que denominou de anti-teatro.

As tendências do teatro moderno, porém, estão mais nitidamente delineadas nas peças de Bernard Shaw, Jean Paul Sartre e o polêmico Bertolt Brecht.

No teatro brasileiro, destacaram-se o Padre José de Anchieta e Antônio José da Silva, o “Judeu”, respectivamente nos séculos XVI e XVIII. O século XIX marcou o início da comédia dos costumes, com as peças de Martins Pena e Aluísio de Azevedo. Finalmente, o movimento modernista de 22 rompeu, em definitivo, com o academicismo teatral, destacando-se os nomes de Álvaro Moreira, Oswald de Andrade, Joracy Camargo e Nelson Rodrigues.