Platão

Platão (428/27347 a.C.)

Um dos mais importantes filósofos gregos, nascido em Atenas, e cujo pensamento ainda influencia o mundo moderno.

Discípulo de Sócrates, fundou a Academia, e foi mestre de outro grandes filósofo, Aristóteles.

Acredita-se que seu  verdadeiro nome tenha sido Arístocles. Platão era um apelido que parece fazer referência à sua característica física atlética, de ombros largos, ou ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar dos temas mais diversos, como ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.

 

VRB – Viver é apenas viver? Não indagar sobre a vida e deixar simplesmente as coisas acontecerem?

 

Platão – Uma vida não questionada não merece ser vivida.

 

VRB – O que é importante na vida? Muitas são as pessoas que não sabem o que realmente são ou desejam, senão quando passam por uma experiência transformadora, uma crise existencial.

 

Platão – Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.

 

VRB – Uma das questões que mais intriga os pensadores é a realidade. Há, inclusive, filósofos que negam a realidade objetiva. Alegam que se trata de uma construção dos nossos sentidos.

 

Platão – A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma.

Vivemos no mundo do irreal onde tudo o que vemos é somente uma sombra imperfeita de uma realidade mais perfeita

 

VRB – O que é a alma? Ela sucumbe quando o corpo morre?

 

Platão – A alma é imortal; renasceu repetidas vezes na existência e contemplou todas as coisas existentes tanto na terra como no Hades e por isso não há nada que ela não conheça.

 

VRB – Se a alma não sobreviver à morte, não há qualquer punição para as pessoas que fizeram o mal, nem prêmio para as que praticaram o bem.

 

Platão – Admitamos que a morte nada mais seja do que uma total dissolução de tudo. Que admirável sorte não estaria reservada então para os maus, que se veriam nesse momento libertos de seu corpo, de sua alma e da própria maldade.

 

VRB – Como se estrutura o conhecimento. Como podemos saber que os dados de que dispomos são confiáveis para reuni-los em um sistema cognitivo coerente?

 

Platão – Toda natureza, com efeito, é uma só, é um todo orgânico, e o espírito já viu todas as coisas.

Toda investigação e ciência são apenas simples recordação.

Quando as opiniões certas são amarradas se transformam em conhecimento, em ciência, e, como ciência, permanecem estáveis.

 

VRB – O que é, então, aprender?

 

Platão – Aprender não é outra coisa senão recordar.

 

VRB – Contudo, em nível consciente, não recordamos tudo.

 

Platão – A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.

 

VRB – Tão importante como conhecer é direcionar o conhecimento para o bem da humanidade.

 

Platão – A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento.

 

VRB – Qual a natureza da alma?

 

Platão – O movimento é a natureza da alma.

 

VRB – As almas são individuais. Existe, porém, uma alma coletiva, universal que atua sobre a matéria?

 

Platão – A alma universal rege a matéria inanimada e manifesta-se no universo de múltiplas formas.

 

VRB – O nosso corpo está em contínua transformação em nível atômico e celular. Embora as mudanças sejam imperceptíveis durante muitos anos, o corpo de hoje não é o mesmo de ontem e nem será o de amanhã.

 

Platão – Cada alma usa diversos corpos, principalmente se ela vive muitos anos, pois sendo o corpo – como é possível supor – uma torrente que se esvai enquanto o homem vive, a alma incessantemente renova seu vestuário perecível.

 

VRB – A alma humana só pode reencarnar em corpo humano?

 

Platão – Uma alma humana pode entrar no corpo de um animal, e alma de um animal pode ir habitar o corpo de um homem, desde que já uma vez tenha sido homem.

 

VRB – Logo se conclui que as almas dos animais, por não terem contemplado a verdade, jamais poderão tomar a forma humana.

 

Platão – A alma que nunca contemplou a verdade não pode tomar a forma humana.         

 

VRB – Corpo e alma formam uma unidade? Ou são coisas distintas? Neste caso, qual a relação entre o corpo e a alma?

 

Platão – O corpo é para a alma uma espécie de prisão.

 

VRB – O que faz com que o corpo aprisione a alma?

 

Platão – O que é maravilhoso nesta prisão, a filosofia bem o percebeu, é que ela é obra do desejo, e quem concorre para apertar mais as cadeias é a própria pessoa.

Todo prazer e todo sofrimento possuem uma espécie de cravo com o qual pregam a alma ao corpo, fazendo assim com que ela se torne material e passe a julgar da verdade das coisas conforme as indicações do corpo.

 

VRB – Se o que prende a alma ao corpo é o desejo, o que acontece a ela depois da morte?

 

Platão - A alma que se agarra avidamente ao corpo – coisa que antes expliquei – permanece por muito tempo ainda adejando ao redor do cadáver e dos monumentos funerários, oferece resistência e sofre, e só se deixa levar pelo gênio sob violência e exigindo grandes esforços.

 

VRB – Homens e mulheres podem exercer as mesmas atividades ou elas devem ser específicas de cada sexo?

 

PlatãoTodas as ocupações próprias dos homens são também próprias das mulheres, só que estas são em tudo mais fracas do que aqueles.

Também os cargos públicos serão acessíveis tanto às mulheres como aos homens.

 

VRB – O poder quase sempre corrompe quem o detém. Isso se aplica principalmente aos governantes.

 

Platão – Os que governam não devem ser amantes do poder.

 

VRB – Seria ideal que assim o fosse. Mas, a realidade é bem outra. E, em certas circunstâncias, o governante se torna um tirano.

 

Platão – O tirano começa sempre como um protetor do povo.

Nos primeiros tempos anda cheio de sorrisos, saudando a todos que encontra e negando que seja um tirano; que promete muitas coisas em público e em privado, perdoa dívidas, distribui terras entre o povo e os de sua comitiva, e se mostra benévolo e gentil para com todos.

 

VRB – Nem sempre os que dizem odiar a tirania são sinceros.

 

Platão – Muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua.

 

VRB – Quem aspira ao poder tem de fazer certas concessões ao povo para agradá-lo.

 

Platão – Quem se associa ao povo terá de acomodar-se aos seus gostos e de produzir somente o que lhe agrada.

 

VRB – Se assim não proceder poderá provocar a rebeldia popular.

 

Platão – Em resultado de tudo o que expusemos, vê como se tornam suscetíveis os cidadãos: irritam-se à menor imposição da autoridade e não a toleram. E terminam, como sabes, votando ao mais completo desprezo as leis, escritas ou não, para não terem nada nem ninguém acima de si.

 

VRB – Como educar melhor as crianças para que possam instruir-se e, nesse processo, reconhecer-se o seu caráter?

 

Platão – Não empregues a força, meu bom amigo, para instruir as crianças; que aprendam brincando, e assim também poderás também conhecer o pendor natural de cada uma.

Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um.

A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior.

 

VRB – Poucos são os pais que sabem criar e educar os filhos.

 

Platão – Não deverão gerar filhos quem não quer dar-se ao trabalho de criá-los e educá-los.

 

VRB – Os pais, por mais que amem os filhos, não devem abrir mão de sua autoridade.

 

Platão – O pai se acostuma a igualar-se aos filhos e a temê-los, e os filhos a igualar-se aos pais e não lhes ter respeito nem temor algum, pois essa é a sua idéia de liberdade.

 

VRB – Os mestres sem força moral são condescendentes com os seus discípulos.

 

Platão – O mestre teme e adula os seus discípulos, e os discípulos desprezam mestres e preceptores. Jovens e velhos, todos se equiparam; os rapazes rivalizam com seus maiores em palavras e ações e estes condescendem com eles, mostrando-se cheios de bom humor e jocosidade para imitá-los e não parecerem casmurros e autoritários.

 

VRB – A juventude é sempre uma fase de rebeldia. Os jovens idealizam mudar o mundo e se revoltam contra a sociedade que lhe cerceia o pleno exercício de sua liberdade. É uma tarefa muita árdua discipliná-los, porque estão no auge de sua energia e precisam expandi-las de qualquer modo.

 

Platão – De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar.

 

VRB – O que mais se deve temer na velhice?

 

Platão – Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são provas de idade e não de prudência.

 

VRB – A velhice, apesar disso, tem as suas compensações.

 

Platão – A velhice é um estado de repouso e de liberdade no que respeita aos sentidos. Quando a violência das paixões se relaxa e o seu ardor arrefece, ficamos libertos de uma multidão de furiosos tiranos.

 

VRB – Como podemos avaliar, com maior grau de certeza, o caráter de uma pessoa?

 

Platão – Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa.

 

VRB – Há livros que são uma fonte de sabedoria. Mas, apesar disso, nenhum deles é inteiramente satisfatório.

 

Platão – O livro é um mestre que fala, mas que não responde.

 

VRB – A existência o invisível é atestada pelos resultados objetivos que produz.

 

Platão – O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.

 

VRB – Em que momento podemos enxergar com mais clareza as coisas espirituais?

 

Platão – Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.

 

VRB – Procuramos medir tudo com a razão e damos pouco valor à intuição.

 

Platão – São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados.

 

VRB – A amizade é uma fonte de prazer para o ser humano. O que fazer para que ela não se desfaça?

 

Platão – A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.

Não deixes crescer a erva no caminho da amizade.

Onde não há igualdade, a amizade não perdura.

 

VRB – As religiões inventaram um paraíso no Além. Por que não podemos criar um paraíso na Terra?

 

Platão – A paz do coração é o paraíso dos homens.

 

VRB – Existem o bem e o mal, ou tudo não passa de invenção do ser humano para explicar os sucessos e os insucessos de sua vida?

 

Platão - Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.

 

VRB – Geralmente os seres humanos acham que o amor é a coisa mais importante da vida.

 

Platão – O que ama é, de certa maneira, mais divino que o objeto amado, pois possui em si divindade; é possuído por um deus.

Quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama.

 

VRB – O que torna certas pessoas criativas? É um talento especial? A premência de certas circunstâncias?

 

Platão – A necessidade é a mãe da invenção.

 

VRB – A guerra parece não ter fim, embora se clame pela paz. A belicosidade faz parte da natureza humana e é sempre estimulada pelos mais diversos motivos. Embora não o creia, será que, um dia, conheceremos a paz?

 

Platão - Só os mortos conhecem o fim da guerra.

 

VRB – Há alguma relação entre o tempo e a eternidade?

 

Platão – O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.

 

VRB – A natureza sempre foi, para mim, um irresistível encantamento.

 

Platão – A admiração é própria da natureza do filósofo; e a filosofia deriva apenas da estupefação.

 

VRB – A verdade nem sempre agrada e, às vezes, é dolorosa.

 

Platão – Não é permitido irritarmo-nos com a verdade.

 

VRB – Pode o ser humano realizar todo o seu potencial ou apenas uma parte dele?

 

Platão – Só pelo amor o homem se realiza plenamente.

 

VRB – Digamos que uma pessoa é feliz. Isso não lhe basta. Ou ela aspira uma felicidade maior ou melhor?

 

Platão – O que o homem pode fazer de melhor para a sua felicidade é pôr-se em harmonia constante com Deus por meio de súplicas e orações.

 

VRB – As religiões ensinam a perdoar. Dependendo do dano causado, é difícil, às vezes, perdoar uma pessoa.

 

Platão – Errar é humano, mas também é humano perdoar.
Perdoar é próprio de almas generosas.

 

VRB – Raras são as pessoas que se interessam por  política e, por isso, abrem mão do seu direito de cidadania

 

Platão – Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.

 

VRB – Conhecimento e sabedoria poucas vezes coincidem. O que é a sabedoria?

 

Platão – A sabedoria consiste em ordenar bem a nossa própria alma.

Devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice.