Parapsicologia

 

 

A PARAPSICOLOGIA EM PERNAMBUCO

 

         A história da Parapsicologia em Pernambuco se confunde com a própria história do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P.

            Fruto do idealismo e da obstinação de um grupo de estudiosos da mente humana, o I.P.P.P. vem desenvolvendo um extraordinário trabalho no campo da fenomenologia paranormal, colocando Pernambuco como um dos mais importantes pólos do estudo e a da investigação parapsicológica brasileira.

            Nos seus primeiros dez anos de  vida, o Instituto lutou pela sua sobrevivência, pois então era - e continua sendo - a única instituição do gênero no Nordeste do país. Foram anos de abnegado idealismo, de férrea obstinação e de inabalável confiança no êxito do empreendimento, apesar das enormes dificuldades financeiras para a manutenção da sociedade, como ainda hoje acontece.

            Atualmente, o I.P.P.P. é a maior e mais bem organizada instituição de Parapsicologia do Brasil, conhecida e respeitada, não só nacionalmente, mas internacionalmente.

            Porém, a história da Parapsicologia em Pernambuco ficaria incompleta, se dela não constasse também a presença do Conselho Regional de Parapsicologia - CONREP -, de Pernambuco e da Associação Pernambucana de Parapsicólogos - ASPEP -, como órgãos disciplinadores e de defesa da classe em nosso Estado.

            O livro foi baseado em documentos da instituição como também em subsídios mnemônicos pessoais e de outros companheiros do I.P.P.P. que participaram e ainda participam intensamente de sua história. Ele está dividido em duas partes: a primeira, consiste num relato dos fatos mais importantes da Parapsicologia em Pernambuco, organizados em assuntos e sem preocupação cronológica; e a segunda, é constituída de adendos, onde estes fatos são descritos minuciosamente, permitindo ao leitor um aprofundamento maior nos assuntos de sua preferência.

            Toda riqueza de uma instituição se alicerça nos fatos que ela gerou e na preservação destes fatos como conteúdos da entidade histórica em que ela se transformou. O I.P.P.P. faz parte da paisagem científica e cultural de Pernambuco, não só por tudo o que fez, mas pelo que continua fazendo e pelo que, por certo, ainda fará em benefício do Estado.

            Por todas essas razões, escrevi o presente livro, como celebração e testemunho dos vinte e sete anos de Parapsicologia em Pernambuco, completados no dia 1º de janeiro de 2000, e também como marco e estímulo para o prosseguimento dessa luta que une e reúne gerações de parapsicólogos idealistas, sempre afanosamente empenhados na busca da compreensão, cada vez mais profunda, do psiquismo humano.

                                               Valter da Rosa Borges

 

I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia (*)

 

O I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia se realizou no Mar Hotel, em Boa Viagem, de 31 de outubro a 2 de novembro de 1997 e foi a mais ousada e bem sucedida façanha do I.P.P.P. em toda a sua história.

Apesar dos altos custos do evento, o Instituto recebeu várias formas de ajuda não só financeira como promocional, oriundas da  FUNDARPE, graças ao empenho do seu então presidente, escritor Raimundo Carrero; da Prefeitura Municipal do Recife, pelo apoio do seu Prefeito, Dr. Roberto Magalhães, do Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Rede Tribuna, Canal 4, pela divulgação gratuita do Congresso, além de doações de algumas pequenas empresas pernambucanas. O SEBRAE também colaborou com o evento através da impressão de material de propaganda.

O Congresso contou com a presença de parapsicólogos do Brasil (Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Paraná e Santa Catarina), Argentina, Portugal, Rússia e Estados Unidos da América do Norte. Participaram como conferencistas Edwin C. May, Presidente da Parapsychological Association, John A. Palmer, editor do Journal of Parapsychology, Stanley Krippner, Alejandro Parra, Diretor da Revista Argentina de Psicologia Paranormal, Carlos Bautista, Argentina, Andrei G. Lee, Presidente do Fundo de Parapsicologia Leonid L. Vasiliev, em Moscou, e Maria Luísa de Albuquerque, Diretora do Centro Latino-Americano de Parapsicologia de Portugal, João Carlos Pereira, Portugal, Valter da Rosa Borges, Ivo Cyro Caruso, Silvino Alves, Isa Wanessa Rocha Lima, Jalmir Brelaz de Castro, Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Fernando Antônio Lins e Terezinha Acioli Lins de Lima, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, Geraldo dos Santos Sarti e J.J. Horta Santos, Rio de Janeiro, Carlos Alberto Tinôco, representado pela sua equipe da Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do Paraná, Vera Lúcia Barrionuevo, Paraná, representada por Fátima Machado, Maria do Carmo Pagan Forti, Wellington Zangari e Fátima Machado, São Paulo, e Joston Miguel Silva, da Universidade de Brasília. Das mesas redondas participaram, além dos conferencistas, Lígia Gomes Monteiro, Guaracy Lyra da Fonseca Luciano Fonsêca Lins, José Eldon Barros de Alencar, José Fernando Pereira da Silva Maria Idalina Umbelino Erivam Félix Vieira, George Jimenez, e Evaldo Pereira, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, João Carlos Tinoco, Paraná, Antônio Joaquim Ferreira de Andrade, Ilsete Heiderscheidt e Aymara Gentil Pena; Santa Catarina, e Donadrian Rice (EUA).

 

Na abertura solene do Congresso, o Sr. Vice-Presidente da República, Dr. Marco Antônio Maciel se fez representar pelo Prof. Roberto Pereira. Presente também à mesa dos trabalhos, o Deputado Estadual Geraldo Barbosa, um dos maiores incentivadores do movimento parapsicológico de Pernambuco.

 

A respeito do Congresso, o Diário de Pernambuco publicou, na sua edição de 20 de agosto de 1997, o seguinte editorial:

 

Dilatando Fronteiras

 

Estejamos atentos, todos os pernambucanos de mente aberta, para a realização, em fins de outubro deste ano, no Recife, do 1° Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. É excelente (e ousada) oportunidade de travarmos contato com um campo de estudos que, superando barreiras de qualquer ordem, vem ocupando crescentes e fascinantes espaços entre os círculos mais devotados à ainda pouco conhecida dimensão humana no mundo inteiro.

Não por acaso será a nossa Capital a sede de certame dessa magnitude, ao qual estarão presentes especialistas de vários países, a exemplo dos Estados Unidos, Rússia, Portugal e Argentina, bem como de Estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal. Tampouco por acaso foi fundado no Recife, já se vão mais de 24 anos, o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), cujo trabalho se vem irradiando dentro e fora das fronteiras nacionais, inclusive por conta da presença de alguns dos seus integrantes em encontros de âmbito internacional. Esse pessoal, havido em certas áreas como visionário, idealista e, sobretudo, teimoso, tem a persistência dos que se sabem tocados pela curiosidade invencível no ser humano de desvendar os mistérios da mente e as potencialidades do ser pensante e herdeiro da chama do saber infinito.

A Parapsicologia, tida como "a caçula das ciências", está proporcionando a abertura dessas novas fronteiras. Tanto que já é ela contemplada com cadeiras específicas em universidades americanas, afora se tratar de campo específico de estudos em nações as mais desenvolvidas. No contexto brasileiro, a Faculdade de Ciências Biofísicas do Paraná a ministra como matéria em nível de graduação e pós-graduação.

A despeito de toda essa borbulhante agitação de idéias em torno dos fenômenos ditos parapsicológicos, ainda persistem muitas distorções, quando não total desconhecimento, dos reais fundamentos e objetivos da Parapsicologia, mercê de sua inadequada vinculação com notações ideológicas ou sectárias. E isso precisa ser corrigido, até pelos seus reflexos diretos no cotidiano das pessoas e das sociedades, sem falar nos seus rebatimentos no plano de diversas ciências afins, nas quais, a propósito, ela vai haurir ensinamentos e inspirações, devolvendo-os em igual medida de seriedade e exação intelectual.

Por todas essas razões, é fundamental o apoio da sociedade pernambucana, tanto na esfera pública quanto particular, a essa iniciativa do Instituto. Ela é ilustrativa do vigor do nosso Estado e, particularmente, do Recife, como pólo cultural e núcleo regional de excelência na área do conhecimento, à luz das mais modernas metodologias e experiências num setor que, até mesmo por ainda pouco explorado, exibe-se empolgante nos desafios que comporta e engendra.

 

            E, mais uma vez, o Diário de Pernambuco, no dia 30 de outubro, publicou novo editorial, destacando a importância do acontecimento:

 

A Mente sem Véu

 

Começa amanhã, no Recife, o 1° Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. Durante os três próximos dias, no salão de convenções do Mar Hotel, mentes atentas aos chamados fenômenos paranormais estarão expondo e provocando idéias e hipóteses em torno de questões que, desde tempos imemoriais, desafiam o homem e seus limites. A atmosfera não estará impregnada de magia e muito menos de superstições. Ao revés, estará saturada de ousadias científicas, que para muitos se revelam tão abstrusas - e até absurdas - quanto muitos dos fatos que as provocam e, não raro, desconcertam.

A ousadia começa na própria realização do certame. No final das contas, é iniciativa pioneira de um grupo de pesquisadores reunidos sob a sigla do Instituto Pernambuco de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP -, denominação já de si mesma paradoxalmente pretensiosa e modesta. A pretensão está embutida na abrangência do seu campo de análise, para o qual as nomenclaturas usuais se revelam insuficientes. A modéstia, essa reside na consciência dos promotores e participantes do congresso quanto ao estado incipiente, quase larvar, dos seus propósitos de desvelar mistérios ainda arredios às proposições e catalogações da inteligência e saberes do homem.

A bravura desse pessoal do IPPP somente não contradiz a realidade socioeconômica e cultural do Recife por ser este, um tradicional centro de desbravadores. E aqui não procede, nem remotamente, a alegação de que de outros assuntos, bem mais candentes e urgentes, deveríamos estar ocupando-nos. Isto porque a Parapsicologia não conhece fronteiras de qualquer ordem, em qualquer espaço do globo, quaisquer que sejam as condições de quem a estuda, ilumina e é por ela iluminado. Aqui não se trata de priorizar ciências e consciências. Trata-se de buscar respostas para fenômenos intrinsecamente ligados à maior de todas as realidades e ao mais instigante de todos os enigmas: a própria condição humana.

Mais do que nunca, lâmpadas estão sendo acesas para iluminar os focos ainda tão obscuros da nossa profunda e não menos obscura natureza. Tanto assim que a Parapsicologia vem ganhando destaque progressivo em centros de estudo superior situados em países tão distintos quanto os Estados Unidos e a Índia, a Rússia e o Japão, Portugal e Argentina, os quais, a propósito, estarão representados no conclave. Tanto quanto a ele estarão presentes cinco estados brasileiros além de Pernambuco, o que demonstra o grau de seriedade, enfoque e avanço do intercâmbio pretendido.

O apoio que entidades públicas e privadas estão emprestando à iniciativa do IPPP é também emblemático da crescente importância dos estudos parapsicológicos, na medida em que se vão esmaecendo as distorções e preconceitos que, até recentemente, cercavam a matéria. Daí ser auspicioso constatar que, mais uma vez, o Recife assegura sua condição de centro de excelência cientifica na Região e mesmo no País, em setor que se prenuncia fundamental no horizonte do milênio.

 

            O Jornal de Parapsicologia, de Portugal, nas edições de abril e de setembro de 1997, publicou matéria sobre o I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia.

 

            O PA News, órgão do Parapsychological Association, no seu número abril/junho de 1997, divulgou a seguinte nota sobre o Congresso:

 

First International & Brazilian Congress Parapsychology

 

Organized by PA full member Dr. Valter da Rosa Borges, the First International & Brasilian Congress of Parapsychology will be held from October 31st to November 2nd, 1997 in the Mar Hotel in Recife, the capital of the state of Pernambuco in Brasil.

The conference is being hosted by three Brazilian organizations dedicated to parapsychoogy: the Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas (IPPP), Instituto de Pesquisas Interdisciplinares das Áreas Fronteiriças da Parapsicologia (InterPsi) and Sociedade Brasileira para o Progresso da Parapsicologia (SBPC).

Among the presentations which will be given by PA members are: (from Pernambuco, Brasil) "Proposal of Emergency Action for Recurrent Spontaneous Psychokinesis" presented by PA affiliate member lsa Wanessa Rocha Lima, "Parapsychology as a Complex System" by PA associate member Dr. lvo Cyro Caruso, "Paranormal Belief and Psi Phenomena with College Students in Brasil" by PA affiliate member Dr. Jalmir Freire Brelaz de Castro, "Paranormality and Primitive Man" by PA affiliate member Terezinha Acioli Lins de Lima, and “The Question of Methodology in Parapsychology, by PA Full member Dr. Valter da Rosa Borges; (from São Paulo, Brazil & San Juan, Puerto Rico, respectively) "On Provincialism in Parapsychology" by PA full members Fátima Regina Machado and Carlos S. Alvarado; (from São Paulo, Brazil) "Brazilian University Students and Their Religious and Parapsychological Experiences" by PA full members Wellington Zangari & Fátima Regina Machado; (from Curitiba, Brasil) "Project for an RSPK Research Center by PA full member Dr. Carlos Alberto Tinoco and "The Out-of-body Experience," by PA full member Vera Lúcia O'Reilly Cabral Barrionuevo; (from Buenos Aires, Argentina) "Spirits and Mediums in lberoamerica: A Geography of the metapsychic" by Alejandro Parra; and (from San Francisco, California, USA) "Advances in Understanding Anomalous Cognition: Physical Variables" by PA full member Dr. Edwin C. May and "Possible Geomagnetic Field Effects in Psi Phenomena" by PA full member Dr. Stanley Krippner; and (from Durham, North Carolina, USA) "The Psychology of ESP: Magnitude Times Direction" by PA full member Dr. John Palmer.

A conference report will appear in a future issue of the PA News.

Finalmente, o Boletin Informativo AIPA, da Associación Iberoamericana de Parapsicología, de dezembro de 1997, publicou artigo de Fátima Regina Machado sobre o I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. Esta mesma informação foi também publicada no PA News, órgão da Parapsychological Association, na sua edição de outubro de 1997.

O Deputado Estadual, Dr. Geraldo Barbosa, no dia 22 de outubro, em sessão da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, fez o seguinte pronunciamento sobre o Congresso:

 

Senhor Presidente,

 

Senhores Deputados.

 

Pernambuco, orgulhosamente, sediará, no período de 3l de outubro a 2 de novembro deste ano, no Mar Hotel, em Boa Viagem, o I CONGRESSO INTERNACIONAL E  BRASILEIRO DE PARAPSICOLOGIA, numa iniciativa arrojada e pioneira do INSTITUTO PERNAMBUCANO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P. -, uma das mais importantes instituições de Parapsicologia do Brasil e hoje conhecida internacionalmente. O Congresso terá a presidência do Dr. Valter da Rosa Borges, fundador da instituição promotora do evento e um dos mais destacados nomes da Parapsicologia brasileira, cujo trabalho vem projetando o Estado de Pernambuco como um dos pólos de estudo e investigação parapsicológica em âmbito internacional.

Trata-se de um evento da maior importância cultural e científica para o nosso Estado, pois contará com a participação de renomados parapsicólogos nacionais de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Paraná e Santa Catarina, e estrangeiros: Estados Unidos, Rússia, Portugal e Argentina. O temário do Congresso revela o alto nível científico das conferências, abordando questões teóricas das mais alta complexidade e projetos de pesquisa de relevante valor tecnológico.

A Parapsicologia é uma ciência que, embora ainda em formação como reconhecem os próprios parapsicólogos, constitui, apesar disto, uma das disciplinas científicas de maior envergadura experimental na investigação da mente humana.

Mesmo carente de recursos financeiros para desenvolver as suas atividades de ensino e de investigações científicas, o INSTITUTO PERNAMBUCANO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P. - que, em janeiro do próximo ano completará 25 anos de existência, vem desenvolvendo um trabalho extraordinário no campo da fenomenologia paranormal, apenas sustentado pela abnegação e obstinado idealismo do Dr. Valter da Rosa Borges e de sua competente equipe de parapsicólogos.

Sempre atento às realizações do INSTITUTO PERNAMBUCANO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS - I.P.P.P. - e à importância da Parapsicologia no mundo moderno, venho, sempre que possível, dando o meu irrestrito apoio ao trabalho incansável e pioneiro do Dr. Valter da Rosa Borges e de sua valorosa equipe. E por isso, consegui aprovar uma emenda ao art. 174 da Constituição de Pernambuco, incluindo, naquele dispositivo constitucional, a obrigação do Estado e dos Municípios de prestarem assistência social ao superdotado e ao paranormal. Soube, posteriormente, que esta inovação legislativa teve profunda repercussão na comunidade parapsicológica internacional, como um acontecimento inédito e de alta relevância institucional à Parapsicologia.

Não poderia, assim, a Assembléia Legislativa de Pernambuco se calar perante um evento de tão alta significação para Pernambuco, visto ser o Poder Legislativo o termômetro das mais legítimas aspirações e necessidades populares, entre as quais se inclui o desenvolvimento cultural e científico do Estado. Por isso, srs. Deputados, o mínimo que esta Casa poderia oferecer a esta valorosa instituição é um voto de congratulações e aplausos pela realização deste importante Congresso que honra e dignifica as tradições culturais e científicas do nosso Estado.

 

            Na abertura do Congresso, na condição de seu Presidente, pronunciei o seguinte discurso:

 

Ilmo. Sr. Prof. Roberto Pereira, representante do Exmo. Sr. Vice-Presidente da República, Dr. Marco Antônio Maciel, Ex. Sr. Deputado Estadual, Dr. Geraldo Barbosa, Profa. Adélia Oliveira Monteiro da Cruz, representante do Prof. Armando José Ribeiro Samico, Diretor do Departamento de Morfologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, meus caros colegas, Dr. Stanley Krippner, Presidente de Honra do Congresso, Dr. Wellington Zangari, Vice-Presidente do Congresso e Dr. Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P. 

 

A realização deste I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia constitui, indubitavelmente, o momento mais significativo da Parapsicologia em Pernambuco e a mais ousada realização do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas ‑ IPPP que, em janeiro do próximo ano, completará 25 anos de profícua existência.

 

Estão reunidos nesse Congresso alguns dos nomes mais expressivos da Parapsicologia a nível internacional, reunindo parapsicólogos do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Rússia e Portugal, numa demonstração de prestígio ao trabalho que vem sendo realizado, no campo da investigação dos fenômenos paranormais, em nosso Estado.

Fundado em 1°. de janeiro de 1973, vinte anos após a realização do Congresso de Utrecht, na Holanda, que marcou, formalmente, o nascimento da Parapsicologia, o IPPP já realizou 15 Simpósios Pernambucanos de Parapsicologia, 1 Congresso Nordestino de Parapsicologia, 1 Congresso Brasileiro de Parapsicologia, culminando, agora, com o 1°. Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia.

Os fenômenos paranormais, descortinando insuspeitadas potencialidades da natureza humana, são uma evidência incontestável de que o real é sempre novo e, por isso, insuscetível de engessamento por qualquer padrão epistemológico ou paradigma científico.

Vivemos numa época de permanente questionamento do conhecimento em todos os seus níveis, numa tentativa de unificação e sistematização que mais se assemelha ao incansável trabalho de Sísifo. É uma tarefa ciclópica, porém necessária, mesmo sabendo‑se que a consumação dessa almejada síntese seja, inapelavelmente, provisória e insatisfatória. Contudo, é mister a proposição de novos modelos abrangentemente intercientíficos para evitar, ou ao menos retardar, o processo de pulverização e extrema especialização do conhecimento.

Revisam‑se os conceitos mais gerais e abstratos, como os da Vida, da Matéria e da Mente. A cada passo, constatamos a precariedade e a insuficiência do nosso patrimônio gnosiológico quanto a natureza dos fenômenos físicos, biológicos e psíquicos à medida em que sondamos as suas estruturas mais recônditas, o que nos obriga a uma atitude de permanente cautela em nossos procedimentos epistemológicos.

A fenomenologia paranormal, objeto da Parapsicologia, é incômoda porque ameaça o imobilismo das construções ortodoxas, invalidando concepções sedimentadas em certas áreas do conhecimento humano.

A Parapsicologia é uma ciência em construção, em estágio de paciente e penosa elaboração conceitual e metodológica para uma compreensão cada vez mais precisa e mais profunda dos fenômenos que investiga.

Queremos, nesta oportunidade histórica, apresentar as mais efusivas boas vindas aos nossos companheiros do Brasil, dos Estados Unidos, da Argentina, de Portugal e da Rússia, na certeza de que, nesse breve convívio de três dias, permutaremos informações e experiências do mais alto nível científico, enriquecendo e aprofundando as postulações teóricas, os procedimentos metodológicos e as estratégias experimentais, com o propósito de posicionar a Parapsicologia como uma das mais importantes ciências do nosso século.

Queremos agradecer, sensibilizados, os apoios recebidos dos mais diversos meios de comunicação (TV Tribuna Canal 4, Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco), da SEBRAE, da Prefeitura da Cidade do Recife, na pessoa do seu prefeito Dr. Roberto Magalhães e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco ‑ FUNDARPE ‑ na pessoa de seu presidente, escritor Raimundo Carrero, assim como do Deputado Estadual Geraldo Barbosa e do ex‑governador de Pernambuco, Dr. Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti.

Queremos, também, agradecer o apoio dos amigos Dr. Stanley Krippner, Presidente de Honra do Congresso, cuja dedicação à Parapsicologia brasileira muito nos comove e estimula e do Dr. Wellington Zangari, Vice‑Presidente do Congresso, que sempre esteve ao lado do IPPP na luta pela constituição de uma Parapsicologia brasileira nos moldes das mais avançadas metodologias cientificas, em que pese a escassez de recursos financeiros para a investigação da fenomenologia paranormal.

Queremos, finalmente, louvar o idealismo e a abnegação da valorosa equipe do IPPP que, mesmo arrostando todos os empecilhos de um congresso de tal envergadura, conseguiu, apesar de compreensíveis desencontros na execução desta ingente tarefa, concluí-la, apesar de tudo, com o êxito desejado.

Este I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia constitui o primeiro e decisivo passo de uma longa caminhada para o aperfeiçoamento das investigações parapsicológicas a nível nacional, porque visa a aproximação cada vez maior dos parapsicólogos brasileiros com os seus colegas de outros países. Por isso, Pernambuco e o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas se orgulham de sediar e promover, respectivamente, este importantíssimo evento científico, esperando que se constitua um marco inaugural para a realização de outros congressos dessa natureza nos demais Estados brasileiros.

           

A Carta do Recife

 

            Um dos grandes momentos do Congresso foi a assinatura, pelos parapsicólogos presentes ao evento, da Carta do Recife, após a sua discussão e aprovação. Nesse histórico documento, vertido em português e inglês, reconhece-se a necessidade da formação de uma comissão internacional com a finalidade de apresentar à comunidade dos parapsicólogos de todo o mundo uma proposta de unificação da nomenclatura da Parapsicologia, a aprovação do Dia Internacional do Parapsicólogo, mediante consulta àquela comunidade e apelo aos parapsicólogos e Instituições de Parapsicologia de todo o mundo, no sentido de adotar as medidas cabíveis, segundo a legislação de seus respectivos países, para a legalização da profissão do parapsicólogo.

            A Carta do Recife foi assinada pelos parapsicólogos presentes ao Congresso.

                O êxito do Congresso foi assim comentado pelos parapsicólogos abaixo, conforme filmagem realizada por Jalmir Brelaz de Castro, na manhã seguinte ao término do evento:

 

Stanley Krippner:

"O congresso foi um sucesso e atingiu o seu objetivo de trazer ao Brasil o mundo científico da Parapsicologia. O número de participantes foi expressivo. Considero que as demonstrações que ocorreram como a de Jacques Andrade foram adequadamente colocadas, como um evento a parte e realizado em dependências distintas do Congresso e após seu encerramento. Achei importante que questões como psicoterapia em parapsicologia não fossem abordadas em um primeiro congresso, justamente por ser questão ainda muito controversa. Os participantes de língua inglesa tiveram ótimos tradutores, os trabalhos foram traduzidos para o inglês e os participantes de língua espanhola também estiveram a vontade. As instalações e o atendimento foram excelentes."

 

Wellington Zangari:

"O Congresso marca o início de uma revolução na parapsicologia brasileira. Pela primeira vez nos encontramos, pessoas de várias partes do mundo no Brasil, discutindo num nível bastante elevado, e próximo. Acho que esse Congresso representa o início não só de uma discussão empírica que nos faltava mas uma tentativa das teorizações que podemos apresentar. Nos congressos anteriores dos trabalhos brasileiros possam ser também empiricamente testados, assim eu saúdo os colegas do IPPP. Meu muito obrigado."

 

John Palmer:

"Antes de mais nada o congresso foi um sucesso e teve realmente um sabor internacional."

 

Donadrian Rice:

"Foram bons os trabalhos apresentados, a hospitalidade foi marcante. Fico feliz pelo trabalho que tem sido feito pela parapsicologia no Brasil e pela oportunidade de maior colaboração entre estudos transculturais. Muito obrigado!"

 

Edwin May:

"Participei de muitos congressos internacionais e este está entre os melhores. Gostei da variedade de abordagens, muitas diferentes das que tenho realizado, e para mim  foi uma aprendizagem. Pretendo incorporar alguns dos assuntos que aprendi em diversas sessões em minhas pesquisas. Sugiro que nos próximos congressos haja algum tempo para grupos com pontos de vista similar, sobre assuntos de campo específico, ou de pesquisa. O Congresso comprovou e até excedeu a reputação do Instituto."

(*) Do livro PARAPSICOLOGIA EM PERNAMBUCO