PARA ONDE CAMINHA A AGRICULTURA NORDESTINA?

3 de outubro de 1969

 

 

Viver do produto da terra parece ter sido a mais remota atividade de subsistência humana. Eis porque, desde as mais antigas civilizações, a origem da agricultura é um misto de realidade e mito.

 Na Índia, segundo a lenda, o agricultor saiu das mãos de Brahma e, recebeu deste o touro sagrado para que o auxiliasse em seus trabalhos.

No Egito, a Deusa Ísis ensinou a agricultura aos homens, o mesmo acontecendo na Grécia e em Roma com as deusas Deméter e Ceres, respectivamente.

Na China e na Índia, ainda hoje, são celebradas, anualmente, festas em homenagem à agricultura. Talvez tenha sido o povo chinês aquele que primeiro cultivou a terra. Todavia, nos antigos monumentos arquitetônicos do Egito, existem gravuras, retratando quadros de intensa atividade agrícola.

Os judeus encontraram, na lei mosaica, um inesti-mável incentivo à agricultura, que atingiu enorme desen-volvimento na Palestina.

Na Mesopotâmia, ocorreu idêntico florescimento, notadamente na Babilônia, Assíria e Pérsia.

Na Fenícia, a natureza do solo e a preponderância da atividade comercial impediram o desenvolvimento da agricultura, a qual, no entanto, era tida em alto apreço pelos cartagineses. Um deles, Magon, denominado de “pai da agricultura” por Columela, escreveu cerca de quarenta livros sobre esta ciência, que foram traduzidos para o latim por ordem do senado romano.

Hesíodo, na Grécia, asseverou que a agricultura é o verdadeiro caminho da felicidade. No período alexandrino, ela despontou como a principal temática literária. O poema “Os Trabalhos e os Dias”, de Hesíodo, é uma prova inequívoca desse interesse.

Os romanos também se voltaram para as atividades agrícolas, prestigiando a vida bucólica. Além da obra do cartaginês Magon, outras se destacaram como “De Agricultura”, de Pórcio Catão Censor, “De re rústica”, de Terêncio Varrão e as famosas “Geórgicas”, do poeta Virgílio.

Na Idade Média, Carlos Magno, grande entusiasta da agricultura, fundou numerosas granjas reais, que constituíram modelos exemplares de administração.

Alberto Thaer foi o fundador de uma nova teoria, que deveria transformar, por completo, essa ciência, além de ter sido o fundador da primeira escola de Agricultura. Até os tempos de Thaer, só se tinha uma noção muito vaga acerca da vida e da alimentação das plantas e Thaer, juntamente com Schwerz e Burger, defendeu a teoria do húmus. Concomitantemente, Wallerius havia sido o primeiro a indicar a importância do solo, da água e do ar, e Saussure elaborara a teoria do carbono, graças à descoberta da decomposição do gás carbônico do ar pelas plantas.

O reconhecimento da importância do nitrogênio pa­ra a vida das plantas relegou, para segundo plano, a teoria do húmus. Sprengel, considerando o nitrogênio como o principal componente das substâncias nutritivas, contidas no vegetal, estabeleceu o critério de apreciar-lhe o valor e a eficácia pela proporção de compostos nitrogenados, pre-sentes nele. Essa teoria, conquanto arregimentasse inúmeros adeptos, não subsistiu por muito tempo.

Em 1840, Liebig estabeleceu a igualdade da importância de todos os elementos nutritivos da planta, demonstrando que a carência de um deles prejudica-lhe o desenvolvimento normal. As idéias de Liebig, embora errôneas, imprimiram um poderoso impulso à agricultura.

No mundo atual, sob a ameaça permanente da fome crônica, a dinamização da agricultura se destaca como uma das preocupações fundamentais do Estado.