MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

5 de setembro de 1969

 

 

A música popular brasileira marcou o seu primeiro período no ano de 1889 a 1927. Naquele ano, ou seja, em 1889, foi introduzido, no Brasil o primeiro fonógrafo, que causou profundo assombro ao Imperador D.Pedro II e à sua Corte.

Em 1817, foi inventado por Emilio Berliner, o disco de gravação lateral, reproduzido pelo gramofone e, em 1902, o sueco Fred Figner, instalado à Rua do Ou­vidor, 107, colocava à venda os primeiros gramofones com lançamento dos primeiros discos gravados no Brasil e fabricados na Alemanha. O primeiro disco brasileiro apresentava uma modinha cantada pelo popularíssimo Baiano e intitulado “Isto é bom”.

Em 1913, a casa Edison instalava a primeira fábrica de discos da América do Sul: a Odeon. O primeiro período da música popular brasileira revelou compositores famosos como Ernesto Nazaré, au­tor de “Brejeiro” e “Apanhei-te cavaquinho”, Sinhô, Donga, Zequinha de Abreu, que compôs a valsa “Bran­ca” e “Tico-Tico no Fubá”, Eduardo Souto, autor de “O Despertar da Montanha”, Catulo da Paixão Cearen­se, autor de “Luar do Sertão”, Pixinguinha, que com­pôs “Rosa”, Paraguassú, Américo Jacobino, o conhecido “Canhoto”, Heitor dos Prazeres e Casemiro Rocha autor de “Rato, Rato”. Os gêneros em voga, nesse período, eram a modinha, o lundu, a polca, a quadrilha, a valsa e o samba, entre outros.

O primeiro samba de sucesso apareceu no carnaval de 1917: seu título “Pelo Telefone”, de autoria de Donga e Mauro de Almeida.

Em 1927, com o lançamento das primeiras vitrolas e discos elétricos, se iniciou a segunda fase da música popular brasileira. Por esta época, sur­giu no Estácio de Sá, a primeira escola de samba, denominada “Deixa Falar”.

A fase de ouro do nosso cancioneiro popular ocorreu entre 1927 e 1946, destacando-se os nomes dos compositores Cândido das Neves, Benedito Lacerda, Ari Barroso, Lamartine Babo, João de Barro, Roberto Martins, Ataulfo Alves, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Mário Lago, Lupicínio Rodrigues, Marino Pinto, Dorival Caymmi, entre muitos outros. É a época de cantores famosos como Augusto Calheiros, Francisco Alves, Silvio Caldas, Carmem Miranda, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Orlando Silva, e dos conjuntos vocais - “Bando da Lua”, “Anjos do Inferno” e “Quatro Ases e um Coringa”.

Em 1946, a influência da música americana e do bolero deram ensejo a um movimento de transformação do samba clássico, iniciando a terceira etapa da nossa música popular - a fase moderna. Paralelamente a esse fenômeno, ocorria a ascen­são impressionante de uma forma musical nordestina: o baião. Destacaram-se, neste período, os compositores Dolores Duran, Billy Blanco, Waldir Azevedo, Luiz Gonzaga, Altamiro Carrilho e Tom Jobim, e os cantores Dick Farney, Jorge Goulart, Lúcio Alves, Agostinho dos Santos, Maysa, Doris Mon­teiro, Nora Ney, Dolores Duran, Cauby Peixoto e Ivon Curi. Surgiram composições famosas como “Viva meu samba”, de Billy Blanco; “Copacaba­na”, de João de Barro; “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Morais; “A Noite do Meu Bem”, de Dolores Duran; Dindi”, de Tom Jobim; e “Menina-Moça”, de Luiz Antônio.

Em abril de 1958, apareceu a bossa nova, introduzida por João Gilberto, e caracterizada pela sua batida no violão. Este novo movimento contou com o apoio de Tom Jobim, Roberto Menescal, Baden Powell, Ronaldo Bôscoli entre outros. Surgiram composições como “Desafinado”, e “Brigas nunca mais”, de Tom Jobim e Vinicius de Morais, e “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.

Hoje, a música brasileira procura novos rumos, excursionando através dos Iê-Iê-Iês e dos tropicalismos, buscando uma nova expressão nessas experiências, para traduzir e caracterizar as novas tendências da alma popular.