A COSMOLOGIA E O FUTURO

7 de março de 1969

 

 

Na Mesopotâmia, o céu, que tinha o nome de Anu, era considerado o maior dos deuses e presidia aos mais variados fenômenos da natureza. Não é, pois, sem razão, que a astronomia é uma das ciências mais antigas, tendo os primeiros astrônomos vividos, principalmente, na Babilônia e em Nínive, por volta de 2.000 a.C. Estas duas cidades estavam localizadas em uma região da Ásia que, atualmente, corresponde ao Iraque.

Os gregos também foram grandes astrônomos e, entre eles, se destacaram Anaxágoras, Aristarco de Samos, Hiparco de Nicéia e Ptolomeu, que viveram aproximadamente entre 400 a 100 anos a.C. Aristarco foi quem, pioneiramente, afirmou que a Terra girava sobre o seu eixo, assim como os demais planetas, descrevendo uma órbita circular em torno do Sol, fixo no espaço. Ptolomeu, ao contrário, asseverou que o Sol e os planetas giravam em torno da Terra imóvel no espaço. Esse sistema cosmológico foi denominado de geocêntrico e prevaleceu inquestionável até o século XVI, quando foi refutado por Copérnico, ao defender o sistema heliocêntrico, proposto por Aristarco. Tycho Brahe assumiu uma posição eclética e afirmou que os planetas giravam em torno do Sol, e este em torno da Terra imóvel.  Giordano Bruno admitiu a pluralidade dos mundos habitados e postulou que o nosso sistema solar não era o centro do universo.

No século XVII, Kepler propôs a hipótese de que os planetas descreviam órbitas elípticas, e não circulares, em torno do Sol, o qual ocupava um dos seus focos. Galileu defendeu o sistema heliocêntrico, mas se opôs à hipótese kleperiana, e sustentou que as órbitas descritas pelos planetas eram circulares. Ele foi influenciado, talvez, pelo pensamento grego, que concebia o círculo como o símbolo da perfeição.

Isaac Newton descobriu a lei da gravidade, e se empenhou em acirrada polêmica com Huygens acerca da paternidade da lei do inverso do quadrado.

No século XIX, ocorreu o embate entre as teorias cosmogônicas da condensação de Kant-Laplace e da colisão, de James Clerck Maxwell.

No século XX, Edwin D. Hublle descobriu que muitas  das  chamadas nebulosas eram, na verdade, galáxias e, com base nessa constatação, postulou a teoria do Universo em expansão. A Lei Red-Shift, ou a Lei dos Desvios espectrais em direção à cor vermelha do espectro, uma das mais importantes leis da atualidade, enunciou que as galáxias recuam no espaço a velocidades que são diretamente proporcionais às suas distancias.

Harlow Shapley realizou a primeira avaliação direta das dimensões do nosso sistema estelar e da posição do Sol em relação a ele. Em 1931, Karl Jansky, detectando ondas de rádio, vindas do espaço, firmou os fundamentos de uma nova ciência: a radioastronomia.

O homem não apenas deseja conhecer os mistérios do cosmos, mas também conquistá-lo. Há cerca de 450 anos, um chinês, chamado Wan-Hoo inventou uma máquina de voar, que consistia em um assento individual, li- gado, através de fios resistentes, a quarenta e sete foguetes de pólvora. Acesos os pavios dos fogue­tes, seguiu-se uma grande explosão, que resultou na transferência compulsória do imaginoso chinês para junto dos seus ancestrais. No século XVI, Isaac Newton sabia que, na sua terceira lei do movimento, estava o único meio de se propelir e dirigir uma nave no espaço, desprovido de ar. Em 1891, na cidade de Berlin, Hermann Ganswindt realizou uma conferencia, onde asseverou que as máquinas mais pesadas do que o ar podiam voar. O seu projeto de um veículo interplanetário ficou no papel, mas, apesar de seus equívocos, foi o primeiro homem que tentou adaptar um foguete aos esboços feitos por Newton, de uma cápsula espacial. Em 1898, o russo Konstantin Tsiolkovski escreveu um livro, intitulado “A exploração do espaço cósmico por meio de foguetes”, que deu origem à nova ciência espacial, chamada Astronáutica. Ele é considerado, por seus compatriotas, o pai das viagens espaciais.

Em 1909, o americano Robert Goddard escreveu um opúsculo, “Método para atingir altitudes extremas”, que tratava do envio de foguetes ao espaço, portando ins­trumentos e constando de várias etapas ou estágios. E, no ano do 1944, Goddard viu voar o gigantesco foguete à combustível líquido, que fora o seu sonho, num alcance do mais de 320 quilômetros com a velocidade superior a 1.600 metros por segundo: era a bomba V-2, construída pelo alemão Werner von Braun, e que explodiu na capital inglesa.

Em 4 de outubro de 1957, foi inaugurada, oficialmente, a era espacial, com o lançamento de um satélite ar-tificial, construído pelos russos - o Sputnik -, que significa companheiro de viagem.

Em 12 do abril de 1961, o russo Yuri Gagarin fez o primeiro vôo orbital do homem ao redor da Terra, e, no Natal de 1968, três astronautas norte-americanos realizaram a incrível façanha da primeira orbitação lunar. Estamos, portanto, vivendo a época histó­rica da conquista espacial. O que isto representa para a humanidade, quais as condições de sobrevivência do homem no espaço interestelar, quais as possibilidades de vida inteligente em outros mundos e muitas outras indagações dessa natureza serão suscitadas e discutidas em O Grande Júri desta noite.