A CONQUISTA DA LUA

18 de julho de 1969

 

 

A ânsia de conquista é um arquétipo do ser humano. A história assinala os feitos de homens excepcionais que, graças a sua coragem e persistência, alargaram os limites geográficos da vida.

Há cerca de dois mil anos a.C., nascia, na Babilônia, a astronomia. Os babilônios observaram o movimento dos planetas e fizeram as primeiras previsões dos eclipses lunares. Inventaram, ainda, um calendário dividido em do­ze meses de trinta dias, constituído de uma semana de sete dias e de um dia de vinte e quatro horas.

Na Grécia, por volta de 400 a.C., Anaxágoras já propunha uma explicação do eclipse pela projeção da sombra da Lua sobre a Terra. Descobriu que a luz do nosso satélite é refletida, admitindo que tanto a Lua, como os demais planetas, eram, quanto à sua composição física, semelhantes à Terra.

Duzentos anos a.C., Aristarco de Samos elaborou o primeiro sistema heliocêntrico que, séculos mais tarde, seria recriado por Copérnico e defendido por Galileu. Aristarco e Eratóstenes efetuaram as primeiras medições da distância da Terra ao Sol e à Lua, sendo que, nessa tarefa, a medição de Eratóstenes foi quase perfeita.

Um século mais tarde, Ptolomeu criava o sistema geocêntrico, tendo sido o seu livro “Almajesto”, durante quase mil anos, a “Bíblia da Astronomia” Ainda no sé­culo 100 a.C., Hiparco de Nicéia determinou a posição de 1.080 estrelas, dividindo-as em seis grandezas e calculando, ainda, a diferença da precessão equinocial.

O século XIII se caracterizou pelo conflito entre a teoria do ímpetus, que defendia a hipótese do universo infinito, e a do tomismo, que ensinava que o universo era finito.

Copérnico, no século XVI, reabilitou a teoria heliocêntrica, e Kepler, no século seguinte, introduziu, nes­te sistema, uma modificação, ao afirmar que cada planeta descreve uma elipse, e não um círculo, em torno do Sol, o qual ocupa um dos focos. Galileu, acérrimo defensor do sistema heliocêntrico, discordou de Kepler, apegando-se a hipótese de que os corpos celestes descrevem órbi­tas circulares em torno do Sol. Galileu estudou a nebulosa de Andrômeda e, graças à luneta que inventou, observou as fases de Vênus, as manchas na superfície do solo da Lua, descobrindo, ainda, quatro satélites de Júpiter. Isaac Newton, contemporâneo de Galileu e de Ke­pler, descobriu a lei do quadrado da distância e da gravitação universal. Borelli concluiu que a órbita elíptica de um planeta resulta do equilíbrio entre duas forças opostas: a centrípeta, atraindo o planeta em direção ao Sol e a centrífuga, procurando afastá-lo.

No século XVIII, Thomas Wrigh elaborou a teoria segundo a qual o Sol e as estrelas da Via-Láctea formam um gigantesco sistema sideral, movendo-se em torno de um centro comum. E Kant desenvolveu, depois, esse raciocínio.

Já nos séculos XV e XVI, Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral alargavam o mundo de então com a descoberta da América e do Brasil, respectivamente. Ainda no século XVI, Zacarias Jansen inventava o microscópio, descortinando o mundo do infinitamente pequeno.

No século XIX, Marconi, Hertz e Morse expandiram as fronteiras no campo das comunicações com a invenção do rádio e do telégrafo sem fio.

No início do século XX, Santos Dumont inventou o avião, inaugurando a era da conquista espacial. Karl Hansky, em 1931, descobriu ondas de rádios vindas do espaço e fundou a radioastronomia.

Em 1957, os russos lançaram ao espaço o primeiro satélite artificial: o Sputinik I. É ainda, a URSS que, em 1961, realizou, pioneiramente, o vôo tripulado em orbitação terrestres, celebrizando Yuri Gagarin como o pioneiro da geração dos astronautas.

Um ano após, o Mariner II, dos EUA, enviou importantes informações sobre o planeta Vênus, quando sobrevoou sobre ele em sua missão memorável.

Em 1966, os veículos Luna 9, da URSS e o Surveyor I, dos EUA, pousaram na Lua e enviaram fotografias de sua superfície. Ainda neste ano, os dois países colocaram os primeiros satélites em órbita lunar.

No Natal de 1968, o mundo assistiu, entre surpreso e deslumbrado, o maior acontecimento, até agora, de todos os séculos: a Apolo-8, dos Estados Unidos da América do Norte, tripulada por Borman, Lowell e Anders, realizou dez orbitações em torno da Lua. E, neste mesmo ano, a Apolo-10, tripulada por Young, Cernan e Stafford, realizou a proeza de aproximar o módulo lunar a uma distância de 15 Km da superfície da Lua. O êxito dessas missões possibilitou ao homem intentar, com grande margem de segurança, a con­quista do nosso satélite.

Finalmente, em 16 de julho de 1969, Aldrin, Armstrong e Collins, tripulando a Apolo-11, se lançaram na maior façanha científica da humanidade. No momento em que O Grande Júri discute as conseqüências desse feito, que tanto enaltece a inteligência humana, os embaixadores da Terra se encontram em meio de sua viagem, que poderá conduzi-los à glória, mas, também à morte.