O CINEMA BRASILEIRO

08 de agosto de 1969

 

 

Embora se atribua aos irmãos Lumière a invenção do cinema, este, na verdade, teve muitos pais.

A primeira tentativa de aplicação da fotografia ao cinema aconteceu em 1877 quando Muybridge colocou várias máquinas fotográficas, em posição seqüenciada, a fim de fotografar o galope de um cavalo. Coube, assim, a Marey a glória de ter sido um dos inventores do cinema. Apoiado na idéia do astrônomo Jansey, conforme a qual pode-se tomar 48 fotografias em 72 segundos, Marey construiu um aparelho fotográfico destinado a filmar a sucessão do vôo de um pássaro. As cenas foram obtidas, inicialmente, sobre uma placa fotográfica e, posteriormente, sobre uma cinta de papel, recoberta por uma capa sensível.

Em 1888, Marey construiu o primeiro cinematógrafo. No ano seguinte, Prieze Green intro­duziu a película de celulóide, e, em 1890, os irmãos Lumière empreenderam a sua popularização. Thomas Alva Edison, em 1894, inventou o cinetoscópio, que diferia do cinematógrafo pelo fato de que, naquele, o filme é assistido através de um aparelho apropriado.

Ainda em 1894, Jenkins pôs em prática a idéia de Ducos de Hauron de colocar sobre um disco uma série de imagens e animá-lo de um movimento rotatório.

A primeira sessão cinematográfica ocorreu em Paris no dia 25 de dezembro de 1895. Os irmãos Lumière, apoiados nas invenções de Marey, Bonly e Deneny, tinham construído um aparelho que, na verdade, constituía o primeiro cinematógrafo prático. Apesar disso, muitos estudiosos do assunto apontam os nomes de Janssen e Ducos de Hauron como os verdadeiros precursores da cinematografia, ressaltadas as contribuições valiosas de Reynaud, Labrely, Richet, Von Monkoven, Eastman, Muybridge e Thomas Edison.

A Georges Méliès é atribuída a transformação do cinema em espetáculo. Foi ele o criador da maioria dos truques cinematográficos, como a justaposição de imagens, os movimentos lentos ou apressados, a mistura de desenho animado com pessoas, etc. A sua obra prima “Le Voyage dans la Lune”, realizada em 1902, reuniu, em um só filme, desenho animado, comédia, sex-appeal e curiosidade científica. Nesse mesmo ano, Edwin Porter descobriu a importância das emoções fortes na dinâmica do espetáculo. Os assuntos das primeiras películas do cinema se dividiam em dois grandes grupos: assuntos ao ar livre e assuntos teatrais. Na primeira categoria, figuravam as cenas da natureza e os documentários. Na última, para sua execução, eram mobilizados todos os recursos teatrais. Essa divisão, que se manteve precisa nos primeiros tempos da cinematografia, não têm, atualmente, mais razão de ser.

David Wark Griffith, considerado o primeiro gênio do cinema, introduziu o plano como unidade básica e deu uma nova dimensão à linguagem cinematográfica. Em 1916, lançou o filme “Intolerance”, considerado por muitos como a melhor obra do cinema de todos os tempos. Por essa época, os norte-americanos introduziram um novo elemento nos filmes cômicos: a cooperação dos animais. Até antes da 1ª Guerra Mundial, os filmes cômicos se reduziam a encontrões e cenas ridículos a fim de produzir a hilaridade no público.

            À semelhança de Griffith, os atores teatrais, a princípio, demonstraram grande desprezo e declarada hostilidade ao cinema, como a famosa Sarah Bernhardt que, só após o seu estrondoso sucesso, como atriz principal, do filme “Elizabeth, Rainha da Inglaterra”, mudou, radicalmente, a sua atitude.

A época do cinema mudo produziu uma geração de ídolos, ainda hoje saudosamente lembrados, tais como Max Linder, Rodolfo Valentino, Pola Negri, Greta Garbo, Douglas Fairbanks e Charles Chaplin. Chaplin, um dos mais ferrenhos adversários do cinema falado, só se reconciliou, definitivamente, com este, a partir de 1940, com o filme “O Grande Ditador”. Os ir­mãos Marx foram os primeiros que se utilizaram, apropriadamente, dos recursos do som e da palavra.

Eugène Lauste, considerado a figura exponencial da pré-história do cinema falado, realizou, em 1910, o primeiro filme sonoro, registrando o som em uma trilha à esquerda da película, como ainda ocorre nos filmes modernos. Todavia, a paternidade do invento do filme falado ora é atribuída aos alemães Jo Engel, Josefh Massole e Hans Vogt, ora ao americano Lee de Forest.

Com o cinema falado, apareceram os nomes de Fred Astaire, James Cagney, Bing Crosby, Maurice Chevalier, Gary Cooper, Joan Crawford, Bette Davis, Clark Gable, Marlene Dietrich, Myrna Loy, Spencer Tracy, Shirley Temple, Carole Lombarde e Gary Grant, entre muitos outros.

O neo-realismo foi o primeiro movimento de importância a ocorrer, no cinema, depois da 2ª Guerra Mundial e que teve em Cesare Zavattini um dos seus maiores argumentistas e roteiristas. Os neo-decadistas, por sua vez, se preocuparam, em explorar, de maneira personalíssima, as angústias mais íntimas do homem moderno. Neste movimento se destacaram Ingmar Bergnam, Antonioni e Felini.

O primeiro filme realizado no Brasil aconteceu em 1898, quando o italiano Alfonso Segredo fotografou uma cerimônia cívica levada a efeito nas ruas do Rio de Janeiro.