A AUTOMAÇÃO

2 de maio de 1969

 

 

Realizar um trabalho material ou intelectual, com um mínino de esforço, parece ter sido, consciente ou inconscientemente, uma das aspirações fundamentais do ser humano. As classes dominantes não realizavam trabalho algum, transferindo este ônus para os animais domésticos e os escravos. Em todas as culturas sempre existiram os privilegiados que jamais ganharam o “pão com o suor do seu rosto”, enquanto a maioria produzia o pão suado para abarrotar as arcas dos potentados.

Um dia, na pré-história, um dos nossos ancestrais descobriu um adjutório capaz de ampliar o raio de ação do seu corpo. A força muscular poderia, agora, assessorada pelos primeiros instrumentos rústicos, aumentar a capacidade de trabalho. Esse aumento de poder permitiu ao homem dominar os animais, colocando alguns deles ao seu serviço. E também submeter os semelhantes à condição de escravos.

Desde os tempos primitivos, já eram conhecidos os princípios fundamentais da máquina: a roda, o eixo, a alavanca, o parafuso e a cunha. Sobre as possibilidades da alavanca, Arquimedes enfatizava: “Dêem-me uma vara suficientemente comprida e um ponto de apoio e eu deslocarei a Terra”. A ele se atribui a invenção do parafuso, que era utilizado para elevar a água do mar até o convés dos navios. Todas as máquinas modernas são construídas em obediência a esses princípios em suas múltiplas combinações: é uma espécie de código genético da mecânica.

Heron de Alexandria inven­tou uma máquina a vapor. Mas só no sécu­lo XVIII, Tomas Savery e Tomas Newcomen construíram, em 1705, uma máquina a vapor para extrair a água de um poço. Em 1769, James Watt projetou a verdadeira precursora da moderna máquina de vapor comprimido. Neste mesmo ano, Nicolas Joseph Cugnot utilizou o vapor nos transportes, construindo verdadeiros monstrengos, que se tornaram uma diversão popular. Com a Revolução Industrial, de 1760 a 1860, o Ocidente ingressou numa nova era de progresso. Blaise Pascal e Leibniz inventaram, respectivamente, as máquinas de calcular e de multiplicar.

No século XVIII, apareceu o prelo mecânico. Robert Fulton projetou o primeiro barco a vapor, enquanto Henry Mill e Frederico von Knauss inventaram e aperfeiçoaram as primeiras máquinas de escrever.

No início do século XIX, Richard Trevithick, também conhecido como capitão Dick, inventou, em 1801, a primeira carruagem sem cavalos e movida a vapor, a que se deu o nome pitoresco de “diabo resfolegante”, e que desenvolvia uma velocidade de 16 quilômetros por hora. William Cecil e Samuel Brown construíram as primeiras má­quinas rudimentares, que trabalhavam pelo sistema de explosões. Em 1893, Charles Duryea adaptou um motor à gasolina a uma carruagem, do que resultou no primeiro modelo de automóvel. A primeira turbina a vapor foi construída por Gustaf de Laval, em 1889. A agricultura, em 1840, foi beneficiada com a invenção da ceifadeira automática de Cyrus McCormick. Em 1898, Rudolf Diesel construiu o primeiro motor, que recebeu o seu nome. Era uma máquina de com­bustão interna, que trabalhava a óleo e ar superaquecido, sem utilizar a força expansiva dos gases provenientes da combustão à gasolina. George Stephenson, em 1830, inventou a primeira locomotiva, proporcionando a construção de estradas de ferro que, em um período de apenas dez anos, ligavam todas as principais cidades da Inglaterra. Em fins do sé­culo XIX, a família das máquinas-ferramentas estava firmemente estabelecida, nes­sa fase de acelerado desenvolvimento industrial, que contou com a contribuição de Thomas Edison, autor  de mais de uma centena de invenções, entre elas a da lâmpada elétrica.

A fábrica automática de Henry Ford assinalou o início da era da automação, que está eliminando o trabalho muscular dos operários, enquanto os computadores, por sua vez, auxiliam o trabalho intelectual dos funcionários de escritório. Os primeiros robots-computadores surgiram por ocasião da 2ª Guerra Mundial. O primeiro deles foi o Eniac, construído por Goldstein, em 1944. Em seguida, surgiram o Mark I, II e III, o Bizmac, o Norc, o Univac, o Erma e o Zephir, este último considerado o gênio mecânico da linguagem e que traduz, automaticamente, o inglês para três idiomas diferentes,

A automação é o grande empreendimento tecnológico da nos­sa época e os seus benefícios e desvantagens influem decisivamente nos mais diversos setores da indústria, do comércio e da agricultura.