A ASTROLOGIA

5 de agosto de 1969

 

 

A Astrologia é conhecida desde a mais remota Antigüidade. Na Caldéia, ela se originou do culto dos astros, conforme atestam os documentos cuneiformes, dos quais o mais antigo é o Namar Beli, cuja autoria é atribuída ao rei Sargão, que viveu, aproximadamente, cerca de 3.000 anos a.C. Esta obra foi incluída nos livros cuneiformes de Assurbanipal, no século VII a.C. Continha observações astronômicas e cálculos para a determinação dos eclipses solares e lunares, juntamente com predições astrológicas e regras pa-ra a interpretação dos sonhos. Os sacerdotes assírios, se- guindo a tradição caldéia, também cultivaram a astrologia.

As teorias astrológicas das doze casas do céu, correspondentes aos doze signos do Zodíaco, são atribuídas aos babilônios e formam, ainda, a base dos sistemas da astrologia moderna.

Os astrólogos caldeus e fenícios gozaram de enorme reputação na Antigüidade, principalmente por causa das predições, que fizeram sobre o destino de Alexandre Magno.

Os egípcios disputam com os caldeus a paternidade da astrologia. O deus Toth - o Hermes Trimegisto da Antigüidade - é considerado o fundador da astrologia no Egito. A posição dos astros, no momento da concepção, era deduzida pela hora do nascimento do consulente, ficando, porém, a interpretação das influências planetárias reservada à classe sacerdotal. As teorias expostas nos textos egípcios demonstram, cabalmente, que já era conhecida a hipótese heliocêntrica do universo.

Na Índia, a astrologia apresentou uma singularidade: a divisão do zodíaco em vinte e oito casas.

Na Grécia, ela foi cultivada por inúmeros filósofos, entre os quais Tales, Pitágoras e Demócrito, como também pelos astrônomos. Eudóxio de Cnido, autor da Teoria das Esferas Concêntricas foi, talvez, o primeiro a escrever obras sobre o assunto. Hipócrates, em seu livro “De Aere Aqua et Locis”, discutiu, extensamente, o valor da astrologia na cura e prognóstico das enfermidades. A cidade de Alexandria foi um centro de astrólogos, adivinhos e cultores das “ciências ocultas” e a sua famosa escola médica empregava os métodos astrológicos no diagnóstico e tratamento das doenças.

Em Roma, a astrologia teve, no imperador Augusto, o seu grande defensor. Cícero, conquanto na juventude se dedicasse ao estudo da astrologia oriental, condenou-a, mais tarde, no seu livro “De Divinatione”. O astrônomo mais famoso da Antigüidade, Cláudio Ptolomeu também foi astrólogo.

Com a vitória do Cristianismo, a astrologia perdeu grande parte de sua importância, e foi perseguida pelos im-peradores cristãos e pela Igreja. Ressurgiu, todavia, mais pujante, durante a Idade Média e o Renascimento,

Os árabes e os judeus foram, nos começos da Idade Média, os depositários das tradições astrológicas da Antigüidade. Entre os árabes, o Califa Al-Mansur, restaurador de Bagdá e o seu filho famoso, Harun-Al-Rashid, se torna-ram os grandes protetores das ciências, e também da astro- logia. Os Judeus encontraram, na Cabala e no Talmude, os estímulos necessários à pratica astrológica.

Até a época das Cruzadas, a Europa cristã não se interessou, ao menos ostensivamente, pela astrologia. Mas es-sa circunstância histórica, promovendo o intercâmbio inevitável entre o Ocidente e o Oriente, propiciou o ressurgimento da astrologia na Europa Ocidental, facilitado pela decadência do poder papal e do poder imperial, de tal modo que, ao terminar a Idade Média, não havia rei, ou senhor feudal, em cuja corte não figurasse um astrólogo.

No ano de 1186, um congresso de astrólogos anunciou o fim do mundo para determinada data, mas o prognóstico fracassou.

            A astrologia atingiu o seu apogeu entre os séculos XIII e XVII, quando foi defendida e incentivada pelos Papas Sixto IV, Julio II, Leão X e Paulo III, e por imperadores e reis como Carlos IV e Carlos V, da Alemanha e  Francisco I, da França, os quais mantinham astrólogos em suas cortes. Os astrônomos Tycho Brahe e Kepler também se dedicaram aos estudos astrológicos. Tycho Brahe chegou a elaborar um horóscopo para o impe­rador alemão Rodolfo II, que era defensor da astrologia.

O século XVI conheceu o mais famoso astrólogo de todos os tempos: Miguel Nostradamus, protegido da rainha Ca­tarina de Médicis, que mandou construir, em Paris, um observatório astrológico para o serviço particular do seu protegido. As predições de Nostradamus, contidas nas suas famosas “Centúrias”, conseguiram êxito retumbante em sua época e ainda gozam de relativo prestígio em nossos dias.

O século XX, apesar das conquistas da ciência e da tecnologia, assiste a um novo ressurgimento da as­trologia, suscitando as mais vivas controvérsias a respeito de sua contestável validade científica.