A educação e os meios de comunicação

9 de maio de 1969

 

 

Desde os tempos pré-históricos, os nossos ancestrais sentiram a necessidade de constituir comunidades e permutar experiências. A linguagem articulada foi o primeiro veículo de comunicação entre os homens e a oralidade, a forma primitiva de transmissão cultural. Depois, eles começaram a gravar as suas vivências sobre as pedras, no interior das cavernas, marcando, assim, o início da linguagem escrita.

Os egípcios, cerca de 4.000 a.C., adotaram a chamada escrita hieroglífica. Os Sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. E os povos orientais, a escrita ideográfica. Coube, todavia, aos fenícios a glória da invenção do alfabeto.

O primeiro serviço de correios aconteceu por oca­sião da primeira guerra pérsica, quando Feidípedes, correndo, quase ininterruptamente, dois dias e duas noites, foi comunicar aos atenienses a vitória grega em Maratona.

Os romanos, com o seu espírito pragmático, abriram estradas em toda a extensão do seu vasto império, estabelecendo postos de correios, objetivando, mediante esta forma de comunicação, a sua unidade política.

Nos séculos XV e XVI, o mundo ocidental conheceu uma nova fase de progresso, com o desenvolvimen­to das artes náuticas. O Infante D. Henrique fundou, em 1418, a Escola de Sagres. Construíram-se as primeiras caravelas, cujas características técnicas permitiram excursões mais arrojadas pelo oceano pejado de perigos e superstições. A bússola substitui o Sol e a estrela polar como pontos de orientação. Portugueses e espanhóis se revelaram exímios navegadores, inaugurando uma nova era para o mundo, com os seus notáveis feitos marítimos. Colombo descobriu a América. Vasco da Gama alcançou as Índias, desacreditando o mito do Cabo das Tormentas. Fernão de Magalhães realizou a primeira viagem de circunavegação. E Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

Em 1455, João Gutemberg deslumbrou o mundo com a impressão do primeiro livro, a Bíblia Sagrada, mediante o processo de tipos móveis. Nascia a imprensa, aumentando, extraordinariamente, a comunicação ideológica entre os homens.

Mas, ao século XIX estava reservado o destino de ser o marco inicial da comunicação moderna. A eletricidade vinha sendo objeto das mais rigorosas experimentações científicas, graças ao trabalho e às descobertas de pesquisadores criativos como Benjamim Franklin, Alessandro Volta, Luigi Galvani, Humphrey Davy, Hans Oersted, An­dré Ampère, Georg Simon Ohm, Joseph Henry e Michael Faraday, que estabeleceram as leis da eletricidade e do magnetismo, da resistência elétrica, da eletricidade química, da corrente elétrica, ensejando as invenções da bateria e do gerador elétricos, entre outras. Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, foi o autor de 1.093 inven­ções, devidamente patenteadas, entre elas se destacando a lâmpada elétrica, os sistemas de telegrafia, o mimeógrafo e o ancestral do cinema, o cinetoscópio, este último em colaboração com George Eastman

Em 1878, Alexandre Graham Bell inventou o telefone, Samuel Morse, em 1836, o telégrafo sem fio, assim como um código, que ficou conhecido como Código Morse. Em 1867, Lord Kelvin inventou o primeiro telégrafo subma­rino e, em 1888, Hertz descobriu as ondas eletromagnéticas, denominadas, depois, de ondas hertzianas.

 A invenção da válvula eletrônica, em 1908, por Lee de Forest, tornou possível o rádio e a televisão, aquele atribuído a Marconi e esta última a Wladimir Sworykin, cognominado o “pai da televisão”. Finalmente, em 1906, Santos Dumont resolveu o problema do mais pesado que o ar, com o seu avião “Demoiselle”, movido a motor. Com o progresso vertiginoso da aviação e a invenção do “Telstar”, o mundo se tornou menor, aproximando física e psicologicamente os antípodas.

De todos os meios de comunicação, a televisão ocupa, inquestionavelmente, um dos primeiros lu­gares. Ela pode constituir-se um fator de pro­gresso ou de alienação, segundo a orientação, que lhe for impressa. Os recursos audiovisuais têm demonstrado a sua superioridade sobre os métodos clássicos da aprendizagem, facilitando e dinami­zando os processos associativos. No plano psicológico, a televisão exerce uma forma sutil de autoridade sobre o telespectador, induzindo-lhe uma atitude de passividade crédula e reduzindo-lhe o poder de autocrítica. Ela é um poderoso veículo de integração e participação das massas, canalizando os mais diferentes conteúdos psicológicos de uma comunidade. Daí, a faca de dois gumes, que ela representa: veículo de educação ou de alienação de um povo.

O mundo moderno é o mundo das comunicações por excelência. Comunicação entre povos e costumes mais diversos. Comunicação em todos os planos e em todos os níveis psicológicos. Comunicação que, a cada dia, aperfeiçoa os seus pró­prios recursos, mas que, paradoxalmente, pare­ce tornar o homem mais essencialmente sozinho, emocional e psiquicamente dependente da opinião pública e do aliciamento publicitário. Eis a razão da necessidade de uma TV-Educativa para neutralizar os descaminhos de uma co­municação alienada, reeducando o povo para a conquista dos verdadeiros valores do espírito humano.