A LITERATURA E AS ARTES NO MUNDO ATUAL

25 de abril de 1969

 

 

O século XX a.C. assinala o início da literatura ocidental com o lendário poeta grego Ho­mero, autor dos famosos poemas épicos a “Ilíada” e a “Odisséia”, que retratam o mundo helênico da mitologia. Além de Homero, também se destacaram, no campo da poesia, Anacreonte, Safo e Píndaro, es­te considerado o maior de todos os líricos da Grécia.

A tragédia grega atingiu seu clímax com Ésquilo, cujas peças se caracterizavam por um fatalismo exagerado; com Sófocles, que se notabilizou pelo sentimento idealístico da natureza humana; e com Eurípides, que descrevia as criaturas de maneira realística, admitindo que o mal, em breve, dominaria o mundo e que melhor seria para o homem se não tivesse nascido. “Édipo Rei” e “Antígona” são as obras mais famosas de Sófocles e “Andrômaca” e “Medéia’, as de Eurípides.

A comédia teve em Aristófanes, que escreveu “As Nuvens” e “As Aves”, entre outras, o seu maior representante.

Na estatuária, se projetaram as figuras de Fídias e Apeles.

Roma deu ao mundo o teatro de Plauto e Terêncio. Virgílio, autor de “Bucólica”, “Geórgica” e “Enei­da”, Horácio e Ovídio, este último famoso por seu poema “Metamorfoses”, são considerados os maiores poetas romanos, não esquecendo, porém, lembrar os nomes de Lucrécio, Catulo, Marcial, Juvenal e Apuleio, autor do livro “O Burro de Ouro”. Aulo Gélio, que se dedicou à política literária, escreveu uma obra composta de vinte volumes, intitulada “Noites Áticas”.

A Renascença na Itália, nos séculos XIII e XIV, teve em Dante, Petrarca e Boccacio os seus maiores vultos literários. “A Divina Comédia”, escrita por Dante, é considerada uma das maiores obras já produzidas em todos os tempos. Neste movimento literário, também se destacaram Aretino, Torquato Tasso e Ariosto.

Nas artes plásticas, pontificaram Giotto, cuja pintura foi decantada, em versos, por Dante Alighieri. Botticelli ilus­trou a “Divina Comédia” e se notabilizou pelo seu quadro “Nascimento de Vênus”. Leonardo Da Vinci foi um gênio enciclopédico: pintor, escultor e inventor. Rafael Sansio se destacou pelas suas “madonas” e “bambinos”. Ticiano, considerado o fauno da Renascen­ça, notabilizou-se pelo sensualismo de suas telas. E Miguel Ângelo, êmulo e contemporâneo de Leonardo Da Vinci, foi uma das figu-ras exponenciais de sua época, na pintura e na escultura.

Na Renascença inglesa, Shakespeare escreveu livros que, pelo seu denso conteúdo psicológico, atravessaram os sé­culos, como “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Rei Lear” e “Otelo”, entre muitas outras, tendo criado cerca de 700 personagens. Além de Shakespeare, destacaram-se William Penn e John Milton, este último conhecido por seu livro “O Paraíso Perdido”.

O Renascimento francês floresceu com Montaigne, Ronsard e Rabelais. E, em Portugal, apareceu uma das maiores obras da literatura em todos os tempos, “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões.

No século XVII, o movimento literário denominado classicismo foi liderado na França por Malherbe e Boileau.  No teatro, Corneille foi considerado o pai da tragédia francesa, com obras da envergadura de “O Cid”. Racine, depois de Corneille, tornou-se o maior dramaturgo francês, escrevendo peças co­mo “Andrômaca” e “Britânico”, onde demonstrou o seu conhecimento da natureza humana.

Molière, cognome de Jean Baptiste Poquelin, é o verdadeiro criador da comédia, descrevendo os caracteres da cor­te e da cidade, na sua época. As suas obras mais conhecidas são “O Avarento”, “As Sabichonas”, “O Misantropo” e “Escola das Mulheres”, entre muitas outras.

Na Inglaterra, se destacaram o poeta Alexander Po­pe e o romancista Daniel Defoe, criador do jornalismo literário e considerado o precursor do romance romanesco, cujos maiores representantes foram Richardson e Fielding. Defoe e Jonathan Swift se consagraram, como escritores, pelos seus livros “Robinson Crusoé” e as “Viagens de Gulliver”, respectivamente.

Na Alemanha, Goethe foi considerado o maior dos poetas do seu país, principalmente pelo seu livro “Fausto”. Schiller se notabilizou como poeta lírico, sendo, como autor dramático, superior a Goethe. E Holderlin, por sua lírica transcendental, se destacou como uma das maiores expressões do humanismo alemão.

O século XVII foi a idade áurea da literatura espanhola. Ledesma chefiou a escola conceptista e Góngora, a escola cultista, que se caracterizavam por uma posição extremada aos princípios da escola clássica. No teatro, surgiu Lope da Vega, o maior dramaturgo espanhol, que, no dizer de seu biografo Montalban, escreveu cerca de 2.200 obras, das quais são conhecidas apenas 400. Calderon de La Barca, porém, o sobrepuja na qualidade de sua produção. Tirso de Molina, a quem Lope da Vega classificou de o “Terêncio espanhol”, focali­zou a sociedade de sua época, tendo seu estilo sofrido a influencia de Gôngora. E, finalmente, Cervantes, a maior glória literária da Espanha, se consagrou como autor de “Don Quixote de la Man­cha”, considerado o último romance de cavalaria e o primeiro romance moderno.

O século XVII teve, como representantes máximos na pintura, o flamengo Rubens, o espanhol Velázquez, que pintou a corte espanhola de sua época, e o ho­landês Rembrandt, notabilizado pela tonalidade de seus quadros e seus auto-retratos. Chateaubriand foi o precursor do Romantismo na França, que teve como seus maiores expoentes Lamartine, Musset, Gautier, Vigny, Alexandre Dumas, Georg Sand e Victor Hugo, este último o mais fecundo e versátil do todos. Na Espanha, se desta­caram Saavedra, o grande épico do Romantismo espa­nhol e Espronceda, cujo lirismo é igualado ao de Goethe, Byron e Leopardi. Na Inglaterra, Shelley foi consagrado como um dos maiores poetas líricos de seu país, seguido de Byron, Keats, Robert Burns, Tennyson e Walter Scott. Na Alemanha, Heine foi a figura mais destacada do Romantismo, juntamente com Hebbel e Kleist. Em Portugal, pontificaram Almeida Garret, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano Castilho. No Brasil, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, José de Alencar, entre outros. Na Itália, Leopardi foi o ponto alto do movimento romântico.

O século XVIII é a idade de ouro da mú­sica, onde despontam Mozart, Bach, Beethoven, Schubert, Haëndel, Haydn e Gluck. E, no século XIX, se notabilizaram Schumann, Lizst, Wagner, Tchaikovsky, Chopin, César Franck, Debussy, Verdi, Strauss, Massenet, Brahms e Carlos Gomes.

O Realismo, na França, foi encabeçado por Balzac, o famoso autor de “A Comédia Humana”, e o Naturalismo por Emílio Zola, Flaubert e Maupassant. O Naturalismo teve dois representantes na Itália: Carducci e Gabriel D’Annunzio. Na Alemanha, surgiram Nietzsche, autor de “Assim falava Zaratrusta”, e Hauptmann. Na Rússia, o Realismo foi representado por Dostoievski e Tolstoi. Na Noruega, por Ibsen. Em Portugal, por Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz, este últi­mo autor de duzentos e sessenta e duas obras entre as quais se destacam “O Crime do Padre Amaro” e “As Cidades e as Serras”. No Brasil, o Realismo te­ve em Machado de Assis e Arthur de Azevedo os seus maiores representantes.

Leconte de Lisle e Baudelaire, na França, Ola­vo Bilac, Raimundo Correia e Augusto dos Anjos, no Brasil, Antero de Quental, João de Deus e Guerra Junqueiro, em Portugal, constituíram a elite intelectual do movimento parnasiano.

O simbolismo surgiu, na França, com Mallarmé, que privilegiou o som em relação à semântica. Deste movi­mento, também participaram Rimbaud e Paul Ver­laine. No Brasil, o movimento simbolista atingiu seu apogeu com Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães.

No século XIX, Goya iniciou a era moderna na pin­tura. Delacroix, considerado o maior pintor do Romantismo, exerceu forte influência na pintura im­pressionista. Coubert inaugurou o período realista pintando quadros da vida cotidiana. Manet, Cézanne, Degas e Toulouse-Lautrec desencadearam o movimento impressionista, e Van Gogh, o expressionista. Gauguin, pondo em prática o seu lema “tudo ousar”, deu início à fase de deformação simplificada na pin­tura, despertando ainda, a atenção dos intelec­tuais do século XX pela arte dos povos primiti­vos. Picasso e Braque realizaram experiências cubistas, e, ainda neste século, se desenvolveu um mo­vimento artístico a que se denominou de surrealis­mo.